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sábado, 31 de agosto de 2013

Os 'Autos-de-Fé' cotidianos



Os Autos-de-fé
cotidianos

de Leopoldo Cirne



por W. Vieira
Reformador (FEB) Outubro 1961

            Rememorando o Auto-de-fé em Barcelona, publicamos a mensagem de Leopoldo Cirne transmitida por ocasião do Centenário desse evento.

            “Moisés foi o portador da Primeira Revelação; Jesus nos trouxe a Segunda; Allan Kardec codificou o Espiritismo - a Terceira Revelação -, que divulga os elevados propósitos dos Pioneiros da Luz, e que se impessoalizou para ultrapassar o âmbito individual em direção à Humanidade Maior.

            Na manhã de 9 de Outubro de 1861, aqueles que crucificaram o Senhor - os fariseus de todos os tempos -, não podendo então sacrificar alguém para sufocar a nova ordem de ideias, afoitaram-se em carbonizar lhe os repositórios em forma de livros. Assim, o Auto-de-fé em Barcelona surge às nossas considerações como sendo a primeira crucificação do Consolador, no ataque inquisitorial contra as obras dos precursores.

            Queimaram-se apenas alguns corpos da ideia para que as almas da ideia se libertassem... As chamas que consumiram os livros, avivadas pelas mãos do carrasco, na praça pública, saltaram de alma em alma, a crepitar por centelhas de ideal renovador, ateando o fogo da verdade, de consciência a consciência, e a luz dessa fogueira resplende sempre mais, vitoriosa e irradiante, atraindo e cingindo legiões de criaturas.

            Da esplanada em que se flagelavam os criminosos, os trezentos volumes incinerados, quais flamas redivivas, se multiplicaram aos milhões nos idiomas do mundo inteiro.

            A Causa Espírita é imperecível: ninguém pode abafar a fé raciocinada. O seu ensinamento instrui pelos fatos da Vida Imortal. O Espírito sopra onde quer. Asfixiada a voz da realidade, hoje e aqui, amanhã e em toda a parte alçar-se-â mais potente por milhares de outras bocas.

            Mas, em pleno Centenário do Auto-de-fé, é natural relembremos também os pequeninos autos-de-fé cotidianos que forjamos por nossa imprevidência, queimando, através de ações a desmentirem convicções, os ensinos da Doutrina Libertadora que nos fortalecem as almas.

            O Espiritismo é o Fanal da Imortalidade que recebemos de nossos antecessores do Espaço ou do Plano Físico, mensagem de consolação que nos cabe levar adiante, de ânimo inarrefecível, clareando o caminho. Empunhemos o facho sublime de esperança no rumo da Nova Terra - a Terra da Regeneração!

            Sigamos esses mesmos livros que foram calcinados há um século e que, não raro, repontam moralmente destruídos por nossa conduta inadvertida e contrária aos ditames amorosos do Cristo.

            Recomendou o Mestre: "Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vos vejam as boas obras e glorifiquem o Pai que está no Céu. "

            Recorda que serás sempre, onde estiveres, a lição ambulante do Espiritismo. És a síntese viva da Codificação! Se o templo espírita consola, o teu coração testemunha! Se a tribuna espírita esclarece, a tua palavra conduz! Se o livro espírita ilumina, o teu exemplo é a força que arrasta! 

46a 46b 46c Revelação dos Papas - Copérnico






46a

‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)

- Comunicações d’Além Túmulo –


                               Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier

Officinas Graphicas d’A Noite
Rua do Carmo, 29
1918


Copérnico

O médium vê um homem velho, tendo a cabeça envolvida 
em grande massa de luz branca com raios prateados.
O espírito é muito luminoso.

............................

Estais, meus amigos, diante do espírito do vosso irmão Copérnico, o astrônomo.

Venho, em nome de Deus, anunciar aos homens de boa vontade coisas que precisam conhecer, para que não mais vivam na dúvida que leva à pratica de erros e crimes.

Venho, em nome do nosso Pai de Amor, dizer aos homens que os tempos são chegados para a Terra, que ora completa mais um giro em torno do grande astro que a conduz no espaço infinito.

Venho, em nome de Jesus, proclamar que a Terra não é o único mundo habitado, o único planeta em que palpitam seres vivos e uma humanidade cumpre a sua provação.

Anuncio-vos que não é só na Terra que existem homens, animais, plantas, pássaros, flores, rios e montanhas.

Não é somente no vosso mundo que se sofre, padece, goza e ama: há no Universo milhões de mundos habitados por criaturas mais imperfeitas que as da Terra e, em muitos, outras, mais perfeitas que vós outros.

Venho proclamar aqui a grandeza da obra do Criador, anunciando que existem mundos em que a vida é mais brilhante, mais bela, mais alegre e mais risonha que a da Terra, onde tudo termina com a morte, todas as coisas são limitadas, onde não existe o absoluto, pois tudo ai se contém na relatividade.

Proclamo aqui os grandes mistérios que até ontem pareceram insondáveis para vós outros, mas hoje Deus manda revelar às criaturas.

Não há nada mais belo que o espetáculo que se oferece à vista dos espíritos adiantados - o da migração dos espíritos de mundos inferiores para o espaço infinito e deste para aqueles. E quem observar tais cenas, tão comoventes quadros, poderá dizer aos seus irmãos da Terra alguma coisa que os oriente e instrua.

