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sábado, 30 de novembro de 2013

Doutrina-Escola


Doutrina-Escola
Emmanuel
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Maio 1964

            O termo "religião", no conceito popular, exprime "culto prestado à Divindade". A palavra "culto" significa adoração e veneração. Cabe, entretanto, esclarecer que o Espiritismo, desenvolvendo os ensinamentos do Cristianismo, é a religião natural e dinâmica da consciência, interessando sentimento e raciocínio, alma e vida, autêntica doutrina-escola, destinada à construção do Mundo Melhor, com bases na renovação e no aperfeiçoamento do espírito.

            Por mostra do asserto, analisemos algumas conjugações de textos do "Evangelho de Jesus" e de "O Livro dos Espíritos", primeiro tomo da Codificação Kardequiana:

1 - Em "Novo Testamento" - Mateus, 12: 50.
Em "O Livro dos Espíritos" - Questão 803.
Tema: Humanidade.
Plano de estudos - Considerações em torno da igualdade de todas as criaturas, perante o Criador.

2 - Em "Novo Testamento" - Marcos, 9:35.
Em "O Livro dos Espíritos" - Questão 683.
Tema: Serviço.
Plano de estudos - Obrigação do trabalho individual para o bem de todos, conforme as possibilidades de cada um.

3 - Em "Novo Testamento" - Lucas, 20:25.
Em "O Livro dos Espíritos" - Questão 794.
Tema: Legalidade.
Plano de estudos - Acatamento às leis estabelecidas na Terra, segundo os ditames da
evolução.

4 - Em "Novo Testamento" - João, 3:3.
Em "O Livro dos Espíritos" - Questão 171.
Tema: Reencarnação.
Plano de estudos - As vidas sucessivas, definindo oportunidades de progresso e elevação para todos os seres, diante da Justiça Divina.

5 - Em "Novo Testamento" - Atos, 2:44.
Em "O Livro dos Espíritos" - Questão 930.
Tema: Solidariedade.
Plano de estudos - Imperativo do amparo recíproco na vida social.

6 - Em "Novo Testamento" - Lucas, 12:15.
Em "O Livro dos Espíritos" - Questão 883.
Tema: Propriedade.
Plano de estudos - Legitimidade dos bens particulares, que devem ser usufruídos sem os abusos do egoísmo e da avareza.

7 - Em "Novo Testamento" - Lucas, 24:36.
Em "O Livro dos Espíritos" - Questão 525.
Tema: Comunicação dos Espíritos.
Plano de estudos - Intercâmbio constante entre os Espíritos encarnados e desencarnados.

8 - Em "Novo Testamento" - João, 15:12.
Em "O Livro dos Espíritos" - Questão 886.
Tema: Caridade.
Plano de estudos - Impositivo da fraternidade, em todos os campos da inteligência.

Fácil verificar que o culto espírita não inclui qualquer nota de expectativa inoperante nos preceitos em que se define. Colocando-nos, pois, à frente da Religião do Amor e da Sabedoria, chamada a inscrever as leis divinas no âmago de nós mesmos, assimilemos as lições do Evangelho e da Codificação Kardequiana, para que se nos clareie o caminho e se nos consolide  a responsabilidade de viver e de agir na edificação de nossos próprios destinos.


            Para isso, saibamos refletir e servir, raciocinar e estudar.  

19. 'Máximas extraídas dos Ensinos dos Espíritos'




19. Máximas extraídas
dos Ensinos dos Espíritos.
           

            A fortuna é uma prova mais arriscada do que a miséria, porque é uma tentação para o abuso e os excessos e porque é mais difícil ser-se moderado do que resignado.       

            Allan Kardec
Pág. 51 e seguintes.
‘O Espiritismo na sua Expressão mais Simples’
1ª Ed FEB 2006

Tradução de Evandro Noleto Bezerra

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

XXIVa et b. 'Apreciando a Paulo'


XXIV a
‘Apreciando a Paulo’
      comentários em torno
    das Epístolas de S. Paulo
   por Ernani Cabral

