Translate

domingo, 30 de março de 2014

Maria à frente



Maria à frente

Maria passa na frente e vai
abrindo estradas e abrindo portas e portões,
abrindo casas e corações.

A Mãe indo na frente,
os filhos estão protegidos e seguem seus passos
Ela leva todos os filhos sob a sua proteção.

Maria, passa na frente
e resolve aquilo que somos incapazes de resolver.

Mãe, cuida de tudo o que não está ao nosso alcance.
Tu tens poderes para isso.

Vai Mãe, vai acalmando,
serenando e amansando os corações.

Vai acabando com o ódio,
rancores, mágoas e maldições.

Vai terminando com as dificuldades,
tristezas e tentações.

Vai tirando teus filhos das perdições.

Maria passa na frente
e cuida de todos os detalhes,
cuida, ajuda e protege a todos os teus filhos.

Maria, Tu és a Mãe também porteira.   
Vai abrindo o coração das pessoas
e as portas nos caminhos.

Maria, eu te peço,
passa na frente e vai conduzindo, levando,
 ajudando e curando os filhos que precisam de Ti.

Ninguém pode dizer que foi decepcionado por Ti,
depois de ter Te chamado ou invocado.

Só Tu, com o poder de Teu filho,
pode resolver as coisas difíceis e impossíveis.

Nossa Senhora,
faço esta oração, pedindo a Tua proteção.

  Yasmin 

25 de Março de 2014

Rainha Angelical


Rainha Angelical
Anália Franco
por Divaldo Franco
Reformador (FEB) Maio 1962


Mãezinha:
            para coroar-te a cabeça já adornada da luz do sacrifício, fiz-me garimpeiro de estrelas para tecer uma grinalda de brilhantes com que pudesse expressar-te meu infinito amor.

            Vendo-te encanecer, a pouco e pouco, enrugando a face antes lisa e rosada, procuro compreender as inúmeras dores que por mim sofreste, e sinto quantos tesouros de renúncia e aflição foste constrangida a guardar nos cofres sublimes do coração.

            Quantas noites de tormenta suportaste, em silêncio, heroína do amor? Nem tu mesma poderias enumerar.

            Há quem finja não conhecer tuas dores, procurando ignorar as tuas vigílias glorificadoras. Nada reclamas, porém. Sabes identificar, no filho ingrato, somente o espírito enfermo e nunca descerras os lábios para reclamar.

            Certa de que maternidade é sacrifício, apagaste a luz que alimentava teus sonhos de menina e moça para que toda a, vida se consumisse na felicidade dos rebentos com que Deus coroou tuas ansiedades....

            Quando os filhos queridos se alçam às culminâncias sociais, somente raros recordam das tuas aflições. No reduto de solidão, porém, a que te acolhes, distendes o amor em cânticos de oração, fruindo, esquecida muitas vezes, a felicidade que eles não desejam repartir contigo.

            Mas se a ventania os arrasta, não aguardas que te chamem. Vigilante, estás sempre de pé, no campo de luta para os defender...

            Rainha angelical do amor, transformada em estátua de agonia, és a alma da vida construindo a Eternidade, em nome do Supremo Pai.

            Mensageira do Céu, és a vida da alma em forma de estrela na Terra.

            Deixa-me, agora, depois de tantas lutas, coroar-te a cabeça com as fulgurantes estrelas do firmamento, perfumando tua alma com os suaves aromas das rosas raras de Jericó, que adornaram Maria, a Mãe de Jesus, rainha de todas as mães.

            Mãezinha, no Dia de todas as mães, eu te bendigo, rainha querida do meu coração.


sábado, 29 de março de 2014

Carta do Além


Carta do Além

Antero

por Divaldo F. Franco
Reformador  (Maio) 1962

            Meu filho,

            Perdoa-me voltar à tua consciência.

            Continuo vivo e sei que na tua memória estão impressos, a golpe de remorso implacável, os últimos dias do nosso encontro, e, como tu, também eu não me olvido da nossa despedida.

            Lembro-me bem: a dispneia ultrajava-me o corpo vencido, quando te pedi a medicação calmante. Teu olhar, porém, meu filho, quando me trazia o copo, disse-me tudo. Quis recuar; não pude. A tua ansiedade parecia pedir-me que sorvesse o conteúdo do vasilhame em que tuas mãos nervosas pingaram a dose fatal de arsênico. Essa ansiedade, que não tenho conseguido esquecer, imprimiu na minha alma emoções desordenadas e, no momento em que o veneno escorria pelo meu tubo digestivo e o suor vertia em bagas pelo teu rosto, eu me revi moço, como se a aproximação da morte tivesse vencido o tempo e eu recuasse aos primeiros dias do lar. Via-me a reter-te nos meus braços vigorosos, após a partida da tua mãe para o mundo espiritual; procurando ninar-te o sono leve. Lembrei-me das noites que passei debruçado sobre o teu leito de criança, procurando acarinhar-te, esquecido de mim mesmo. Via-te crescer, enquanto eu desenvolvia uma grande atividade para reunir as moedas que iriam fazer a nossa felicidade no futuro, quando estivesses estuante de mocidade e eu envelhecido. Recordei a educação primorosa que te dava, enquanto as minhas mãos se calejavam no trabalho! Frequentavas a Faculdade de Medicina e, nesse justo momento das lembranças, minha mente turbilhonou-se sob a força incoercível da morte. Ainda pude concluir, antes do delíquio, que o filho que eu ninara com as minhas mãos assassinava-me para se apossar do cofre forte da nossa casa, onde eu guardava as moedas e as cédulas que sempre foram tuas.

            Não morri, meu filho. Não me conseguiste matar. Rompeste somente as roupas velhas e cansadas que me pesavam, que me vergastavam, porque, verdadeiramente, eu morrera muito antes, quando a tua mãe partiu e não mais pude ser feliz... Já naquele tempo procurei transfundir a minha vida na tua vida; o amor que a morte me roubara, transferi-o para ti, em forma de confiança e alegria, de esperança e júbilo.

             Porque te precipitaste, meu filho?