Sede sempre bons e humildes perante Deus e Jesus, e só assim podereis, um dia, gozar a doce ventura de contemplar o sublime espetáculo de que a pouco vos falei.

Sede sempre caridosos, praticando atos de bondade e amor, para com os vossos semelhantes, a fim de poderdes desfrutar a inaudita felicidade de apreciar as imigrações e emigrações dos espíritos, que saem e entram nos mundos de provações ou se elevam aos mundos de categoria superior, nos quais tudo é luz, paz, doçura e amor.

Cumpri o vosso dever cristão semeando o bem, divulgando a verdade na Terra, espalhando por toda a parte os ensinamentos de Jesus, para que possais alcançar a glória de contemplar o desdobrar das estrelas, o caminhar dos planetas, as revoluções dos sóis e as gravitações de todos os corpos que enchem o Universo, onde a Terra é minúsculo grão de areia a rolar por entre turbilhões de mundos habitados por gente mais bela, mais sabia, mais virtuosa, mais consciente e segura da sua existência nesse mesmo Universo, gente mais humilde e mais confiante em Deus do que vós outros.

Nada mais sublime e encantador; nenhum espetáculo há na Terra que se possa comparar a essa fantástica mecânica celeste, na qual tudo se move impulsionado pela vontade infinita do nosso Pai Celestial!

Nada mais sublime que o rolar dos mundos na eternidade, para quem pode de um só golpe de vista, abranger parte desse Universo que vos cerca, vendo, a cada passo, operarem-se as transformações da matéria cósmica, que se distribui de acordo com os pontos ou mundos para os quais ela é atraída e guiada pelos espíritos que dirigem as formações, os agrupamentos atômicos, os agregados moleculares, os compostos químicos, nos sistemas em constituição.

Nada mais grandioso e belo que o gravitar dos sóis, em torno dos quais correm os planetas dos múltiplos sistemas, conduzindo os seus satélites pelo infinito além! Sonho indescritível, visão incomparável essa que desfruta o espírito ao se lhe depararem os grandes mundos em marcha, coloridos, matizados da luz dos sóis que os atraem!

Como é surpreendente essa massa fluídica que se estende no vosso céu, nas noites sombrias - e a que chamais "Via-Láctea - ou Estrada de S. Thiago" - para quem pode, em dado momento, distinguir os movimentos graciosos dos mundos, das estrelas e dos sóis de que se compõe essa imensa nebulosa, corpos esses que marcham descrevendo no infinito figuras geométricas, que se combinam, se ajustam, se casam, formando desenhos estranhos, contornos originalíssimos, encadeamentos de formas gigantescas e traçados de uma inédita e singular aparência!

Ver caminhar esses sóis; assistir às evoluções desses mundos; contemplar, já as colorações dos corpos que ali se agrupam, formando os sistemas, as cadeias luminosas, já os esplendores das constelações, que se prendem umas às outras, e, ainda, as inumeráveis combinações das luzes cometas, dos bólidos, dos meteoros luminosos, cruzando sem cessar em todas as direções e por toda a eternidade - são cenas, espetáculos que deliciam a vista, arrebatam a alma, comovem o espírito, sensibilizam aqueles que tem a ventura de poder abranger com a vista espiritual tão sublimes e indescritíveis belezas!

Quem deixará de aperfeiçoar-se, quem não desejará avançar na estrada do progresso, a fim de poder, um dia, penetrar em regiões tais, assistir a esses formidáveis e emocionantes espetáculos, a essas epopeias de luz e de cor, a esse concerto em que se empenham - em harmoniosa e sedutora música - os mundos criados por Deus que os enche de luz e encanto e os mantém e equilibra no espaço sem fim?

Quem não trocará as sombras do inferno, aberto nas consciências, por essas auroras boreais e eternas, por esses deslumbrantes crepúsculos, por essas intérminas alvoradas de dias que não findam nunca, por esse amanhecer eterno que desfrutam as almas dos humildes e dos bons? Quem não preferirá a vida luminosa do espírito feliz dos mensageiros do Senhor, que vão por todo o Universo - de mundo a mundo, de sol a sol, de estrela a estrela, de constelação a constelação - a gozar as doçuras de tão sublimes espetáculos, que os deleitam e os embalam, provocando nas suas almas doces espasmos, estases deliciosos, a contemplação das cenas encantadoras, dos acontecimentos extraordinários ocorridos a cada passo no Universo?

Quem poderá resistir ao desejo de viver a vida ideal do espírito liberto de todos os prejuízos da matéria, aquele que, após a morte, se sente arrebatado às sublimes regiões onde gravitam os sóis e as constelações?

Quem, meus irmãos, quererá trocar o viver dos bem aventurados pelo dos espíritos inferiores, esses que, perturbados, ficam chumbados à superfície dos mundos onde terminam a última provação, com a consciência envolta em trevas, cegos, aflitos, tendo apenas diante de si os remorsos, as figuras esquálidas e esqueléticas das suas vítimas, ouvindo o coro das maldições e anátemas que caem sobre as suas cabeças?

Quem, meus irmãos; trocará o esplendor das auroras pelos negrumes das borrascas, a luz do sol pelos densos nevoeiros?

Quem permutará o céu pelo inferno? Ninguém, de certo!