Tipografia Kardec - 1958


“Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.
Não sejamos cobiçosos de vanglórias,
irritando-nos uns aos outros invejando-nos uns aos outros.      
Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa,
vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão;
olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.
Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.
Porque, se alguém cuida ser alguma coisa,
não sendo nada, engana-se a si mesmo.
Mas prove cada um a sua própria obra,
e terá glória só em si mesmo, e não noutro.
Porque cada qual levará sua própria carga.
E o que é instruído na palavra reparta
de todos os seus bens com aquele que o instrui.
Não erreis: Deus não se deixa escarnecer;
porque tudo o que o homem semear, isto também ceifará.
Porque o que semeia na sua carne ceifará a corrupção;
mas o que semeia no Espírito,
do Espírito ceifará a vida eterna.
E não nos cansemos de fazer bem,
porque a seu tempo ceifaremos,
se não houvermos desfalecido.
Então, enquanto temos tempo,
façamos bem a todos,
mas principalmente aos domésticos da fé.”
            (Paulo - Epístola aos Gálatas, 5:25 e 26 e 6:1 a 10)
           
            Ernesto Renan, que foi um grande estudioso das origens do Cristianismo, sobre cujo tema escreveu sete livros, um dos quais sob o título de “S. Paulo”, era um livre pensador, erudito e sincero. Teve expressões duras ou injustas a respeito do imortal cidadão de Tarso, mas não deixou de reconhecer que ele era “um espírito superior”, e “um excelente homem”. Renan chega a afirmar que as Epístolas de Paulo são a base da teologia cristã. Não vamos a tanto, porque, como o apóstolo das gentes mesmo proclamou em I Coríntios, 10:4: “a pedra é Cristo”. Realmente, funda-se no Divino Mestre a segunda revelação de Deus, assim como a primeira revelação se estriba no monoteísmo e nos dez mandamentos do povo hebreu, cujos profetas previram o advento do Messias da Redenção, que é Jesus de Nazaré.

            Mas Paulo legou à posteridade - e é isto exatamente o que impressiona - um manancial inesgotável de ensinamentos cristãos, vivos, profundos e sempre oportunos, cheios de encanto e de poesia, e que são talvez vigorosos e tradicionais como o Mar da Galileia, enquanto que o Cristo de Deus é como o próprio Oceano, de beleza e de majestade quase insondáveis, porque o Senhor Jesus transcende à nossa estreita visão espiritual e suas ideias se espraiam em todas as almas e em todos os continentes!

            Mas Paulo de Tarso como homem, como doutrinador e como cristão, foi inexcedível, porque compreendeu, sentiu e viveu as lições dos Evangelhos, legando-nos ainda uma série fecunda de ensinamentos, que se manifestam em epístolas admiráveis.

            “Se vivemos em espírito, diz ele aos Gálatas, andemos também em espírito.”

            Assim, se somos hoje espíritas-cristãos, tenhamos uma vida espiritual, cumprindo os mandamentos de Nosso Senhor. É justo que acreditemos e que não pratiquemos?

            É preciso darmos testemunho de nossa fé, através de nossas obras, porque, como Allan Kardec ensinou, de conformidade com as lições dos Espíritos superiores, “conhece-se o espírita pela sua transformação moral”.

            Devemos levar a sério as coisas de Deus, para nossa própria felicidade.

            E o apóstolo acrescenta:

            “Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.”

            Evitemos fazer política em nossos Centros ou em nossas reuniões. Nada de pretender posto de destaque para não sermos cobiçosos de vanglórias, pois Jesus também advertiu:

            “E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.” (Mateus, 23:12)

            Consequentemente, também em nossa vida de relação, ou seja, na sociedade, não nos angustiemos por vanglórias ou por postos de destaque. Tudo está sujeito à lei do carma e não adianta querermos forçar os acontecimentos.

            Os postos de mando em toda a parte, e notadamente nos Centros Espíritas, implicam em maior responsabilidade moral e devemos honrá-las sempre com o trabalho fecundo e desinteressado, mas não com o prazer do destaque, que é mera vaidade, expressão inferior do sentimento.

            Aquele que varre um Centro e que o frequenta com amor e com o desejo de servir à Causa, às vezes vale mais aos olhos de Deus do que certo membro da diretoria, que se supõe importante e merecedor do cargo que ocupa.

            Mas também não julguemos! E que ninguém tenha “o orgulho da humildade”, se assim podemos dizer, porque, infelizmente, há irmãos que se jactam de ser humildes e parece-nos que só isto já é prova de vaidade.

