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quinta-feira, 16 de março de 2017

A Bússola do Espiritismo


A Bússola do Espiritismo 
Túlio Tupinambá (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Dezembro 1956

            O Espiritismo, para se conservar isento de influências negativas, tem de permanecer adstrito aos princípios de sua Doutrina, codificada por Allan Kardec e tão bem defendida pela Federação Espírita Brasileira. Somente o conhecimento doutrinário confere ao espírita digno deste nome pleno conhecimento da Terceira Revelação. Dada a extrema tolerância com que o Espiritismo recebe e agasalha as criaturas egressas de outros credos, desiludidas pela falta de clareza de seus postulados, pela esterilidade de suas obras ou pelo desamparo espiritual em que se sentem, não raro se observam deturpações e desrespeitos à nossa Doutrina, que é medianamente clara, extraordinariamente simples e de assimilação facílima. Elementos provindos de religiões em declínio, ainda mal adaptados ao Espiritismo, por desconhecerem a Doutrina de Kardec, misturam costumes e preconceitos de seus antigos credos com as práticas singelas dos espíritas, acabando por alcançarem, com a melhor das intenções, acreditamos, um sincretismo bizarro, mas de todo em todo incompatível com os ensinamentos reais do Espiritismo. Em consequência, abeiram-se do feiticismo, inovando ou melhor, transferindo para cá certas práticas julgadas inconcessas por nossa Doutrina.

            Dessa balbúrdia se aproveitam rancorosos inimigos do Espiritismo para atacá-lo cada vez com maior veemência, acusando os espíritas de se apropriarem de seus santos, de sua liturgia, de suas rezas... Para os espíritas nada disso vale nada em face do que nos ensina Kardec. Respeitamos as opiniões alheias, as religiões que lutam pela conquista da hegemonia material, mas desejamos continuar fiéis à nossa religião.

            No Espiritismo não há batismos nem casamentos e muito menos encomendações fúnebres. Não há santos nem imagens, porque reverenciamos o Espírito, que é tudo. O que para nós conta é o que contém o corpo da Doutrina codificada por Allan Kardec, porque ela, sim, é a Lei em que se baseia a conduta do espírita verdadeiramente consciente de sua posição no seio da Humanidade e em face de Jesus. Santos, rituais, especulações teológicas, nada disso é nosso, nada disso queremos, pois não nos escoramos tão pouco em figuras hipostáticas, nem nos perdemos no matagal do metafisicismo inócuo. Em vez do “Credo quia absurdum”, de Santo Agostinho, preferimos Kardec: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a Razão, em todas as épocas da Humanidade.”

            Sendo o Espiritismo formado pela trilogia Religião-Ciência-Filosofia, muito trabalho nos espera dentro dele para que possamos perder tempo com outras religiões que somente possuem passado e vêem o presente se alongar custosamente, sem corajosa esperança no futuro... As religiões que se debatem pela sobrevivência não querem reconhecer que sua missão está concluída na Terra e que o Espiritismo, que é o Cristianismo do Cristo em plena florescência, cada vez se torna mais senhor de si e apto a cumprir sua destinação entre os homens sob as luzes do Evangelho de Jesus. Se essas religiões agonizantes do ponto de vista espiritual, ainda se dedicarem às tarefas que realmente lhes competem, renunciando às atrações mundanas e resistindo às tentações de preponderância temporal, a ponto de se envolverem na política, então poderão, pelo menos, ter um fim menos doloroso, realizando o supremo esforço de honrar o nome de Deus e do Cristo na hora extrema.

            O constante desenvolvimento do Espiritismo está suscitando, ainda agora, reações violentas de credos religiosos inconformados com a realidade dos novos tempos. Vamos recebendo com serenidade os ataques, as provocações, as injúrias, as calúnias, as deturpações do que dizemos e realizamos, as mentiras que nos são assacadas, na vã tentativa de nos desmoralizarem; as perseguições, enfim, disfarçadas ou ostensivas, sempre polimórficas, nas quais os verdadeiros perseguidores preferem ocultar-se por trás dos que servem de instrumento ao seu ódio, para melhor investir-nos sem suscitar o escândalo público. Devemos continuar humildes e serenos, escudados na força de nossa fé, de nossa Doutrina, sem esquecermos o dever da exemplificação que nos deu Jesus. conforme se encontra nas lições sublimes de “O Evangelho segundo o Espiritismo” .

            O futuro do mundo pertence ao Espiritismo, porque, quanto maior a cultura humana, mais largo o caminho que se abrirá à nossa religião, que ama a claridade do espírito e da mente, repelindo a treva da ignorância e da maldade. Espiritismo é paz, é caridade, é amor. Esta é a moeda do nosso comércio, porque essa foi a moeda de Jesus em sua peregrinação terrena. Não somos insensíveis aos maus tratos. Todavia, a nossa sensibilidade cede ao nosso dever de exemplificar. Possamos sempre responder com humildade à arrogância dos imprevidentes. Sabemos que o homem moderno, em sua maioria, não pensa nem age por ouvir dizer, quando já não se encontra prisioneiro da ignorância. Observa, investiga, analisa e julga, antes de tomar uma decisão definitiva. O Espiritismo não se arreceia da verdade porque ele é a Verdade, pois está amparado pelo Cristo. Confiantes na excelência da nossa Doutrina, não tememos o porvir. A sucessão dos anos apenas poderá tornar mais vigoroso o Espiritismo, em virtude da segurança de seus postulados morais e da realidade impressionante das relações progressivas do mundo físico com o mundo espiritual. Qualquer homem de bom senso pode ler, estudar e interpretar os princípios doutrinários do Espiritismo, usando, até nisso, o seu livre arbítrio, sem tremer ante a ameaça ridícula do Purgatório e do Inferno. Seu destino é traçado pelo uso que fizer desse livre arbítrio. O Espiritismo confia no futuro da Humanidade e a Humanidade está aprendendo depressa a confiar no Espiritismo, porque ele não hostiliza nem faz discriminações. Amparando e auxiliando, ele esclarece, guia, assiste, fazendo reviver a cada instante, no século inicial da era atômica, o Cristianismo primitivo, bem diferente do pseudo Cristianismo paganizado, que se arrasta orgulhosa e penosamente por aí.

            Quanto mais sólido for o conhecimento da Doutrina de Kardec pelos espíritas, tanto mais forte será o Espiritismo, porquanto ela mostra com firmeza a posição exata que a nossa religião já ocupa no seio da Humanidade.  A Doutrina é a base da ação espírita e ninguém consegue ser completamente espírita se não a conhece e não exemplifica seus ensinamentos com amorosa fidelidade.


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