            Depois que os tecidos se desfizeram e me descobri vivo, pus-me a examinar a própria situação e lembrei-me da história da serpente que picara o peito que a amamentava. Fizeste o mesmo. Assassinaste-me...

            Acompanhei-te, a princípio, tomado por um ódio que me requeimava mais do que o arsênico no estômago. Ódio que me fazia enlouquecer, enquanto tuas mãos mergulhavam no dinheiro do meu suor, vendendo as propriedades para gastares no lupanar, seduzido por infeliz mulher que, por sua vez, era escrava de outra mulher desencarnada que te odiava e odeia ainda, e a quem, em vida pregressa, destruíste o lar como agora me destruíste o corpo.

            Oh! meu filho! Não suporto mais continuar com esta lembrança, revendo-me nas tuas mãos, impotente para reagir e ouvindo a tua voz nervosa, a repetir: "beba meu pai, você vai dormir."

            Não, meu filho. Não dormi, pois o pesadelo continua...

            Vejo-te agora, sucumbindo lentamente, dominado pela adversária do passado e utilizo-me deste Correio, por falta de outro, para que a minha voz chegue aos ouvidos do teu coração.

            Desperta, meu filho, antes que seja tarde demais.

            Já te perdoei a mão com que me puniste em nome da Justiça indefectível... Também eu carregava crimes atrozes de que, num estado de loucura, apressaste o resgate, ignorando que a Lei Divina, oportunamente, se encarregaria de me justiçar.

            - Libertei-me, mas te enrodilhaste numa trama e não podemos prever quando o futuro te libertará.

            Desperta, meu filho! Desperta e vive!

            De que vale a cultura numa consciência culposa? Ainda não se passaram duas dezenas de anos, em que a Humanidade presenciou o soçobro das suas mais nobres aquisições, na guerra das civilizações super alfabetizadas, dirigidas pela ambição
que se fez monstro de guerra, transformando homens em abutres, anulando o patrimônio do saber, dizimando cidades, incendiando vilas, assassinando mulheres, crianças e velhinhos indefesos dos povoados humildes, na ânsia sanguinária da anarquia.

            A cultura não representa tudo. Não adianta o saber num caráter ultrajado. Abre os braços à Fé, volta a Jesus, enquanto é tempo.

            Eu sei que a minha voz chegará aos teus ouvidos.

            Pelo amor de Deus, arrepende-te. Mas não te arrependas na aparência, e, sim, rompendo esse silêncio que te levará à loucura, recuperando o tempo perdido e empregando os últimos dias da vida na retificação da tua invigilância.

            Filho do meu coração, revejo-te nas minhas mãos, ainda pequenino, quando eu chorava a tua mãe ausente e, diante das minhas lágrimas a caírem no teu rosto de anjo, indagavas, infantil: "estás chorando, papai ?" Sim meu filho, continuo chorando. Estou chorando por ti. Volta, pois. Volta, volta ao bem que eu quase não te soube ensinar.

            Volta a Jesus, e começa tudo de novo, outra vez, para a nossa felicidade.

                                         O teu

Antero

Seleção Cármica



Seleção Cármica

Indalício Mendes

Reformador (FEB) Setembro 1963

            Talvez jamais a Humanidade haja sofrido tantas desilusões quanto agora. Talvez nunca tenha sido tão incisiva a ação de falsos líderes e pregadores de ideias novas e doutrinas exóticas, que dão aos homens sem discernimento, mas pejados de ambições inferiores, a impressão de que ouvem e seguem legítimos arautos da Verdade, da Justiça e do Bem. Infelizmente, certa parte da Humanidade é imediatista e interesseira, não se inclinando a examinar serenamente as promessas enganadoras ocultas sob o floreado atraente dos discursos insinceros.

            Cansados de desilusões e fartos de sofrimentos, os homens volúveis e superficiais, na ânsia de alcançar benefícios fáceis, deixam-se embebedar com palavras sedutoras e seguem doutrinas que não resistem a um confronto seguro com os princípios puros do Cristo. E assim se entregam, sem resistência, mas cegamente, aos entorpecedores efeitos da maconha demagógica.

            Tudo isso, compreendamos, sobrecarrega o quadro cármico de indivíduos e coletividades ainda em fase de desenvolvimento primário e secundário e serve para reafirmar categoricamente as profecias de elevados Espíritos, acerca das provações excepcionais, já iniciadas, que estão assinalando, passo a passo, o advento do Terceiro Milênio.

            Essas perturbações políticas profundas, de grande influência e repercussão na vida íntima dos povos, parece terem iniciado um novo ciclo com a deflagração da guerra franco-prussiana, em 1870. O processo evolutivo não cessou jamais e em 1914 se verificou novo avanço cíclico, que adquiriu maior expressão com a guerra iniciada 25 anos depois, isto é, em 1939. Portanto, três guerras que abalaram profundamente o coração da Europa, interessando as duas últimas os países americanos e o mundo inteiro, estabeleceram novos rumos da vida social e política da Terra. Houve quedas de governos autocráticos, libertação de nações secularmente escravizadas, perda de poderio bélico de uns países outrora fortes e surgimento de novas potências mundiais. Como nunca, o Materialismo estendeu seus tentáculos de ferro, constringindo a Humanidade e, por estranha "coincidência", justamente agora é que as coisas do espírito mais se ampliam no seio das massas humildes, que vão adquirindo maior compreensão de certos deveres capazes de impedir a desnaturação completa da vida humana, embora andem pelas praças públicas reivindicações de natureza popular um tanto exaltada.