            Cumpre-nos esforçar em busca da humildade, certos de que em tal terreno ainda temos muito que evoluir... Contudo, há pessoas que já o são, naturalmente, por uma questão de evolução inata; mas estas mesmas estão sujeitas às tentações, próprias de nosso plano. Foi por isto que o Divino Mestre recomendou: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o Espírito está pronto mas a carne é fraca.” (Mateus, 26:41)

            Todavia, o problema em apreço, que é fundamental, a ninguém deve angustiar, convictos de que nossos propósitos sinceros de regeneração valem como o testemunho da fé.

            Paulo adverte os que irritam os outros, o que se verifica, seja através de brincadeiras de mau gosto ou com palavras fortes, isto é, com argumentos cheios de sinceridade ofensiva, e condena ainda a inveja, sentimento subalterno que precisa ser combatido em nós mesmos, sinceramente.

            Os que usam de franqueza rude, ofendem e revoltam em vez de corrigir, pois nem todos têm a humildade necessária para ouvir palavras contundentes, mesmo verdadeiras, sem perderem a calma. Dizem os psicólogos, que nada mais dói do que a verdade...Dai porque é aconselhável “o espírito de mansidão”, a que Paulo alude com acerto, nesta Epístola aos Gálatas, cuja autenticidade o próprio Renan confirma.

            Há pessoas sempre dispostas a pilheriar e muitas não medem a extensão das palavras, e a ironia às vezes fere profundamente, melindrando o irmão em seus sentimentos delicados, de vez que cada um tem lá seu grau de sensibilidade, que devemos respeitar, pois não nos é dado o prazer de faltar com a caridade.

            Também é comum observarem-se indivíduos que nos parecem inferiores, intelectual ou moralmente, ocupando posições de destaque ou possuindo bens materiais em grande abundância. É aí que surge a inveja.

            Mas nós, espíritas-cristãos, sabemos perfeitamente que “este mundo é de provas e de expiações”, como diz Kardec. É muito raro haver justiça na Terra. Mas assim é preciso, para aprendermos a ter humildade e resignação e também para pagarmos nossas culpas passadas sujeitos a certos vexames, já que o sofrimento purifica o Espírito.



XXIV b
‘Apreciando a Paulo’
      comentários em torno
    das Epístolas de S. Paulo
   por Ernani Cabral

Tipografia Kardec - 1958

            Entretanto, muitos não concordam com o fato de uma pessoa cheia de imperfeições possuir uma posição social invejável. Mas, em primeiro lugar, não devemos julgar o semelhante, como Jesus mesmo recomendou. Às vezes, ele é melhor do que nós, apesar das aparências. Quem sabe se, com sua fortuna ou com sua posição social ou política, não seríamos piores?

            Ademais, se há reencarnações, conforme acreditamos, é preciso que a riqueza e que os postos de destaque mudem de mão, a fim de que em vidas sucessivas, tenhamos todas as experiências, tanto a do fausto como a da pobreza. E quando formos pobres, não devemos invejar os ricos nem os poderosos, porque isto não é atitude de cristão, mas inferioridade de espírito, que necessita ser corrigida. A inveja é uma desgraça, porque tira a paz do Espírito, gera a revolta intima contra a justiça de Deus. É sentimento que precisa combatido com todas as forças de nosso coração e de nosso entendimento, já que o invejoso é um infeliz, digno de  lástima.

            Quando alguém errar, mesmo que seja surpreendido em alguma ofensa, diz Paulo, encaminhai-o com mansidão. É cristão termos tolerância ou compreensão para com as faltas alheias e piedade até para com os criminosos.

            Nada de explosões temperamentais. Precisamos ter controle de palavras e atos, e alta dose de magnanimidade.

            Quem erra e reconhece que errou, já está em caminho da regeneração. Consoante ensina a sabedoria popular, “errar é humano, mas perseverar no erro é diabólico”. Destarte, se tivermos a oportunidade ou o dever de admoestar a quem erra, façamo-lo com brandura, isto é, com caridade, a fim de que possamos tocar em seu coração.

            “Se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo”, afirma o apóstolo dos gentios.

            “Afinal, que somos?”, pergunta o confrade Pedro Granja, em interessante obra espírita. - Espíritos sofredores em provas redentoras, em processo de esclarecimento, e nada mais! As riquezas, a pobreza, a importância ou a nulidade que tenhamos aqui na Terra, tudo passará, como já frisava o Eclesiastes. A morte nivelará em sete palmos de terra, onde só haverá decomposição material. Somente o Espírito importa, só ele é divino e imortal! Beleza, luxo, conforto, feiura, miséria, dores, injustiça, tudo será consumido pelo tempo e basta termos paciência, de vê-lo passar. Portanto, se o que mais interessa são as coisas do Espírito, devemos cultivar as virtudes, transformar nosso procedimento, tendo o Evangelho como roteiro, porque é com amor que se adquire a perfeição, onde está a felicidade eterna.

