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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A Reencarnação no Brasil



A Reencarnação no Brasil

                         Ismael Gomes Braga
Reformador (FEB) Junho 1961

            Há no Brasil diversas escolas espiritualistas que ensinam a doutrina reencarnacionista e a propagam. São rosacrucianos, teosofistas, ocultistas de diversos matizes; todos nesse ponto se acham de acordo com os espiritistas, embora em outros pormenores possam divergir do Espiritismo.

            O que não poderíamos conceber, porém, é que houvesse igualmente católicos que preguem com entusiasmo a reencarnação, da qual estão perfeitamente convencidos. É inconcebível essa conciliação, porque a Doutrina Católica nega a reencarnação e ensina o dogma das penas e prêmios eternos depois da morte.

            Tivemos, no entanto, o ensejo de ouvir, na Associação Brasileira de Imprensa, uma longa conferência de uma dama da melhor sociedade carioca, que nos afirmou repetidamente que é católica, mas tem certeza da reencarnação, considerando-a perfeitamente demonstrada.

            Enumerou muitos fatos que realmente são incompreensíveis sem a reencarnação.

            Parece-nos evidente que essa ilustre senhora, ao ensinar a doutrina reencarnacionista, já não é católica, está enganada ao supor-se e dizer-se católica. Já é uma ex-católica; porque lhe seria logicamente impossível crer ao mesmo tempo em duas coisas que se contradizem reciprocamente, que são diametralmente opostas uma à outra: penas eternas e salvação universal.

            Ela já deixou a Igreja, embora continue a tomar parte no culto, a frequentar o templo, a receber sacramentos, a contribuir moral e economicamente para a manutenção de uma Igreja na qual ela não pode mais crer, porque já ousa pensar por sua própria conta, o que é proibido ao católico.

            Outros “católicos” há em situação ainda pior do que essa dama: são os “católicos” materialistas: pessoas que se dizem católicas, mas não creem na sobrevivência da alma ou disso não cogitam.

            Que força apavorante exercem as tradições! Como é forte a nossa inércia mental! Tais pessoas seguem uma tradição supersticiosa velha, já inoperante para elas.

            Felizmente temos uma Providência que cuida sabiamente de nós e nos salva de nossa própria inércia. Chega o dia em que somos despertados pela dor e começamos a série interminável de interrogações tormentosas: porque gozamos e porque sofremos? afinal, que somos? porque somos tão diferentes uns dos outros? porque nosso fado diverge tanto? porque uns vivem pouco e outros longamente? porque há homens que nascem para uma vida de martírio longo, anormais, enfermos, pobres, enquanto outros nascem belos, perfeitos, felizes e morrem em plena juventude? porque os homens são tão diferentes dos outros animais?

            As mínimas coisas da Natureza ocorrem dentro de determinadas leis: a gota d'água que cai da nuvem e pela evaporação volta a ser nuvem, está obedecendo a leis naturais, como o satélite girando em torno de um planeta e o planeta descrevendo seus círculos em volta do Sol. A semente que já foi flor e virá a ser árvore, o pássaro que constrói seu ninho e cuida de sua prole, estão obedecendo a leis naturais que regulam a vida; mas essas leis são complexas: o pássaro se alimenta de sementes e de insetos, interrompendo a vida de outros seres menores do que ele e por seu turno ele serve de alimento a outros animais que lhe são maiores. A vida física se nutre de vida, sempre exercitando qualidades e adquirindo faculdades que não são físicas, são espirituais: inteligência, energia, vontade, etc.

            Se tudo ocorre de acordo com leis sábias da Natureza; se o mínimo ossinho de nosso corpo ou do corpo de um batráquio tem uma função “legal” que lhe foi preestabelecida, é evidente que tudo no Universo obedece ao planejamento de uma Inteligência superior que em tudo se manifesta; logo, também o homem existe, vive e progride executando um planejamento inteligente. E ele goza e sofre seus próprios pensamentos: há pensamentos que lhe despertam sensações agradáveis, eufóricas, e outros que lhe causam sensação de angústia.

            Quanto ao corpo, o homem é uma série complexa de máquinas ou aparelhos sabiamente conjugados uns com os outros em seu funcionamento para manifestar a vida, e esses aparelhos ou máquinas são iguais, ou quase iguais, em todos os homens, demonstrando, porém, evolução através dos tempos, tornando-se sempre mais perfeitos e delicados. Se quanto ao corpo os homens são iguais uns aos outros, coisa completamente diversa ocorre quanto à inteligência e ao sentimento: enquanto uns chegam à culminância do saber e da virtude, outros permanecem analfabetos e insensíveis, e entre esses dois extremos há uma vasta escala de graus de inteligência e virtude.

            Então o homem não é só corpo, é uma inteligência evolutiva que se manifesta pelo corpo e esta inteligência nos demonstra os mais variados graus de progresso moral e intelectual, revela-se um Espírito no caminho evolutivo. Temos, por força dos fatos, que aceitar a velha doutrina reencarnacionista, como já fez a dama “católica” a quem nos referimos no início desta desalinhavada palestra; mas para isso será preciso abandonar velhos erros doutrinários, como é a monstruosa doutrina das penas eternas, que é negação muito grosseira da inteligência e do poder do Criador. A perdição eterna das pobres criaturas de Deus seria um erro de planejamento na Criação.


            Os porquês angustiantes das criaturas humanas as conduzirão à doutrina reencarnacionista de salvação universal, e o Brasil está tomando dianteira nessa pista de corrida evolutiva, graças à vasta divulgação do Espiritismo kardequiano nas terras de Santa Cruz.

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