            Toda essa confusão, entretanto, está dentro das previsões espíritas. Emmanuel, no livro que traz o seu nome, edição de 1938, predisse a eclosão do conflito de 1939, que durou até 1945. Os próprios homens, por seu afastamento do Cristo, traçam as dores que vão sofrer e as tribulações impostas aos países a que pertencem. Nada é feito por acaso, porque o acaso não existe. A rebeldia dos homens gera a balbúrdia e o desentendimento, a dor e a desilusão, porque as guerras têm uma função retificadora, uma função cármica. "De cada vez que os homens querem impor-se, arbitrários e despóticos, diante das leis divinas, há uma força misteriosa que os faz cair, dentro dos seus enganos e de suas próprias fraquezas. A impenitência da civilização moderna, corrompida de vícios e mantida nos seus maiores centros à custa das indústrias bélicas, não é diferente do império babilônico que caiu, apesar do seu fastígio e da sua grandeza. No banquete dos povos ilustres da atualidade terrestre, leem-se as três palavras fatídicas do festim de Baltazar. Uma força invisível gravou novamente o “Mane - Thecel - Phares" na festa do mundo. Que Deus, na sua misericórdia, ampare os humildes e os justos" (“Emmanuel", de Emmanuel - ed. 1938.)

            Ora, a corrupção da civilização atual se agravou imensamente depois da última guerra. A Humanidade está vivendo o ciclo preparatório do advento do Terceiro Milênio, já à porta, que marca o começo das dores e tribulações redentoras, para que o Terceiro Milênio seja, então, segundo as profecias, o da Redenção da Terra. O mundo está no crivo da evolução moral. Todas as imundícies e torpezas estão sendo reveladas e a confusão se torna progressivamente maior. Tomem por exemplo o nosso país e o que nele se passa, se quisermos ter uma ideia aproximada dessa grande verdade.

            Já vaticinava Allan Kardec, ao referir-se à "marcha gradativa do Espiritismo": “A Humanidade chegou a um dos períodos de sua transformação e o mundo terreno vai elevar-se na hierarquia do mundo. O que se prepara não é o fim do mundo material. É o velho mundo, o mundo dos preconceitos, do orgulho, do egoísmo e do fanatismo que se esboroa. Cada dia leva consigo destroços. Tudo dele acabará com a geração que se vai e a geração nova erguerá o novo edifício, que as gerações seguintes consolidarão e completarão" (1),

            Três grandes passos deu a Humanidade para organizar o seu mapa de provações coletivas de origens políticas, em 1870, 1914-18 e 1939-45, sem contar as transformações profundas de natureza social, verificadas na Rússia, primeiramente, e depois em outros países. Depois de 1945, os povos até então submetidos à servidão começaram a ser ouvidos e hoje seus representantes se sentam ao lado dos representantes de antigos países opressores, que se julgavam tocados de uma superioridade incontestável. E as reformas sociais continuam, muitas vezes dando ensanchas a que espertos especuladores se aproveitem da situação confusa para se beneficiarem. Mas tudo acabará nos lugares exatos, pois "o mundo não marcha à revelia das leis misericordiosas do Alto, e estas, no momento oportuno, saberão opor um dique à chacina e ao arrasamento; confiemos nelas, porque os códigos humanos serão sempre documentos transitórios, como o papel em que são registrados, enquanto não se associarem, parágrafo por parágrafo, ao Evangelho de Jesus". “Emmanuel".

*

            Não se julgue sejamos pessimistas, Apenas observamos e analisamos fatos ligados por circunstâncias políticas e sociais, Não padece dúvida de que nos achamos já no período da seleção cármica que se desenvolverá muito mais no curso do Terceiro Milênio, que se iniciará dentro de 37 anos. Revoluções, greves, terremotos, maremotos, enfim, toda uma sorte de perturbações graves e de natureza diversa, afetarão a vida humana, mais do que até hoje tem afetado. À proporção que o ciclo for crescendo para fechar-se, mais fortes serão as dores do mundo, Vivemos numa fase apocalíptica. Os homens desdenham dos deveres espirituais e se entregam, desarvorados, ao despotismo dos sentidos. A mudança de Espíritos rebeldes se faz metodicamente. "Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso se faz que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que
unicamente ao bem aspirem. Como já chegou esse tempo, uma grande emigração neste momento se opera entre os que o habitam. Os que praticam o mal pelo mal, ALHEIOS co sentimento do bem, dela se verão excluídos, porque lhe acarretariam novamente perturbações e confusões que constituiriam obstáculo ao progresso. Irão expiar o seu endurecimento em mundos inferiores, aos quais levarão os conhecimentos que adquiriram, tendo por missão faze-los adiantar-se. Substitui-los-ão na Terra Espíritos melhores, que farão reinem entre si a justiça, a paz, a fraternidade. A Terra não será transformada por um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança na ordem natural das coisas" (2).

            É o que vem acontecendo. Hoje as mudanças já são perceptíveis, Essa possibilidade de observação constitui uma advertência do Alto, uma oportunidade a mais concedida aos homens que são responsáveis pela desarmonia ambiente. Empolgados por suas ambições políticas, a nada eles atendem, De tal maneira, estimulam o peneiramento indispensável à limpeza que precederá o Terceiro Milênio. Já Kardec, em sua época, sentira e dissera já ser o tempo em que vivia "a época da transição".

            Os próprios cientistas experimentam o acúleo da transição por que está passando a Humanidade. Em "La Nueva visión del mundo", se lê, ao falar Jean Gebser da quarta dimensão: "Do que acabamos de dizer surge um caráter que brevemente poderíamos qualificar de ambiguidade de nossa época, a qual como tal se nos apresenta cheia de incertezas. Vivemos numa época ambivalente e isto em muitos aspectos. Com efeito, ela representa um final e ao mesmo tempo um começo. Toda despedida supõe por isso mesmo uma partida. Pois bem: muitos não veem senão o fim da nossa época. E mais: muitos nem sequer veem isso porque simplesmente não desejam ter conhecimento deste incômodo fato. E daí resulta que não podem tão pouco reconhecer o outro aspecto da nossa época, isto é, que ela representa um começo, se bem que difícil, cheio de felizes esperanças" (pág. 291). Essa obra tem como subtítulo: "Conferencia Internacional sobre el nascimiento de una nueva era, la era de la perspectiva."