            O Céu é sobretudo um estado da alma, pois o reino de Deus está dentro de nós mesmos, como disse o Senhor Jesus, e reside em nosso coração e em nossa própria consciência. Cada um é sacerdote de si mesmo, cada qual é artífice de seu futuro e de seu destino espiritual.

            “Mas prove cada um a sua própria obra, e terá glória só em si mesmo, e não noutro. Porque cada um levará sua própria carga.”

            Quando desencarnarmos, quando nos despirmos do fardo da matéria, cujo invólucro santo nos é dado para evoluir, levaremos nossa própria carga, teremos a densidade do perispírito compatível com nosso estado ou com nosso merecimento, maior ou menor, conforme o caso. Então, poderemos ascender às regiões superiores da espiritualidade, se tivermos procedido como cristãos, ou ficaremos chumbados à Terra ou ainda aos círculos infernais, pois que, na linguagem do apóstolo das nações, “levaremos nossa própria carga”, índice da evolução espiritual, produto de nossa fé e de nossas obras.

            A fé possui também significação para o progresso do Espírito, porque ela nos encaminhará para a prática das boas obras, verdadeira moeda com que se adquirem os céus.

            Vale a pena reproduzirmos aqui este pequeno trecho da comunicação de José, um Espírito protetor, transcrito de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, obra imortal de Allan Kardec:

            “Inspiração divina, a fé desperta todos os sentimentos nobres que encaminham o homem para o bem. Preciso é, pois, que essa base seja forte e durável, porquanto, se a mais ligeira dúvida a abalar, que será do edifício que sobre ela construirdes? Levantai, conseguintemente, esse edifício sobre alicerces inamovíveis. Seja mais forte a vossa fé do que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, visto que a fé que não afronta o ridículo dos homens não é fé verdadeira.
           
            “E o que semeia no Espírito, acrescenta Paulo, do Espírito ceifará a vida.”

            “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. Então, façamos bem a todos, mas especialmente aos domésticos da fé.”

            A regra é semear, indistintamente, a palavra divina, como Paulo de Tarso a semeou aos gentios, levando a doutrina do Senhor da Ásia Menor à Europa, afrontando até a frieza enervante dos filósofos de Atenas, caminhando dezenas e dezenas de léguas a pé, sofrendo fome, sevícias, incompreensões e doenças, mas pregando sempre a Boa Nova para regeneração da Humanidade.  

            A Terra evoluiu e os perigos agora são bem menores. Portanto, é mister que preguemos com fé e com entusiasmo os ensinamentos do Redentor, mesmo porque nosso trabalho agora é bem mais fácil...

            O Novo Testamento baseia-se no Velho. Este possui seu lado moral ou religioso, único que nos deve interessar, verdadeiramente; como legítima base daquele, pois as revelações são sucessivas, conforme ensinam os Mensageiros do Senhor, que concretizam a falange bendita do Espírito Santo, o Consolador que o Divino Mestre nos prometeu como terceira revelação de Deus (João, 14:26 e 16:12 a 14;  “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. I
Não vim destruir a lei”.

            Todavia, façamos o bem a todos, porque esta é a síntese da lição: e Paulo acrescenta: “principalmente aos domésticos da fé”. Mas isto não quer dizer que tenhamos ressalvas na prática do bem, pois a caridade é universal e, de todas, a mais excelsa virtude (I Cor., cap. 13).

            Aliás, nos sanatórios espíritas, em nossas casas de caridade, procura-se fazer o bem a todos, sem distinção de pessoas, de raça ou de religião. Particularmente, porém, é humano que nos preocupemos mais com os que privam conosco, cotidianamente. Se não dermos preferência a estes, certo que seremos injustos.


            Contudo, à medida que o Espírito se ilumina, ele não faz acepção de pessoas. Esta será nossa última expressão evolutiva amar a todos com a mesma intensidade - como o Cristo de Deus nos ama e como também nos ensina, a fim de sermos perfeitos em unidade com nosso Pai Celestial. 

Perdoa, sim!?