-continua-

Nicolau Copérnico

                       46b

‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)

- Comunicações d’Além Túmulo –


                               Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier

Officinas Graphicas d’A Noite
Rua do Carmo, 29
1918

-continuação-
Copérnico


Sinto não me seja ainda permitido revelar-vos todas as maravilhas que se ocultam aos vossos olhos; mas direi alguma coisa para saciar vossa sede de saber, de conhecer as coisas do além.

O espaço que vos cerca está cheio de mundos em que muitos de vós já viveram antes de vir para a Terra, de onde haveis de sair para desfrutar melhor vida em outros planetas que vedes também gravitando em torno do vosso.

Encontra-se aqui, bem perto, de vós, um mundo em que a vida é doce e suave sonho, uma eterna festa, paraíso florido a rolar na imensidade conduzindo no seu seio uma humanidade feliz e ditosa, que já mereceu de Deus a graça de, não mais suportar dores físicas, e em cujo meio só se vive do amor e para o amor.

E é ali nesse lugar que habitam muitos espíritos que estão sendo chamados para vir se empenhar na obra do vosso progresso e salvação.

O mundo de que vos falo foi já, como o vosso, atrasado e sombrio, mas a sua humanidade tanto se esforçou, que hoje esse globo irradia no espaço infinito.
            Quantas doçuras, quantos gozos desfruta essa gente! Que suave e delicioso viver, o dessas almas felizes, que ali trabalham pelo progresso de outros mundos, enviando os seus filhos para as grandes missões de caridade e amor! 

Mundos de gozo há diversos em torno de vós, brilhando aos vossos olhos enamorados, deslumbrando as vossas vistas, seduzindo as vossas almas, quando os contemplais às horas mortas, silenciosas da noite, em que os vossos irmãos repousam das fadigas diurnas e vós outros sois, por qualquer motivo, levados a velar!

E como esse que acabei de descrever, contam-se outros onde não mais o homem suporta as contingências da vida material, grosseira, que viveis aí na Terra, onde não mais a criatura paga esse cruel e impiedoso tributo de sangue, que estais agora pagando nesse planeta.

Não! Ali já não existe a guerra, nem os homens trucidam os semelhantes; lá, em tais mundos, só o amor os prende, enlaçando as almas; a discórdia não divide os homens; as ambições não arrastam as criaturas a sacrificarem os seus semelhantes; o ódio, a inveja, o orgulho, a vaidade, as misérias e podridões não cavam a desgraça dos espíritos que ali estacionam, aguardando a hora em que Deus houver por bem envia-los para outro mundo ainda melhor, onde a felicidade seja mais completa e o espírito viva mais em contato com o seu Criador!
             
Mundos, meus amigos, existem, e não muito longe do vosso, onde se vive, sem essa luta constante em que vos empenhais quotidianamente.

Andam ali as criaturas sem necessidade do alimento grosseiro de que careceis no vosso planeta, para manter o corpo material que reveste o vosso espírito.

Tudo, para esses seres, é adquirido sem esforço, sem os sacrifícios que fazeis constantemente para as vossas conquistas, para alcançardes o bem estar, a fortuna e os meios de prover a vossa subsistência.

Não se fatigam tanto os que vivem nessas terras, pois a sobriedade e a moderação são ali as mais apreciadas virtudes; o interesse de cada um chega somente ao ponto em que começa o do semelhante, e também a virtude consiste em possuir para repartir e não para acumular, amontoar e negar ao semelhante quando, aflito, apela para a nossa caridade e amor fraternal.

Ali se vive da felicidade alheia, regozija-se com as vitórias, triunfos e conquistas dos semelhantes. A dor é partilhada pelos companheiros, ninguém chora que não veja a lágrima borbulhar nos olhos amigos, ninguém luta sozinho ou fica abandonado ao levantar o fardo da existência, a criatura sente logo a mão amiga que a ajuda, auxiliando-a na tarefa que tomou sobre os ombros.

Ali só Deus governa - dizem os habitantes desses mundos, tudo parte do Criador - afirmam os que residem nesses planetas adiantados!

A mentira e a calúnia não encontram agasalho nos corações dessa gente feliz; a verdade brilha e sobrepuja todas as coisas; ninguém se compraz em difundir o erro e lançar a confusão entre as criaturas, como acontece no vosso e noutros mundos da mesma categoria.

Quem deixará, pois, de progredir, de trilhar o caminho reto do dever, para poder desfrutar essa felicidade nos mundos onde a vida corre fácil, bela e feliz?

Mundos existem, meus irmãos, nos quais as artes e as ciências atingiram um grau tão elevado, alcançaram tal adiantamento, que as artes e as ciências da Terra ficariam envergonhadas de ser confrontadas com as suas coirmãs desses ditosos mundos.

Quem vos poderá dar uma ideia do que sejam as arte e as ciências nesses mundos?"

Ainda que eu vos falasse empregando todos os recursos dialéticos e literários, não compreenderíeis nada do que vos dissesse a tal respeito, no correr desta comunicação.

 -continua-

Galileu Galilei
46c

‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)

- Comunicações d’Além Túmulo –


                               Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier

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Rua do Carmo, 29
1918

-continuação-
Copérnico

Ciência e arte são duas manifestações espirituais que muito se aperfeiçoaram com o evoluir dos espíritos, à medida que os horizontes se vão alargando e os meios de percepção vão também se aperfeiçoando à proporção que os espíritos se purificam, todas as suas manifestações parecem impregnadas da pureza das almas onde encontraram berço.

            Todos os sentimentos do homem se aprimoram, completam-se, quintessenciam-se cada vez mais, chegando a adquirir qualidades e predicados divinos, coparticipantes da eterna perfeição.