            Citamos esse trecho, escolhido acidentalmente, para que o leitor observe que, mesmo àqueles que não se encontram familiarizados com os problemas espíritas, a situação anormal e angustiosa da Terra, vivendo um período de transição, não passou despercebida, Se os cientistas do "Instituto de Altos Estudos Econômicos de Sankt Gallen", que "abandonaram os pontos de vista do determinismo materialista, do estreito pensamento do mecânico e causal", estivessem mais apurados espiritualmente, teriam chegado a conclusões ainda mais positivas, numa linguagem que se assemelharia ainda mais à dos espíritas. 

            É bem verdade que eles partiram de ideias puramente científicas, diametralmente opostas às que marcam o texto do presente artigo. Mas as suas conclusões, "mutatis mutandis", são idênticas.

            Disseram com acerto que a transição representa ao mesmo tempo um fim e um começo. A ideia se casa perfeitamente com o ponto de vista espírita. A época de transição marca o fim de uma geração desvairada, mas também assinala o início de uma geração nova, em que todas as esperanças são depositadas. Além disto, a geração desvairada não inclui aqueles que, esclarecidos, compreendam os desígnios do Alto e sabem guardá-los. A Doutrina do Cristo está estereotipada na Doutrina pregada pelo Espiritismo. É essencial e fundamentalmente humana, porque prepara cada indivíduo e cada coletividade para cultivar a felicidade na Terra e no Espaço, por meio da exemplificação do bem; da paz, do amor, da justiça e da fraternidade.

            Enquanto o homem se utilizar da violência e da mentira, não será feliz. O atual desregramento de costumes, dentro e fora dos lares, a perversão de hábitos, o descaso à autoridade e à hierarquia, a idolatria do sexo, o cinismo, o despudor, o crime multiforme e a impunidade que os acoberta, a decadência moral da dança, do canto, do cinema, do teatro, da literatura e de outras mais atividades outrora colaboradoras da cultura universal do homem, são reflexos impressionantes da verdade profética que anunciou a imprescindibilidade do saneamento espiritual da Terra, já em ação, como preparação fatal e irrecorrível do selecionamento do Segundo Milênio para o Terceiro Milênio.

            Ou a Humanidade realiza um esforço para melhorar daqui por diante, renunciando à violência, ao egocentrismo, muito pior do que o egoísmo, à mentira, buscando proteger-se à sombra do Evangelho do Cristo, ou mergulhará no desespero sem remédio e no sofrimento sem lenitivo, até que satisfaça as exigências cármicas.

            "Infelizmente, a maioria, desconhecendo a voz de Deus, persistirá na sua cegueira e a resistência que virá a opor marcará, por meio de terríveis lutas, o fim do reinado dos que a constituem. Desvairados, correrão à sua própria perda, provocarão destruições que darão origem a um sem número de flagelos e de calamidades, de sorte que, sem o quererem, apressarão o advento da era de renovação" (3).

            Concluindo, e para orientar o leitor, lembraremos que tudo quanto de Kardec aqui transcrevemos foi escrito muito antes da guerra de 1870, entre a França e a Alemanha, a qual constituiu, ao que tudo indica, o início da grande seleção cármica destinada, repetimos, à preparação de uma Humanidade melhor para o Terceiro Milênio. Kardec desencarnou a 31 de Março de 1869, de modo que suas palavras possuem uma significação extraordinária.

(1) "Obras Póstumas" - Ed. 1957, pág. 290.
(2) Ob. cit., id., id., pág. 291.
(3) Ob. cit., id., id., pág. 293.


O Pensamento de Hermínio Miranda




              "...entendo que o Espiritismo é uma doutrina amadurecida e superior e somente poderá medrar naqueles que já tenham iniciado seu processo de maturação espiritual. É claro que a mediunidade esclarecida é importantíssima para o movimento, porque um dos princípios fundamentais do Espírito - a comunicabilidade entre "vivos" e "mortos", que possibilita a verificação da sobrevivência se processa e se observa através da mediunidade.

            A responsabilidade dos médiuns é imensa, muito maior do que, infelizmente, tantos deles admitem. A história das religiões, a própria História Universal, seria outra se os médiuns do passado tivessem observado melhor suas responsabilidades e suas limitações. Entretanto, não há mediunidade, por mais perfeita, que consiga fazer germinar no coração imaturo a semente da espiritualidade. Por isso já dizia o Mestre que muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos. "                                                                           Reformador (FEB) Maio 1963

O Pensamento de Hermínio Miranda


       Do Respeito devido aos Mortos           

            "O Senhor..., num pequeno comentário, adverte sobre a necessidade de tomar bastante cuidado na interpretação das mensagens mediúnicas. A citação do topo do seu artigo é sugestiva e legítima: "Nenhuma autoridade decorre dos "mortos", pelo simples fato de o serem."

            O conselho é sempre oportuno, para evitar que as mensagens que nos vêm ao conhecimento sejam tomadas pelo seu valor nominal, sem exame crítico. Tal como na vida diária, não aceitamos tudo quanto lemos ou que nos dizem, sem o prévio exame de fatos e argumentos."                                                       Reformador (FEB) Maio 1963