Perdoa, sim?!
Meimei
por Chico Xavier

Reformador (FEB) Agosto 1961


            O desconhecido passou, de carro, enlameando-te a veste, como se toda a rua lhe pertencesse. "Compadece-te dele. Corre, desabalado, à procura de alguém que lhe socorra o filhinho nos esgares da morte.

            Linda mulher, que pérolas e brilhantes enfeitam, segue a teu lado, parecendo fingir que te não percebe a presença... Compadece-te! Ela tem os olhos embaciados de pranto e não chegou a ver-te.

            Jovem, admiravelmente bem posto, cruzou contigo, endereçando-te palavras de sarcasmo e de injúria... Compadece-te! Ele tem os passos no caminho do hospício e ainda não o sabe.

            O amigo que mais amas negou-te um favor... Compadece-te dele! Não lhe vês a dificuldade encravada no coração.

            Companheiros do mundo! "Estarão contigo, notadamente no lar, onde guardam os nomes de pai e mãe, esposo e esposa, filhos e irmãos...     Muita vez, levantam-se de manhã, chorosos e doloridos, aguardando um sorriso de entendimento, ou chegam do trabalho, fatigados e tristes, esmolando compreensão.

            Todos trazem aflições e problemas que desconheces.
            Ergue a própria alma e auxilia sempre!.. Indulgência para todos! Bondade para com todos!..

            E, se algum deles te fere diretamente a carne ou a alma, não Ievantes o braço ou a voz para revidar.

            Busca no silêncio a inspiração ao Senhor e o Mestre, como se estivesse descendo da cruz em que pediu perdão para os próprios verdugos, te dirá compassivo:


            - Perdoa, sim!? perdoa sempre, porque, em verdade, aqueles que não perdoam também não sabem o que fazem... 

18. 'Máximas extraídas do ensino dos Espíritos'




18. Máximas extraídas
dos Ensinos dos Espíritos.
           

            A fortuna é um depósito cujo possuidor é apenas usufrutuário, desde que não a leva consigo para o túmulo. Prestará severas contas do emprego que lhe tiver dado.   

            Allan Kardec
Pág. 51 e seguintes.
‘O Espiritismo na sua Expressão mais Simples’
1ª Ed FEB 2006

Tradução de Evandro Noleto Bezerra

Providência



Providência
Antonio Túlio / Ismael Gomes Braga
Reformador (FEB)  Julho 1961

            Conquanto vivamos num mundo de expiações e de provas, nascemos e passamos nossa encarnação cercados de manifestações sublimes de uma Providência paternal que nos beneficia sempre e à qual não damos a merecida atenção e mal a percebemos por estar ela muito integrada em nossos “direitos” consuetudinários.

            Que atenção damos ao amor materno que nos protege desde o nascimento e por vezes se estende até à nossa velhice?

            Eu tive essa fortuna: minha mãe viveu setenta anos depois do meu nascimento e conservou sempre a mesma paciência, a mesma dedicação, o mesmo amor dos primeiros dias.

            Sempre me educou com brandura, corrigiu com bondade, compreendeu com inteligência, tratou com carinho, perdoou com indulgência. E que compreensão temos do amor materno que tanto se sacrifica por nós? e da dedicação duma esposa que por amor se torna escrava do lar?

            Dizem apenas que o amor dos esposos e dos pais é somente instinto, pois que se encontra igualmente nos animais e em certo grau até nas plantas; mas esse instinto é providencial, inteligente, salvador, sabiamente organizado, e demais tem grande diferença entre o homem e os animais. Nos animais termina ele com a satisfação ou com a infância: - o animal protege sua cria até vê-la adulta, depois a abandona e não lhe reconhece mais nenhum parentesco, mas no homem não se extingue nunca o parentesco.

            O amor de esposos e pais é a primeira clara manifestação providencial dessa Força Misteriosa da Vida a que damos o nome de Deus, mas não se limita nisso: estende-se à família toda, à sociedade no que esta tem de melhor organizado. Com o progresso da inteligência e da moral, o homem vai-se tornando colaborador da Natureza e criando processos de proteger e melhorar as condições de vida e, dentro de certos limites, consegue até substituir a dedicação paterna, onde esta venha a falhar ou seja deficiente.