Mundos existem onde a vida não mais se acha contida nos limites acanhados dos corpos perecíveis, ao contrário, ela irradia por toda parte, e não' só os seres, mas também as coisas têm uma sensibilidade muito mais intensa que no vosso mundo.

Tudo nessas esferas está animado do espírito divino, que se manifesta por toda parte, em todos os atos e ações da vida, em todas as manifestações, quer de ordem material, quer de ordem moral.

Há nesses mundos inteligências em todas as coisas; tudo possui uma linguagem, uma mímica; todas as coisas encerram em si uma ideia, abrigam um pensamento.

Todos os seres se comunicam pelo pensamento, todas as coisas obedecem e respondem ao pensar do homem.

Na atmosfera desses mundos pairam sempre luzes eternas, que irradiam sobre as criaturas, transmitindo-lhes o pensamento divino, emanado da Fonte Suprema de onde também provêm essas luzes, por meio das quais os homens ali se comunicam diretamente com o seu Criador.

São mundos superiores, são centros espirituais, esses onde a vida se reveste de toda essa poesia e encanto. É ali a pátria dos gloriosos, dos imortais, é dali que emana a inspiração, irradia o pensamento puro e santo sobre os outros mundos.

É desses centros que baixam sobre os mundos grosseiros a inspiração e o estro divinos - fonte onde as almas que já podem ascender, embora ligeira e furtivamente, às luminosas regiões, vão beber a poesia, o ideal sublime da arte pura e casta, que só aos eleitos é permitido transmitir aos homens.

Quem deixará de empregar esforços, combatendo as suas imperfeições, contrariando as más tendências, emancipando-se dos vícios e abusos - para ir desfrutar esse ambiente divino de poesia, luz, verdade e amor?

Quem não quererá ser puro, para gozar tantas delícias; quem preferirá mergulhar-se no lodo do charco, na podridão dos monturos, a banhar-se na luz suavíssima e pura dos mundos espirituais, a viver mergulhado nas ondas alvíssimas do éter divino, ouvindo as doces vibrações que cortam o espaço, as harmonias celestiais entoadas por todos os seres e repetidas por todos os elementos que vivem na superfície dos deliciosos mundos espirituais?

Quem há de trocar a luz das auroras pelas trevas das noites tenebrosas?

Quem há de abandonar uma estrada florida, para palmilhar um caminho espinhoso, onde os pés se abrirão em chagas?

Quem haverá, aqui na Terra, que prefira reencarnar-se neste mundo atrasado, onde a vida é penosa e cruel, a viver em qualquer desses outros de cujas vidas acabo de dar-vos uma pálida ideia?

Qual de vós, meus irmãos, desejará condenar-se a si mesmo a viver a vida penosa e atrasada dos mundos de provações inferiores, quando poderia gozar a vida dos grandes espíritos, desfrutar as delícias do viver dos eleitos e bem aventurados?

Quem terá a coragem de afirmar que a vida da Terra é a única e a mais feliz?

Só a insensatez ou a ignorância da verdade espírita seria dado faze-lo...

Mundos divinos ainda existem além, nos quais a felicidade e o encanto do viver das almas não posso, não sei mesmo descrever, pois nunca lá fui e tão cedo lá não entrarei.

Conheço essa vida pelo que deduzo das vidas dos outros mundos que lhes são imediatamente inferiores, onde já se pode confabular, quase diretamente, com os que habitam aqueles planos celestiais.

Mundos divinos! quando lá chegaremos nós, meus amigos?

Quando seremos perfeitos para gozar as indefiníveis delícias desse viver de santos, desse existir de almas divinas?

Quando, meus irmãos, poderemos nós voar até essas celestes regiões, onde só existe amor, misericórdia, justiça, sabedoria, luz e verdade - Deus, enfim?            

Quem lá chegará? Quem logrará a ventura de subir tão alto, de galgar esses céus, escalar essas regiões feitas somente das claridades divinas?           

Quem poderá, meus irmãos, alcançar essas glórias?

Mundos de Deus! terras benditas! regiões imaculadas! planos de luz! casas do Senhor! moradas dos justos!

Que a vossa luz caia sobre nós; que os vossos doces e mágicos fluídos desçam sobre os meus irmãos da Terra, inspirando-os para o bem e para a virtude; que a luz dos vossos sóis ilumine o caminhar desta pobre humanidade terrena, guiando-lhe os passos na ascensão gloriosa em demanda dessas paragens benditas!

Fazei descer sobre este planeta os suaves clarões da glória divina, para espancarem as trevas da noite profunda que reina em torno dos meus irmãos da Terra!

Abri as vossas fontes de energias e luz e fazei jorrar essas sagradas forças sobre os meus queridos irmãos, a fim de que possam marchar com firmeza e resolução no caminho da salvação, na estrada do bem, na trilha do dever; da caridade, da luz, da paz e do amor! Oh! mundos de amor, focos de justiça, fontes de luz, mananciais inesgotáveis de doçuras e afetos sem par!