terça-feira, 25 de março de 2014

Ainda o corpo fluídico de Jesus


Ainda o corpo
fluídico de Jesus

Luciano dos Anjos
Reformador (FEB) Maio 1962

            Depois do progresso alcançado pelo Espiritismo científico e - mais do que isso - publicadas as obras mais recentes de André Luiz, não seria curial que ainda houvesse os que porfiam na hipótese carnal do corpo de Jesus. E nestas colunas já não nos preocuparemos em repetir os arrazoados daqueles que, mais autorizados do que nós, fulminaram esse absurdo cristológico. Todos os argumentos bíblicos foram já seguramente alinhados, revelando a consistência da doutrina oferecida a Roustaing. O próprio Redentor cuidou de proclamar-se várias vezes de natureza extra-humana e os Evangelhos estão refertos de revelações nesse sentido. Por outro lado, o aprimoramento da cultura científica, precipuamente no campo do psiquismo experimental, terá por certo rematado a questão, à qual não tem faltado, para melhor dissecá-la, a profundidade das lições que modernamente nos veem do Além. "Evolução em Dois Mundos", por exemplo, é mensagem em que sobejam as melhores noções sobre a natureza do psicossoma e seus extraordinários recursos. Bastaria esse trabalho, talvez, para explicar que nada estranho ou muito menos impossível houvera na constituição do corpo de que se serviu o Mestre. Assim, não buscaremos repetir esses aspectos da questão, por demais e muito inteligentemente já aproveitados por confrades de maior gabarito. Aos que se não convenceram ainda, gostaríamos tão só de conduzi-los a uma nova análise, qual seja, pura e simplesmente, a do bom-senso. Os dados do bom-senso são o ponto, de partida e o fundamento toda a ciência. "As teorias, em manifesta contradição com o bom-senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos já adquiridos, devem ser rejeitadas" - afirmou Allan Kardec, no seu "Evangelho segundo o Espiritismo". Trata-se da aplicação perfeita da razão para julgar ou raciocinar em cada caso particular da vida. O bom-senso, pois, deve significar o quer ponto de vista majoritário duma classe de alto nível filosófico, que julga e raciocina. Quando um círculo inteligente e culto comunga com honestidade num mesmo princípio, é de esperar neste resida, até prova em contrário, alguma grande verdade, ainda que incompleta, parcial ou relativa. Dizemos "inteligente" e "culto" porquanto reconhecemos que as maiorias por si só nunca foram critério de verdade alguma. Mas, quando as melhores expressões do Espiritismo (do bom e sadio Espiritismo) pugnam por certo preceito, diz-nos o bom-senso que é hora de enfileirarmo-nos a seu lado. No que respeita ao corpo fluídico de Jesus já temos a honestá-lo a boa lógica e o consenso dos homens de escol da Doutrina. Não nos parece sensato que, em se tratando de hipótese falsa, a personalidade perispiritual de Jesus pudesse arregimentar em sua defesa e propagação tantos e tão festejados do  lidadores da seara espírita, encarnados e desencarnados , Vejamos, num relance, quantos poderíamos referir em face de obras ou mensagens  conhecidas.

            Convém lembrar inicialmente que o próprio Codificador não via contra senso na revelação rusteniana, apenas transferindo ao futuro a sua comprovação. Leymarie, seu amigo e sucessor na direção da "Revue Spirite", confessa que Kardec só não foi definitivo na aceitação da ideia do corpo fluídico porque os fenômenos de materialização ainda não tinham, àquela época,  recebido o beneplácido da ciência especializada. Para Kardec, o termo fluídico ainda encerrava um sentido estritamente etimológico, significando uma sombra, um gás, um fantasma. Hoje, porém, entendemos a formação de um corpo fluídico como passível de afetar todas da matéria humana, inclusive a tangibilidade absoluta.

            Entre os médiuns,  registemos por exemplo o nome de  Zilda Gama. Longe de ser considerada uma mensagem médium qualquer, Zilda Gama foi quem psicografou as imortais obras de Vítor Hugo, como "Dor Suprema", "Do Calvário ao Infinito", "Na Sombra e na Luz", "Redenção" e "Almas Crucificadas". Pois bem; no seu "Diário dos Invisíveis", edição de 1929, págs. 241/263, lê-se uma mensagem do próprio Allan Kardecl datada de 17-VII-1913, intitulada "O Corpo de Jesus", e da qual extraímos os seguintes trechos:

            "Jesus, quando baixou à Terra, não, era mais ser materializado, sujeito às enfermidades, às contingências fisiológicas." "Seu nascimento, sua existência, sua "morte", não se assemelham aos de todos os homens." "Ainda vos direi relativamente ao corpo de Jesus: não era o envoltório de seu períspirito igual ao do homem planetário, mas ao do sideral." "Possuis, pois, um organismo quintessenciado e apuradíssimo." "Era esse organismo, aparentemente, igual ao de qualquer criatura encarnada, parecendo constituído de músculos e ossos, mas de fato não o era, pois os elementos de que se compunha estavam de tal sorte sujeitos ao influxo espiritual de Jesus que seriam dissolvidos no instante em que ele o quisesse”

            América Delgado, outra médium notável, psicografou em 1932, em Belém do Pará, o conhecido livro de autoria de Guerra Junqueiro, "Funerais da Santa Sé", cuja pág. 69, da 3." edição, inclui o poema "O Corpo de Jesus". A certa altura, lê-se: "Jesus não foi jamais involucrado em lama!" Este, o verso principal; todo o, poema, encerra belíssima e lírica explicação rimada do corpo fluídico de Jesus.

            Na atualidade não é possível deixar de reconhecer no bom e humilde Chico Xavier  o mais alto padrão de mediunidade psicográfica do mundo contemporâneo.
Pois é de obra sua, ditada pelo Espírito Humberto de Campos e intitulada “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", que vamos retirar da pág. 137, 6ª edição, 1957, estas linhas.

            "Segundo os planos de trabalho do mundo invisível, o grande missionário (Kardec), no seu maravilhoso esforço de síntese, contaria com a cooperação de uma plêiade de auxiliares da sua obra, designados particularmente para coadjuvá-lo, nas individualidades de João Batista Roustaing) que organizaria o trabalho da fé; de Léon Denis, que efetuaria o desdobramento filosófico; de Gabriel Delanne, que apresentaria a estrada científica, e de Camilo Flammarion, que abriria a cortina dos mundos" ...

            Ainda de Chico Xavier temos a obra "O Consolador", ditada por Emmanuel, em cuja edição de 1959, à pág. 158, acha-se a pergunta 28ª, respondida da seguinte maneira:

            "Antes de tudo, precisamos compreender que Jesus não foi um filósofo e nem poderá ser classificado entre os valores propriamente humanos tendo-se em conta os valores divinos de sua hierarquia espiritual, na direção das coletividades terrícolas."