            Se no início da evolução o amor se manifestava apenas como atração dos sexos e proteção à prole, com o crescimento evolutivo foi-se tornando gregário, alargando-se à proteção de todos os fracos, à educação e instrução coletiva, à organização social do bem-estar e da segurança geral em escala cada vez maior: família, tribo, clã, nação, império, organização de serviços mundiais sem limites geográficos como, por exemplo, o serviço postal universal que se executa em benefício dos cidadãos do mundo todo, mesmo quando os Governos não se reconhecem, como no caso do Brasil e do Vietnam. Os habitantes de Hanoi publicam bons livros em Esperanto e no-los remetem, correspondem-se conosco, recebem e leem nossa literatura em Esperanto, sempre pelos Correios, mas os dois Governos não mantêm relações diplomáticas, não se reconhecem.

            As instituições sociais vão tomando consciência de uma solidariedade universal de origem divina (em que pese aos ateus) e colaborando cada vez mais com a Providência em benefício de todos. A interdependência vai sendo compreendida pelos indivíduos e povos, e os mais fortes vão reconhecendo seu dever de ajudar aos mais fracos. Estamos referindo-nos somente às coisas materiais, porque são de mais fácil compreensão para todos nós, mas, fora e acima da parte visível da Humanidade, existe outra parte maior e melhor organizada que se manifesta como instrumento da Providência. Se nos alçarmos a considerar essa parte invisível, tudo se alarga na escala. Referi-me acima a setenta anos de dedicação incansável de minha mãe a meu favor, mas é possível que essa dedicação já venha de milênios passados e se estenda por uma eternidade futura; porém, nesse domínio temos poucos conhecimentos positivos e podemos tornar-nos fantasistas. Baste-nos examinar o que temos de mais concreto e indiscutível nos serviços providenciais em nosso benefício. No entanto, parece-nos que a descida de Missionários à Terra, para realizarem grandes descobertas, invenções e melhoramentos sociais que transformam a vida do Planeta, está perfeitamente clara para o leitor iniciado em Espiritismo e pode ser tratada como um dos aspectos concretos da obra providencial em nosso benefício; porque esses Missionários excedem de muito o porte comum do homem do Planeta e têm uma presciência do remoto futuro que os seus coevos não poderiam possuir.

            Desde o amor materno, comum ao homem e ao animal que se sacrifica pelo filho, até os grandes heróis que se deixam martirizar pelo bem da Humanidade, há uma escala imensa de formas de amor sacrificial em nosso benefício, amor quase sempre incompreendido e pago com ingratidão.


            Em tudo se manifesta a Providência: no mineral que nos fornece abrigo, na planta que dá mel à abelha, abrigo aos ninhos, alimento ao homem, no animal que colabora em nossos esforços, na dor que aprimora, no prazer que impulsiona, na dúvida que estuda, na fé que ilumina, na juventude que sonha, na velhice que receia, na Ciência que ensina, na técnica que trabalha, na esperança que confia, na abnegação que se sacrifica, mas, acima de tudo, no amor que compreende, guia, ajuda, eleva, vivifica e envolve a tudo e a todos em sua luz, sem limitações de tempo nem espaço.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

As Maravilhas do Evangelho



As Maravilhas
do Evangelho
Sylvio Brito Soares


Reformador (FEB) Maio 1961

            Certa noite, depois de um jornadear laborioso de ensinamentos e de explicações, Jesus dormia ao canto de uma barca. Nela se encontravam também os seus discípulos.

            Quando essa barca já muito distanciada se encontrava da costa, levantou-se, no mar, tão grande tempestade que as ondas a cobriam inteiramente e, não obstante isso, Jesus dormia serenamente.

            Os discípulos, diante de situação tão crítica e receosos de serem tragados pelas ondas, não tiveram dúvida de acordar o Mestre, e clamaram: Salva-nos, Senhor, que perecemos.

            Jesus abriu os olhos e, sem qualquer mostra da mais leve preocupação, indagou primeiro e mansamente: - Porque temeis, homens de pouca fé?!

            Estas palavras do divino Mestre ainda hoje ressoam nitidamente no âmago de nossas almas.

            Como reencarnados, estamos navegando em pleno mar das provações a que fizemos jus.

            Mas, nessa travessia, graças a Deus, não estamos sós, temos Jesus em nossa companhia, tal como o tiveram os seus discípulos, quando a tempestade os colheu no mar, que se mostrava tão impetuoso a ponto de todos acreditarem ver em breve despedaçado o frágil batel em que se encontravam.          

            Quantos de nós, que nos ufanamos de trazer Jesus dentro de nós mesmos, baqueamos porque a superfície do mar de nossa existência ligeiramente se encrespou, tocada por uma viração mais forte de nossos próprios destinos!