Céus Infinitos! sacrários de esperança! Escrínios eternos de caridade e de amor! derramai sobre a Terra todas essas virtudes que transbordam de vós; inundai de bênçãos e de luz esta Terra, este mundo de sofrimentos, martírios e lágrimas; entornai sobre esta pobre gente o bálsamo e as consolações da fé, os grandes lenitivos da misericórdia infinita, o conforto da sabedoria e da infinita piedade do coração de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Rolai, mundos divinos, rolai! levando convosco esta prece que o espírito de Copérnico profere aqui, na superfície da Terra, clamando justiça, suplicando perdão, pedindo luzes, implorando a infinita misericórdia de Deus para este planeta, para este mundo, onde tem cumprido parte das suas provações e onde deseja ainda reencarnar-se para auxiliar o caminhar da humanidade terrena para esses mundos de luz e amor!

Dá que possa o espírito que está na tua presença, Senhor! renascer ainda um dia neste vale de lágrimas; concede a esta alma que está diante de Ti e do Teu Filho - o divino Jesus, voltar à Terra para viver, trabalhar e morrer para o bem, para a salvação e o resgate deste mundo de trevas!

Que Deus, na Sua divina bondade, nos ouça, meus irmãos, e nos dê a paz e a salvação eternas. Adeus.
Copérnico
Janeiro de 1917

Informações Complementares

            Nicolau Copérnico - (Toruń, 19 de Fevereiro de 1473 - Frauenburgo, 24 de Maio de 1543) foi um astrônomo e matemático polaco que desenvolveu a teoria heliocêntrica do Sistema Solar. Foi também cónego da Igreja Católica, governador e administrador, jurista, astrólogo e médico. Sua teoria do Heliocentrismo, que colocou o Sol como o centro do Sistema Solar, contrariando a então vigente Teoria Geocêntrica (que considerava a Terra como o centro), é considerada como uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, tendo constituído o ponto de partida da astronomia moderna. Fonte: Wikipedia

Fim


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

VIII. 'Apreciando a Paulo'



VIII
‘Apreciando a Paulo’
      comentários em torno
    das Epístolas de S. Paulo
   por Ernani Cabral

Tipografia Kardec - 1958


“Vós, mulheres, estais sujeitas a vossos próprios maridos,
como convém ao Senhor,
            Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas.
Vós filhos, obedecei em tudo a vossos pais;
 porque isto é agradável ao Senhor.
Vós, pais, não irriteis a vossos filhos,
para que não percam o ânimo”.  Paulo, Colossenses, 8:18 a 21.


            O problema doméstico, entre todos, é o mais importante.

            Quem não sabe ajustar sua vida íntima, como poderá dar o exemplo de amor aos seus semelhantes? 

            Jesus somente justificou o divórcio em caso de infidelidade (Mateus 19:9), e o profeta Malaquias. já recomendava que, “ninguém seja desleal para com a mulher da sua mocidade”. (Malaquias, 2 15).

            Fora daí, “o que Deus ajuntou, não separe o homem.” (Mateus, 19:6).

            É bem exato que há vidas conjugais que são um verdadeiro inferno. Mas o cristão que assim viva, por incompatibilidade absoluta de gênio ou por diversidade de educação, deve suportar sua cruz, quando mais não seja, por amor aos filhos, esforçando-Se sempre por conseguir a paz doméstica.

            O casamento, às vezes, é uma provação. Muito mérito terá, perante Deus, aquele que sofrer com resignação, por dedicação aos seus deveres matrimoniais. Além disto, a vida fora do casamento, para aqueles que já o contraíram, é pior. Cada qual tenha nobreza e resignação em carregar sua cruz, certo de que a misericórdia divina a ninguém desampara.

            Uma das figuras mais reprováveis é a do déspota ou tirano doméstico, seja homem, seja mulher.

            O cônjuge que pretenda impor sua vontade no lar, violentamente, aos gritos, aos descontroles e com falta de educação, é antes de tudo um doente moral, digno da piedade, da tolerância e da compaixão do outro, se for mesmo espírita.

            Reconhecemos que é talvez uma das provações mais duras, mais difíceis, mais cheia de sofrimentos, a de privar, constantemente, com alguém que não tem equilíbrio, nem o senso exato das coisas, fala sem cessar, ou que é destituído da necessária caridade para com os que vivem sob o mesmo teto.

            Mas quem foi que disse que este mundo é celestial? Esses dramas íntimos e dolorosos, quando suportados com abnegação, por amor à família, não podem deixar de servir, sobremaneira, para a purificação do Espírito.

            Nós, porém, que somos cristãos, temos o ensinamento de Paulo a nos nortear a vida conjugal:

            “Vós, mulheres, estais sujeitas a vossos maridos, como convém ao Senhor”.

            O marido é o cabeça de casal, o chefe da sociedade conjugal, seja pela lei humana (Código Civil, art. 233), (1) seja pelos princípios da moral divina, como deflui dessa lição de Paulo, o apóstolo vulgarizador do Cristianismo.

            (1) Do Blog: A legislação em vigor trouxe igualdade de direitos e de obrigações ao casal.

            Toda mulher que pensa ao contrário, por um conceito de emancipação exagerado ou por suposição errônea de supostos direitos, ofende a lei humana e a lei de Deus. Por isto, há de dar contas de seus atos ao Senhor, porque é uma rebelada, infernando a vida do lar, que precisa ser o reino da paz e um ninho de amor. Portanto, convém que ela faça tudo para corrigir-se, aprendendo a ser obediente ao marido (a obediência é uma virtude evangélica), sobretudo se é espírita, ou melhor, se pretende mesmo ser cristã.

            Por sua vez, quanto ao marido, o grande Paulo de Tarso aconselha:

            “Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas”.