            Mais adiante, nesse mesmo trabalho, perguntado sobre o sacrifício de Jesus, que não teria sido completo sem o máximo de dor material, tal como exigem os pregadores do corpo de carne do Mestre, assim responde Emmanuel:

            "A dor material é um fenômeno como o dos fogos de artifício, em face dos legítimos valores espirituais. ( ... ) Imaginai, pois, o Cristo, que se sacrificou pela Humanidade inteira e chegareis a contemplá-Lo na imensidade da sua dor espiritual,  augusta e indefinível, para a nossa apreciação restrita e singela. ( ... ) Examinados esses fatores, a dor material teria significação especial para que a obra cristã ficasse consagrada? A dor espiritual) grande demais para ser compreendida, não constituiu o ponto essencial da sua perfeita renúncia pelos homens?

            Finalmente, a págs. 154/155, explicando a diferenciação entre "Anjo" e "Espírito Eleito", afirma Emmanuel, confirmando com a sua autoridade ensinamento já contido n'''Os Quatro Evangelhos" de Roustaing, no que tange à ascensão dos seres que nunca encarnaram:

            " ... O Eleito, porém, é aquele que se elevou para Deus em linha reta, sem as quedas que nos são comuns, sendo justo afirmar que o orbe terrestre só viu um eleito, que é Jesus-Cristo."

            Mas, de Emmanuel, já que citamos seu nome, há mais. Prefaciando a obra de Antônio Lima, intitulada "Vida de Jesus", escreve a certa altura: "Os homens devem saber que o Missionário Divino não viveu a mesma lama de suas existências de inquietações e de amarguras" (página 9, edição 1951). Quanto ao trabalho de Antônio Lima, por sinal em estilo literário maravilhoso, vamos encontrar nele vários capítulos em que advoga o corpo fluídico de Jesus, com argumentação robusta e abundante.

            Pelo médium Frederico Pereira da Silva Júnior tivemos a monumental obra "Jesus Perante a Cristandade", ditada pelo glorioso Francisco Leite Bittencourt Sampaio'; Toda ela resume um florilégio de ensinamentos profundos sobre os Evangelhos, em meio aos quais avulta a propugnação do corpo extra-humano do Mestre:

            "Jesus tomou um corpo celeste"(pág. 23);

            "Jesus tomando um corpo aparentemente material (pág. 29);

            "o tênue véu de carne aparente que envolveu o Divino Mestre" (pág. 33);

            " ... nos livros de Allan Kardec, na revelação dado a Roustaing... encontram os bem intencionados grande fonte, onde podem beber, à farta, os ensinamentos do Nosso Divino Mestre"... (págs. 175/176);

            " ... 0 que em abundância prova que o corpo, que o revestia, era de natureza
fluídíca" (pág. 206);

            " ...restabelecendo as suas condições que sempre foram puramente fluídicas" (pág. 254);

            "Retomando o seu corpo fluídico" (pág. 259); etc.

            A edição consultada é de 1932. À guisa de apresentação desta obra, encontramos algumas palavras subscritas por Adolfo Bezerra de Menezes, Antônio Luís Sayão, Luís Antônio dos Santos, Pedro Richard, José Antônio de Matos Cid, Tiago Beviláqua, José Dias de Carvalho Neto, João Augusto Ramos da Silveira, José Luís de Almeida, José Augusto Ramos da Silveira, Cândido José de Abrantes e Pedro Luís de Oliveira Sayão. Notem bem o nome que encabeça a relação: Bezerra de Menezes. E, dentre outras afirmativas, encontramos à pág. 273 dessa espécie de posfácio:

            "Nada podemos acrescentar a este livro, cuja contextura intelectual e moral é de resistir à ação dos séculos; podemos, porém, dar testemunho de que ele foi ditado mediunicamente pelo Espírito que, na vida do tempo, foi o notável poeta cristão, Dr. Francisco Leite Bittencourt Sampaio - e o nosso testemunho é verdadeiro." E, mais adiante, à pág. 275: "Nessa importantíssima peça, o alto Espírito que a ditou faz sentir, com veemência, a necessidade de cerrarem fileiras os que desejam ser verdadeiros discípulos de Jesus, no intuito de restabelecer-se e firmar-se, em espírito e verdade, a puríssima doutrina do Evangelho.”

            Ainda de Bittencourt Sampaio, temos o imortal poema "A Divina Epopeia", escrito enquanto o autor ainda era encarnado, e onde se divulga com entusiasmo a doutrina de Roustaing.

            Em "Do País da Luz", obra mediúnica que celebrizou Fernando de Lacerda, encontramos uma comunicação de Napoleão Bonaparte em que também se mostra a diferença entre Espíritos eleitos e Espíritos escolhidos, a exemplo da distinção que Roustaing de certa forma faz entre "Eleitos" e "Anjos". E, arrematando o ensinamento, consta: “O eleito foi Jesus. Aquele era o dileto filho d'Ele, o Agnus Dei, o Justo Divino; eleito para regenerar o homem pela bondade, pela unção, pela palavra."

            O Reverendo' G. Vale Owen, grande militante do Espiritismo, em seu livro "A Vida Além do Véu", prefaciado pelo erudito confrade inglês A. Conan Doyle, afirma à pág. 198, dissertando sobre a prece: "Muito acima de nós, está a esfera do Cristo, de gloriosa intensidade de luz e imponente beleza. A nossa prece vai ao Pai por intermédio d'Aquele que veio à Terra e se manifestou aos homens com o nome de Cristo."

            Quanto ao chamado "Allan Kardec Brasileiro” - Adolfo Bezerra de Menezes -, temos pronunciamento ainda mais categórico, extraído da "Gazeta de Notícias" de 22 de Abril de 1902: "Roustaing, o mais moderno missionário da lei, que em muitos pontos vai além de Allan Kardec, porque é inspirado como este, mas teve por missão dizer o que este não podia, em razão do atraso da Humanidade." "Roustaing confirma o que ensina Allan Kardec, porém adianta mais que este." "É, pois, um livro precioso e sagrado o de Roustaing." "Quem compreende a progressividade da revelação não pode recusar preito a Roustaing."