            A fé em Jesus só se conhece realmente nas horas difíceis.

            Os espíritas, conhecedores das razões que nos trouxeram novamente à Terra, não devemos ficar surpresos quando as ondas da vida se agigantam e se precipitam medonhamente de encontro ao pequeno barco que conduz nosso Espírito por essa viagem de provas e reparações!

            Entristecedor seria, para todos nós, ouvir da boca de Jesus aquela indagação:   Porque temeis, homens de pouca fé?!

*


            Todos anseiam por chegar sãos e salvos ao porto de desembarque, e nós, espíritas, também almejamos por os pés na areia firme da praia da Espiritualidade, com a nossa alma perfeitamente sã das cobardias morais e com a fibra da coragem enrijecida nos temporais que devemos suportar sem medo, sem desespero, sofrendo, não importa, porque a estrela cintilante da fé, sempre diante de nossos olhos, mostra que todas as lutas da travessia são mínimas em face das bem-aventuranças que poderemos usufruir nas diversas moradas do Senhor. 

Problemas do Mundo


Problemas do Mundo
Bezerra de Menezes
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Maio 1961

            O mundo está repleto de ouro.

            Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres.

            Mas o ouro não resolve o problema da miséria.

            O mundo está repleto de espaço.

            Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campos.

            Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.

            O mundo está repleto de cultura.

            Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião.

            Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.

            O mundo está repleto de teorias.

            Teorias na ciência. Teorias nas escolas filosóficas. Teorias nas religiões.

            Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.

            O mundo está repleto de organizações.

            Organizações administrativas. Organizações econômicas. Organizações sociais.

            Mas as organizações não resolvem o problema do crime.

            Para extinguir a chaga da ignorância que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o monstro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura e para remover o charco do crime que carreia o infortúnio o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.

            Sejamos, assim, valorosos, estendendo a Doutrina Espírita que o desentranha da letra, na construção da Humanidade Nova, irradiando a influência e a inspiração do Divino Mestre, pela emoção e pela ideia, pela diretriz e pela conduta, pela palavra e pelo exemplo, e, parafraseando o conceito inolvidável de Allan Kardec, em torno da caridade, proclamemos aos problemas do mundo: “Fora do Cristo não há solução." 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

17. 'Máximas extraídas do ensino dos Espíritos'


17. Máximas extraídas
dos Ensinos dos Espíritos.
           

            Deus fez os homens fortes e poderosos para serem o amparo dos fracos. O forte que oprime o fraco é maldito de Deus. Muitas vezes recebe o seu castigo nesta vida, sem prejuízo dos reservados ao futuro.

            Allan Kardec
Pág. 51 e seguintes.
‘O Espiritismo na sua Expressão mais Simples’
1ª Ed FEB 2006

Tradução de Evandro Noleto Bezerra

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Administradores de Bens Divinos



Administradores
de Bens Divinos

          Que possuis tu, ó homem, que seja realmente teu? Que não tenhas recebido de presente?...
         
          O corpo? A alma? As faculdades mentais? As prendas físicas? O prestígio social? A ciência? A fortuna?...
         
          Basta um revés, um passo em falso, uma enfermidade, uma tentação infeliz – e que é das tuas grandezas?...
         
          Convence-te, ó homem, de que és um mosaico de fatores divinos e humanos.
         
          Nada do que possuis é teu. Tudo é emprestado para uns poucos anos.
         
          Tu não és dono – és apenas administrador dos valores do corpo e da alma,
         
          E hás de prestar contas, um dia, da tua administração...
         
          Sê, pois, humilde; porque humildade é verdade...

                   
         
Huberto Rohden

in “Em Espírito e Verdade” (pág. 242 Ed. Soter 1941)




domingo, 24 de novembro de 2013

O Inferno



O Inferno
Rodolfo Calligaris
Reformador (FEB) Maio 1961

            Segundo a teologia tradicional, o inferno é um "lugar" de suplício, criado por Deus para a punição dos pecadores e... dos "hereges", à semelhança de certas prisões e masmorras que os governos humanos instituíram no passado, para castigo de malfeitores. Com uma diferença: destas, ainda era possível um livramento, por fuga ou ato de clemência da autoridade coativa, ao passo que no averno, quantos lá entrem, é para não saírem jamais ... "Lasciate ogni speranea, voi che entrate". tal o dístico de seu ígneo umbral, conforme nos revela o famoso Dante em sua obra-prima.