            O apóstolo prega a brandura doméstica. Nada de violência por parte do cônjuge varão.

            Usemos de caridade, de benevolência, de tolerância para com a mãe de nossos filhos ou para com a esposa que Deus nos deu.

            A mulher é sempre mais fraca, mais nervosa, mais sofredora, salvo raras exceções. Geralmente, é quem suporta a parte pior do casamento. São as lutas, os sofrimentos próprios ao sexo, as canseiras, os trabalhos domésticos, a dedicação ao marido e aos filhos, o que as esgota.

            Destarte, por que não compreender os seus problemas que, com uma aparência simples, são complexos e depauperantes? Por que as irritar com exigências descabidas ou com impertinências?

            A paz doméstica deve ser nossa primeira preocupação. Façamos tudo por alcança-la, pois só assim poderemos servir com eficiência a Jesus, fora do lar.

            A mulher é sempre o braço direito do marido, como este o é da mulher. De sua meiguice e de sua paciência muitos benefícios poderão resultar para a família. Ela deve procurar vencer sempre pelo amor e jamais com imposições ou explosões de nervos, que revoltam, em vez de edificar. O marido, por sua vez, precisa ser brando, compreensivo e tolerante, e não descambar para a violência de palavras ou de gestos, agindo como se fora um tirano doméstico. Além disso, os filhos, criados nesse ambiente de lutas íntimas, crescerão nervosos e cheios de complexos, contribuindo os pais, portanto, para sua infelicidade.

            Dizem os Mensageiros do Senhor que o culto no lar muito contribui para estabelecer um ambiente de amor e de harmonia na família.

            Dediquemos ao menos um dia por semana para a leitura do Evangelho em nossa casa.

            Poderemos abri-lo ao acaso. Por coincidência (sabemos que em Espiritismo não há coincidências) o ponto abordado será de muito proveito. A leitura do texto poderá ser feita por um filho, após a prece inicial. Então, qualquer membro da família fará um ligeiro comentário, dando suas impressões sobre a leitura feita. Em seguida, cada um fará uma prece, repetida mentalmente pelos outros, sem que esqueçam do Pai Nosso, a oração dominical, pois foi a que Jesus nos legou.

            Verificar-se-á nessa ocasião a sintonia com os guias do lar, os Espíritos protetores da família.

            A palavra divina, qual gota de orvalho, irá refrigerando os corações; e a semente do amor, aos poucos, germinará e será fortalecida pelos laços da espiritualidade superior e pela irradiação daqueles corações que buscam, o amparo generoso do Pai Celestial.

            A prece de encerramento, que poderá ser dedicada a Maria Santíssima, nossa Mãe Celestial, desde que feita com sinceridade, implorando harmonia, completará a súplica dos que buscam o consolo do Senhor, recordando-se também, humildemente, de seus ensinamentos, que são “espírito e vida”, fonte eterna de todas as bênçãos.

            Se, por qualquer circunstância, os filhos não puderem participar desse banquete de luz, os pais reúnam-se assim mesmo, em nome do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, como disse João Batista.

            E se apenas um membro da família foi espírita, faça somente ele, confiadamente, sua leitura e suas preces, em proveito de todos os entes queridos, encarnados e desencarnados, que algum dia poderão vir a participar desse culto doméstico, na verdadeira comunhão, que é a da espiritualidade e do amor.

            Continuando a apreciar os versículos acima transcritos, reconhecemos que é lamentável que nem todos os filhos sigam ou conheçam os conselhos do apóstolo Paulo:

            “Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais; porque isto é agradável ao Senhor.”

            Os pais têm a experiência da vida, de que os filhos, geralmente, por incompreensão, por vaidade ou por orgulho, duvidam. Os pais desejam, tão somente, a felicidade de seus queridos meninos, pois eles assim nos são, mesmo depois de crescidos, de vez que os criamos com amor, alegrando-nos sempre com os seus triunfos e sofrendo com as suas desilusões. Para nós, pais, eles se nos apresentam sempre como as crianças que vimos crescer, e que, por maiores ou mais cultos que sejam, enquanto vivermos, não poderão ter o mesmo conhecimento da vida, que os anos nos deram, com suas desilusões. Mas precisamos ter compreensão e tolerância para com eles.

            Foi por isto que Paulo também nos recomendou:

            “Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que eles não percam o ânimo!”

            Sejamos brandos e generosos, embora sem perdermos a energia, quando vivam sob nosso teto. Temos o dever de corrigi-los, e o verdadeiro amor não transige com erros, mas procura educar, para que amanhã nos possam honrar as cãs e as tradições do lar que
fundamos, confiados no Divino Mestre, que exemplificou amor, mas que também demonstrou energia, no mundo em que viveu.

            E nosso lar é um mundo. Mundo de carinho, de amor, de afeto e de bondade.

            Base do Estado, é a família, outrossim, a célula fundamental do gênero humano. Nela se devem alicerçar nossos sentimentos de amor, de tolerância e de compreensão. É em seu aconchego que se manifestam as mais puras virtudes cristãs: é em seu contato que se aprimora o caráter e que nosso Espírito se eleva, em busca de Deus. Compreender e amá-la, é nosso dever. Servi-la, é a maior alegria que podemos ter na Terra.

            Felizes, portanto, os que têm noção de família e os que se sabem sacrificar por ela, pois só a abnegação demonstra a verdadeira elevação espiritual!