            De Antônio Luís Saião, espírito pioneiro da Doutrina no Brasil e batalhador dos tempos mais difíceis, temos a publicação da obra "Elucidações Evangélicas", que dispensa quaisquer transcrições porque foi escrita especialmente para reproduzir, em linguagem mais concisa e com melhor objetividade, o trabalho em quatro volumes de J. B. Roustaing. Convém apenas salientar que ganhou o aplauso de muitos espíritas de nomeada, dentro os quais, por exemplo, Pedro Richard, que assim se expressava no primeiro número do "Reformador" dado à luz após a desencarnação do autor de "Elucidações Evangélicas", em 1904: "Estudos Evangélicos (na reedição apareceu com o nome de Elucidações), livro que tantos e tão relevantes serviços tem prestado aos que se entregam ao estudo da Doutrina Espírita .” E Bezerra de Menezes, por seu turno, dizia na "Gazeta de Notícias": "Quem quiser colher, em Roustaing, os frutos preciosos de sua inspiração, muito lucrará estudando o livro (os livros) de Sayão, É chave de ouro, que ninguém deve desprezar."

            Em "Síntese de O Novo Testamento", de Mínimus (pseudônimo de A. Wantuil de Freitas, atual presidente da Federação Espírita Brasileira), deparamos com as seguintes notas de rodapé, na 1ª edição, 1947:

            "Jesus, como o Anjo que guiou Tobias, era um agênere; fazia e desfazia o seu corpo quando queria" (pág. 77); "Esse aparente despautério (Jesus ignorando sua mãe e seus irmãos) está explicado satisfatoriamente na obra "Revelação da Revelação", II vol., n.º 163": "Jesus afirmou, portanto, que era ele tal qual o era antes da crucificação, com o mesmo corpo. Admitir, pois, o contrário, seria atribuir-lhe uma falsidade. "

            São de "O Livro de Tobias", edição da FEB, os seguintes trechos: "A revelação desse mistério nos foi dada pelos Espíritos superiores através da sublime medi unidade de Mme. Collignon, e publicada por João Batista Roustaing, nos quatro alentados volumes que formam a mais grandiosa obra mediúnica até hoje publicada sobre a Missão de Jesus." "Quem lança a dúvida sobre o valor de uma grande obra mediúnica, como as de Kardec ou Roustaing, já aceitas como fundamentais por muitas sociedades espíritas e pelos nossos maiores pioneiros, está trabalhando para secar aquela fonte de vida, para destruir o movimento e o Espiritismo mesmo, por melhores que sejam as suas intenções e convicções." "Todas as campanhas do orgulho e da vaidade passam, mas jamais desaparecerão os ensinos dos grandes Missionários, como são, de fato, Allan Kardec e Roustaing." (1944, páginas 68/71/73.)

            Relacionemos rapidamente, ainda, alguns outros trabalhos notáveis a respeito do importante tema, todos eles contendo aspectos de esclarecimentos e uma pletora de documentação em favor do corpo extraterreno do Salvador: "Elos Doutrinários", do erudito mestre Ismael Gomes Braga; "O Cristo de Deus", do saudoso Manuel Quintão; "A Personalidade de Jesus", produzido pelo talento invulgar de Leopoldo Cirne; "Jesus, nem Deus nem Homem", de autoria do gigante do Espiritismo no Brasil, o engenheiro Luís Olimpio Guillon Ribeiro, por sinal o tradutor das últimas edições de "Os Quatro Evangelhos". Não transcrevemos trechos desses trabalhos, porquanto foram feitos com igual objetivo que o nosso. Aconselhamos assim a leitura, integral deles, visto não tratarem doutro assunto senão esse mesmo. Embora sem obras editadas, registemos ainda os nomes de Aristides Spínola, Geminiano Brasil, Raimundo Ewerton Quadros, primeiro presidente da Federação Brasileira e primeiro tradutor de "Os Quatro Evangelhos", de Roustaing, além de muitos outros, naturalmente, que a memória não nos suscita.

            São todos homens de grande envergadura moral e intelectual, que desde muitos anos vêm referendando e propagando com entusiasmo a doutrina da personalidade fluídica de Jesus. Ora, diante de tão seleta e requintada plêiade de estudiosos sinceros da Doutrina Espírita, todos defensores árduos dessa tese mais lógica e mais plausível, seria pois contrariar o mais superficial bom-senso se nos obstinássemos ainda em falar na carne do corpo do Mestre. Por isso - inclusive - um dia despertamos e mudamos também de pensar. Aos que ainda vacilam, deixamos aqui uma nova ponderação amiga: já não tanto pelas provas científicas nem pela argumentação que esborda dos próprios Evangelhos; ao menos tendo em conta que tantos e tão conceituados espiritistas não poderiam durante tanto tempo estar sendo enganados; ao menos meditando em que Ismael, o Guia Espiritual do Brasil, não permitiria que se difundisse assim uma mentira dessa natureza; ao menos reconhecendo que a Federação Espírita Brasileira, órgão de cúpula do Espiritismo no Brasil, quiçá no mundo, não insistiria na propaganda de uma ilusão; ao menos em nome do menor bom-senso, comecem, os que ainda relutam, a meditar seriamente na questão e nos testemunhos graves que acima registamos. E venham afinal cerrar fileiras com os que querem o Governador Espiritual do Planeta isento, pela sua natural grandeza, da conspurcação que a matéria empresta ao Espírito falido.

4. 'O Pensamento de Hermínio Miranda'



       É muito comum, entre aqueles que não estudaram direito nossa Doutrina, a crença de que Cristianismo e Espiritismo não podem sequer coexistir, quando a realidade é muito outra: a doutrina dos Espíritos trouxe um novo sopro de renovação à pregação do Mestre Supremo, a qual, após decorridos dois mil anos, ficou praticamente soterrada sob toneladas de interpretações e comentários de origem humana.


Reformador (FEB) Novembro 1961

3. O Pensamento de Hermínio Miranda


      "Saber que a morte não existe não é um mero consolo; é, de fato, uma diretriz para a vida, e atingir o conhecimento das leis espirituais - mesmo neste jardim da infância da vida terrena - é receber um tesouro permanente, se compreendermos sempre que o uso que fazemos desse conhecimento é que o torna valioso." 