            É de se notar que, de alguns séculos a esta parte, têm caído, um por um, todos os despotismos, e, com eles, todas as bastIlhas e sistemas de tortura que encheram de horror a História da Humanidade.

            Começa-se a admitir que os criminosos e delinquentes de toda espécie são mais doentes necessitados de tratamento do que propriamente contraventores que devam ser punidos, e, ao influxo dessas novas ideias, antigos presídios vão sendo substituídos por modernos estabelecimentos correcionais, aparelhados para a aplicação adequada dos regimes penitenciários, tendo em vista a regeneração dos detentos.

            Até mesmo os prisioneiros de guerra são tratados, hoje, com espírito de humanidade, provando, tudo isso, que o mundo progride, lenta mas ininterruptamente, e que dias cada vez melhores hão de vir para todos os povos.

            Todavia, que blasfêmia! - enquanto os homens corrigem, melhoram, aperfeiçoam suas instituições penais, diz-se que Deus permanece insensível e indiferente ao sofrimento das almas condenadas ao inferno, não Lhe fazendo mossa que continuem a arder nos tachos de breu fervente, "per omnia soecula soeculorum"!

            O mal que os propagadores dessa doutrina monstruosa causam às massas humanas é incalculável, pois, não raro, os que repelem, com justa revolta, os suplícios infernais, englobam no mesmo repúdio Aquele a quem os atribuem, caindo na irreligiosidade e no ateísmo.

            Mas, poder-se-ia perguntar: então o inferno não existe?    

            Existe, sim. Se há tanta gente a exclamar - "minha vida é um inferno!" - é porque ele existe, de fato. Não, porém, como um "lugar", mas (tal qual o céu) como um "estado" de consciência.

            Em qualquer ponto do Universo, aqui, ali ou alhures, quem sinta o inferno dentro de si, pode dizer que está no inferno.
            Muitos, baseados na teologia pseudo-cristã que lhes foi inculcada, creem ser Deus quem deseje ou mesmo propicie todas as dores físicas e morais que nos "infernizam" a existência, como se Ele fosse um monstro que se compraza com o sofrimento de Suas criaturas.

            Em verdade, porém, quem faz o nosso inferno (ou o nosso céu) somos nós próprios, segundo procedamos em contraposição aos mandamentos divinos (ou em harmonia com eles).

            Não é assim, poderão objetar-nos, pois assistimos, diariamente, ao nascimento de muitas crianças marcadas por taras, deformidades e lesões que as farão sofrer por toda a existência, sem que lhes possa ser imputada qualquer culpa por essa situação.

            Redarguimos: A quem, pois, atribuí-la? Aos ancestrais, por serem ou terem sido alcoólatras, sifilíticos, etc.? Mas, nesse caso, baseado em que razões escolheria Deus determinadas almas para animar esses corpos condenando-as previamente a uma vida miserável, enquanto reservaria a outras melhor sorte? Esse arbítrio na distribuição de graças e desgraças não se coaduna com Sua equanimidade.

            Quem entra neste mundo privado de seus meios de percepção e de expressão, ou com outras deficiências psicossomáticas, é porque, via de regra, em existência (s) anterior (es), abusou dos recursos e faculdades de que dispôs, comprometendo-se seriamente perante a Lei.

            Sim, porque ninguém sofre sem merecer, eis que não há falhas nem enganos na Justiça Divina.

            Sendo o inferno, portanto, criação nossa e não de Deus, sua abolição também depende exclusivamente de nós, de nosso desejo sincero e espontâneo de deixar o caminho do mal para trilhar o do bem.

            Releva frisar, entretanto, que essa transição não se opera pura e simplesmente pelo arrependimento. Este é indispensável, é o primeiro passo, mas não basta. Todo dano ou padecimento que houvermos infligido ao próximo, e até os males que nos houvermos causado, pelos excessos e intemperanças, têm que ser resgatados, através de expiações adequadas, porque, como diz o Evangelho: "aquilo que o homem semear, isso mesmo há de colher."  

            Não se confie, igualmente, no privilégio de pertencer a esta ou àquela denominação religiosa, nem na eficácia de certos expedientes oferecidos pelo poder eclesiástico, como meio seguro de fugir ao inferno.


            O único jeito é seguir as pegadas daquele que, havendo alcançado a perfeição, pôde dizer: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim..."