            Convém finalizarmos com a sentença luminosa de Nosso Senhor:
           
            “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me.” (Mateus, 16:24)


            E que Paulo de Tarso, do alto das regiões celestiais onde se encontra, nos faça compreender que toda a lição do Evangelho e de suas Epístolas, nele fundamentadas, resume-se apenas em AMOR.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

45. 'Revelação dos Papas' - Isaías, o Profeta


45
‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)

- Comunicações d’Além Túmulo –


                               Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier

Officinas Graphicas d’A Noite
Rua do Carmo, 29
1918


Isaías, o profeta

Apresenta-se ao médium vidente o espírito de um velho meio calvo, 
de barba e cabelos brancos,  tendo aos ombros uma pele. 
Está envolvido por uma luz brilhante, viva, deslumbrante e,  
ao mesmo tempo, acompanhado de um poderoso foco verde.
Cercam-no espíritos luminosos.


            Sou um dos pequeninos, dos mínimos filhos de Deus. Sou um pobre, um humilde, um nada no mundo onde vivo, de grandezas de verdades puras e eternas!

            Vim à Terra para de novo profetizar, anunciar, proclamar, espalhar e divulgar grandes e benditas verdades! Vim ao vosso encontro para anunciar-vos o eclipse e a aurora que se verificarão no mundo em que habitais! Venho trazer-vos muitas certezas; venho a afirmar, acentuar, defender, edificar, consolidar o que está fraco, abalado pela fúria dos ventos da desordem que tem soprado sobre o vosso atrasado planeta!

            Estou entre os homens para dizer-lhes que a hora em que vivem, cheia de aflições e desesperos, se prolongará ainda, continuará por algum tempo, e esse eclipse que ensombra a Terra, a treva que envolve o mundo se tornará ainda mais espessa, mais densa, mais negra. O desespero do homem não terminará de pronto, a sua tranquilidade, a sua paz virá aos poucos, lentamente, devagar, à medida que o arrependimento for invadindo as almas, o sentimento da fé for enchendo os corações e a luz da verdade espírita e as claridades do Evangelho de Jesus forem dissipando as sombras em que se acha envolta a consciência do homem moderno.

            Tudo tem fim, tudo passa, extingue-se, desaparece, apaga-se, na superfície do vosso mundo, onde tudo é transitório e efêmero, por isso, a dor imensa que ora vos aflige passará, extinguir-se-á. Mas, até, que chegue o dia da felicidade, a hora da extinção da dor e do martírio, da tortura, da lágrima, muitos conhecimentos extraordinários tendo lugar; assistireis ao desabar de muita coisa, ao tombar de glórias, ao esfacelamento de muitos sonhos, à destruição de muitas esperanças, à humilhações, rebaixamentos, quedas de muitas grandezas, ofuscamento de muitos falsos brilhos; vereis muito orgulho despedaçado, muita vaidade ferida de morte, muita riqueza transformar-se na mais extrema penúria, muito ouro reduzido a pó, muita luz transformar-se em treva, a sabedoria humilhada ante a verdade, pura e absoluta e reduzida à mais crassa ignorância!

            Vereis muito sol ofuscar-se, desaparecer, apagar-se, detido na sua marcha, na ascensão que se afigura a vós outros gloriosa e incontrariável; vereis ainda a lágrima transformar-se em riso, a luz surgir das trevas, a miséria metamorfosear-se em opulência e grandeza; vereis o que hoje vos parece mentira e absurdo adquirir o brilho e o fulgor das grandes e imaculadas verdades!      

Haveis de assistir ainda ao acontecimento sublime da transformação dos costumes, da regeneração do caráter, do aperfeiçoamento da moral e da justiça, da purificação dos espíritos e da salvação das almas!

Haveis de ver ainda o fogo destruir, queimar, reduzir cinzas, o que foi escrito com a intenção de ofender, ultrajar, a Infinita Sabedoria e o Infinito Amor! Vereis ainda a chama carbonizar o que se escreveu para mentir, enganar, sofismar, contrariar a verdade, apagar o nome de Deus e de Jesus! Presenciareis também ao formidável espetáculo das multidões (desvairadas, rugindo de indignação, bramindo, abrasadas do verdadeiro sentimento e amor), despedaçarem os ídolos, destruírem os falsos templos, incendiando os palácios dos que se locupletaram com o suor dos pobres e dos humildes, em nome da fé, por amor de Deus, como afirmam, e de Jesus, o Seu filho amado!

Haveis de assistir ao rolar por terra dos falsos e ilegítimos poderes, ao abater das grandes forças até então consideradas invulneráveis!

Vereis ainda os humildes glorificados, levados em triunfo pelas multidões delirantes de alegria, embriagadas de prazer, por haverem destruído o falso para erguer, levantar, erigir, o justo e o verdadeiro!

Ouvireis ainda o rumor longínquo e assustador da guerra, mas da guerra por amor da verdade; por um ideal alevantado e santo pela paz, pela ordem, pela justiça, pela moral e pelo amor! Contemplareis ainda o grande fato da unidade religiosa que se estabelecerá no planeta; assistireis ao termo desta era de horrores, misérias, e fraquezas, desgraças e infâmias, crimes e atentados, ambições e orgulhos vãos, e tereis a ventura de ver raiar a aurora da Era Nova, o advento do Espiritismo, vitória de Jesus e do seu Evangelho!

