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sábado, 3 de dezembro de 2016

Os Convidados para a Festa das Bodas


Os Convidados para a Festa das Bodas

22,1  Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas:
22,2  “O reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho.
22,3  Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir
22,4  Enviou outros ainda, dizendo-lhes: Dizei aos convidados: Já está preparado o meu banquete: Meus boi e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas!
22,5  Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo, outro para seu negócio.
22,6  Outros, lançaram mão de seus servos, insultaram-nos e os mataram.
22,7  O rei soube e indignou-se ao extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade.
22,8  disse depois a seus servos: O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos.
22,9  Ide as encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes
22,10  Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus ou bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados.
22,11  O rei entrou para vê-los e viu ali  um homem que não trazia a veste nupcial.
22,12  Perguntou-lhe: Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial? O homem não proferiu palavra alguma.
22,13  Disse então aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o lá fora na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes!
22,14  Porque muitos serão os chamados mas poucos os escolhidos!”

         Para   Mt (22,1-14), -Os Convidados para a Festa de Bodas - encontramos  o caminho e a luz em Kardec, no Cap. XVIII  de  “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:   

             “O incrédulo sorri a essa parábola que lhe parece de uma puerilidade ingênua, porque não compreende que se possa criar tanta dificuldade para assistir a uma festa, e ainda menos que os convidados estendessem a resistência até ao massacre dos enviados do senhor da casa.

            “As parábolas, diz ele, sem dúvida, são figuras, mas ainda é preciso que elas não saiam dos limites do verossímil.”

             Pode-se dizer o mesmo de todas as alegorias, das fábulas mais engenhosas, se não são despojadas de seu envoltório para procurar-lhe o sentido oculto.  Jesus hauriu as suas nos usos mais vulgares da vida, e as adaptou aos costumes e ao caráter do povo ao qual falava; a maioria tem por fim fazer penetrar nas massas a idéia da vida espiritual; o seu sentido não parece freqüentemente ininteligível senão porque não se parte desse ponto de vista.

            Nessa parábola, Jesus compara o reino dos céus, onde tudo é alegria e felicidade, a uma festa. Para os primeiros convidados, fez alusão aos Hebreus, que Deus chamou primeiro ao conhecimento de sua lei. Os enviados do Senhor são os profetas que vieram exortá-los a seguir o caminho da verdadeira felicidade; mas, suas palavras foram pouco escutadas; suas advertências foram menosprezadas; vários foram mesmo massacrados, como os servidores da parábola. Os convidados que se escusam com os cuidados a dar aos seus campos e aos seus negócios, são o símbolo das pessoas do mundo que, absorvidas pelas coisas terrestres, são indiferentes quanto às coisas celestes.

            Era uma crença, entre os Judeus de então, que sua nação deveria adquirir a supremacia sobre todas as outras. Deus não havia, com efeito, prometido a Abraão que a sua posteridade cobriria toda a Terra? Mas, sempre, tomando a forma pelo fundo, eles acreditavam numa dominação efetiva e material.

             Antes da vinda do Cristo, à exceção dos Hebreus, todos os povos eram idólatras e politeístas. Se alguns homens, superiores ao vulgo, conceberam a ideia da unidade divina, essa ideia ficou no estado de sistema pessoal, mas em nenhuma parte foi aceita como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados que escondiam seus conhecimentos sob um véu misteriosa, impenetrável às massas. Os Hebreus foram os primeiros que praticaram publicamente o monoteísmo; foi a eles que Deus transmitiu a lei, primeiro por Moisés, depois por Jesus; foi desse pequeno foco que partiu a luz que deveria se derramar sobre o mundo inteiro, triunfar do paganismo e dar a Abraão uma posteridade espiritual “tão numerosa quanto as estrelas do firmamento”. Mas os Judeus, repelindo a idolatria, haviam negligenciado a lei moral para se apegarem à prática mais fácil das formas exteriores. O mal chegara ao auge; a nação dominada estava fragmentada pelas facções, dividida pelas seitas; a incredulidade mesmo havia penetrado até no santuário. Foi  então que apareceu Jesus, enviado para lembrá-los quanto à observância da lei, e abrir-lhes os horizontes novos da vida futura; convidados dos primeiros para o grande banquete da fé universal, repeliam a palavra do celeste Messias e o fizeram perecer; foi assim que perderam o fruto que teriam recolhido de sua iniciativa.”
               
         Ainda para Mt (22,1-14), leiamos um pouco mais da  palavra de Kardec, com a mesma fonte:

            “Seria injusto, todavia, acusar o povo inteiro desse estado de coisas; essa responsabilidade cabe principalmente aos Fariseus e aos Saduceus que perderam a nação, pelo orgulho e pelo fanatismo de uns e pela incredulidade de outros. São eles sobretudo que Jesus compara aos convidados que recusam comparecer ao repasto de núpcias. Depois acrescenta: “O Senhor, vendo isso, fez convidar todos os que se encontravam nas encruzilhadas, bons e maus” ; ele queria dizer com isso que a palavra foi pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e que estes a aceitando seriam admitidos na festa em lugar dos primeiros convidados.

            Mas não basta ser convidado; não basta levar o nome de cristão, nem se assentar à mesa para tomar parte no celeste banquete; é preciso, antes de tudo, e como condição expressa, estar revestido com a roupa nupcial, quer dizer, ter a pureza de coração e praticar a lei segundo o espírito; ora essa lei está inteiramente nestas palavras: Fora da caridade não há salvação.
                                              


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