                                    Reformador (FEB) Novembro 1961

2. O Pensamento de Hermínio Miranda



        "A compreensão das leis espirituais que nos governam, e ao mundo que nos cerca, nos leva a "respeitar o espírito que há em cada pessoa - gostemos ou não delas. Com isso, conseguimos viver melhor com o nosso semelhante, de maneira muito mais satisfatória que numa fraternidade insincera". Estamos aquipara levar uma vida plena e útil, não para deixar o tempo passar, suspirando por viver numa outra dimensão." 



Reformador (FEB) Novembro 1961

1. O Pensamento de Hermíno Miranda


"O sofrimento abre a porta à verdade."


Reformador (FEB) Novembro 1961

Cairbar Schutel


Preito de Saudade
Lino Teles (Ismael Gomes Braga)
Reformador (FEB) Janeiro 1946


            Este mês recordamos o oitavo aniversário da desencarnação do querido irmão de lutas Cairbar Schutel, um dos mais fervorosos pioneiros do Espiritismo no Brasil, um missionário que realizou obra muito acima do que podem fazer os homens comuns do planeta. Pobre, sem instrução superior, sem auxílio humano, numa pequena localidade do interior, Cairbar Schutel realizou a transformação de si mesmo e do seu meio. Sem instrução, transformou-se pelo estudo em mestre dos outros, em autor fecundo e inesquecível. Pobre, estabeleceu o jornal espirita mais difundido do país com oficinas próprias, fundou e perpetuou uma bela revista, publicou uma série de catorze volumes doutrinários, alguns dos quais já alcançaram várias edições ou foram traduzidos em outras línguas. Todos esses continuam produzindo o fruto bendito de esclarecer as consciências.

            Cairbar Schutel possuía aquela fé que transporta montanhas, filiada a uma humildade que pode transformar o mais simples dos homens em sábio e santo. Com ele correspondíamos quase diariamente durante os seus últimos vinte anos de vida terrena, e recebíamos de suas virtudes os mais edificantes exemplos.

            Nada mais houvesse realizado esse pioneiro, além de montar uma oficina e distribuir pelo Brasil semanalmente um jornal espírita com a lista completa dos livros doutrinários, e isso durante quarenta e um anos, e já lhe deveríamos muitíssimo do que hoje é o Espiritismo no Brasil. Dez mil exemplares de O Clarim recordam sem cessar a necessidade de estudarmos e termos uma biblioteca espirita.

            Achando, porém, que O Clarim só interessava à gente simples e que temos deveres também para com os outros irmãos, Cairbar teve a ideia de fundar uma revista luxuosa, em excelente papel, ilustrada e tratando principalmente do aspecto científico do Espiritismo. Achávamos uma temeridade tal iniciativa e a desaconselhamos, mas fomos vencidos pelo otimismo do apóstolo. Escrevia-nos ele por esse tempo: "Dará muito prejuízo, sim, mas isso não importa, os Caros Espíritos me aconselharam a fazer e disseram que V. também ajudará. Mãos à obra, pois, e havemos de vencer!" A Revista quase não tinha assinantes, era distribuída gratuitamente, mas de vez em quando um leitor apontava um erro nosso, e isso era motivo de grande júbilo para o editor. Remetia-me a crítica e uma carta, entusiasmado: "Como, vês, a Revista está sendo lida!"

            Quando chegou a ter quase um milheiro de assinantes, escreveu-me com grande alegria: "A Revista já tem quase mil assinantes. Aproxima-se o tempo em que ela terá vida própria!"

            Hoje a Revista tem vinte e um anos feitos, mas não sei nem quero saber se já tem vida própria. Sei é que Reformador aos 64 anos ainda depende muito da bolsa materna para poder viver. Se eu perguntasse aos continuadores da obra de Cairbar Schutel, talvez, por uma piedosa fraude, me dissessem que a Revista já não lhes dá prejuízo quase nenhum. A verdade muito consoladora é que ela continua aparecendo com toda a regularidade ao entrar em seu 22º ano, e isso prova que a obra de Cairbar Schutel encontrou continuadores dignos de seu nome.

            Vamos recordar aqui aos leitores de Reformador os títulos dos livros que continuam cumprindo a missão apostólica de Cairbar Schutel. Foram todos editados e vão sendo reimpressos na Editora de O Clarim. Eis os títulos:

Interpretação Sintética do Apocalipse, 6.ª edição.
Parábolas e Ensinos de Jesus, 5ª edição.
O Diabo e a Igreja,  4ª edição.
Médiuns e Mediunidades, 4ª edição.
Cartas a Esmo, 3ª edição.
Espiritismo e Protestantismo, 3ª edição.
O Espírito do Cristianismo, 3ª edição.
Vida e Atos dos Apóstolos, 3ª edição.
Gênesis da Alma, 3ª edição.
Conferências Neo Espiritualistas Radiofônicas.
Os Fatos Espíritas e as Forças X
Espiritismo e Materialismo.
A Vida no Outro Mundo.
Histeria e Fenômenos Psíquicos.

            De algumas obras não sabemos quantas edições já foram tiradas. Por um dos livros, vê-se que Cairbar Schutel foi pioneiro da propaganda espírita pelo rádio, pois que em 1936/37 irradiou pela "Rádio-Cultura de Araraquara PRD 4 uma série de palestras que mais tarde publicou num volume de 206 páginas que poderá servir de modelo aos novos propagandistas.

            Que saibamos, ninguém mais publicou em forma de livro suas palavras radiofônicas e mesmo o autor destas linhas poderia tê-lo feito, deveria ter reunido suas palavras radiofônicas em volume para ajudar o trabalho dos novos.

            Destas poucas linhas, vê-se que o saudoso Cairbar Schutel foi um dos mais, senão o mais dinâmico trabalhador da Seara e precursor da obra do livro espírita no Brasil.


            Com servidores tão dedicados no plano espiritual, a nos guiar, nada devemos temer nos empreendimentos a favor da doutrina. Tudo será vencido galhardamente por eles.