Sereis testemunhas dos grandes acontecimentos que se vão desenrolar na Terra para limpa-la, expurga-la, torna-la salubre e habitável pelas almas boas, meigas, humildes e puras que vão baixar sobre o mundo, para auxiliar o seu progresso e a sua salvação! Sereis testemunhas das gloriosas lutas filosóficas, cientificas, religiosas e sociais, em que se empenharão nobres e elevados espíritos que, de pontos diferentes do Universo, partem para a Terra, obedecendo à ordem suprema!

Haveis de ouvir as verdades trazidas nos lábios dos grandes filósofos do espaço infinito, escutareis as prédicas dos justos, dos puros e dos santos! Tereis a doce satisfação de receber, pela boca dos gloriosos arautos do Senhor, as mais puras e excelsas provas de amor e divino afeto! Sentireis ai na Terra a presença de Jesus na pessoa desses enviados, nos ensinos que semearão por toda parte, nos exemplos que vos oferecerão por todos os pontos do vosso globo, nos atos de brandura, amor e caridade que praticarão esses abnegados servos do Senhor!

Ides assistir ao advento de uma quadra feliz, ao começo de uma nova história, de uma nova ciência apoiada na verdade, no bem, na humildade e no amor! Ides assistir ao grande acontecimento da paz universal, ao congraçamento das raças, à confraternização dos povos, unidos pelo mesmo sentimento de piedade, fé, justiça, verdade, moral e amor! Assistireis à derrocada dos preconceitos, à demolição das convenções, ao ruir das pretensões absurdas e tolas de tudo saber, de tudo negar, de viver sem Deus, sem fé, sem moral, sem crença, sem amor, sem Jesus - que é a luz mais poderosa, mais brilhante, o sol mais puro que poderá guiar o homem na vida! Haveis de ver cair todos os absurdos, as incoerências, os abusos, as ambições, os despotismos, as mistificações, a autoridade apoiada na força material, o direito adquirido pela fatalidade de nascimento, os privilégios e as castas, os monopólios e as contravenções!

Contemplareis grandes coisas, os vossos olhos enxergarão ainda muitas misérias, muitas torpezas, muita lama, muito lodo! Os vossos ouvidos escutarão ainda muitas lamentações, muitos gemidos, muitos soluços, muitos gritos aflitivos, muitas imprecações, muitos anátemas e maldições! As vossas mãos apalparão muitas chagas, pensarão muitas feridas, sentirão o bater lento e pausado dos corações, onde a vida se extinguirá aos poucos! Os vossos pés percorrerão ainda muitos lugares, pisarão muitos cada veres, tingir-se-ão do sangue derramado no vosso caminho! Andareis ainda em meio das multidões vestidas de luto, varadas pela dor de haverem perdido o que de mais caro possuíam no mundo! Tereis ainda que chorar, gemer, sofrer, padecer, para poderdes alcançar a vossa liberdade e a vossa salvação!

Tendes diante de vós uma estrada espinhosa, cheia de urzes e grandes atoleiros, mas; à, medida que fordes avançando, o caminho percorrido irá se cobrindo de flores, as pedras se transformarão em frutos e sangue; convertido em doce néctar formará o córrego manso que ladeará esse caminho! À proporção que avançardes, as vossas pegadas transformar-se-ão em rastro luminoso, onde brilharão a pureza e a fé que ireis conquistando á custa dos mais cruéis e ingentes sacrifícios, dores, vicissitudes e lágrimas!

Caminhai! caminhai, meus amigos! Caminhai sem tréguas, nem desfalecimentos, porque o sacrifício que ora fazeis vos dará, um dia, a felicidade, vos conduzirá à perfectibilidade, à salvação e à gloria! Ide sempre caminhando! caminhando, lutando, sofrendo, chorando, gemendo, derramando sangue, curtindo dores, orando; implorando a Deus o auxílio e o conforto da Sua misericórdia, o amparo da Sua justiça, a força da Sua sabedoria, a luz da Sua graça, 'do Seu amor e da Sua misericórdia! Ide, meus amigos e companheiros, irmãos queridos! Ide, que "os tempos são chegados"; a hora santa vai soar, o momento da salvação aproxima-se!

Caminhai, caminhai! Prossegui! Marchai ao encontro do novo sol! Sai da noite para a aurora que vem rompendo além, onde, do alto, Deus Nosso Senhor vos contempla e Jesus vos abençoa e vos espera de braços abertos, para estreitar-vos num amplexo amoroso, apertando-vos contra o seu peito, onde pulsa o coração do Mestre - esse coração que é a vossa pátria, a vossa casa, a terra da promissão que vos espera!

Tenho dito.

Adeus.
Isaías, o profeta

Maio de 19I6.
           
Informações complementares
            Isaías foi um profeta notável e é o mais citado pelos apóstolos. E quando Jesus entrou na sinagoga de Nazaré, os sacerdotes apresentaram-lhe o Livro de Isaías e Ele o abriu, justamente, onde estava. escrito: - "O Espírito Santo está sobre mim, porquanto me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração. A apregoar a liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos; a pôr em liberdade os oprimidos; a anunciar o ano aceitável do Senhor". (Lucas 4-16/19).
            Segundo informação dada pelo espírito Ramatis,  Isaías voltou, de novo, à Terra, tendo reencarnado em 14-12-1503, sob o nome de Miguel de Nostradamus, o famoso vidente cujas profecias constam de uma obra (Centúrias ), publicada em diversos idiomas.
            As previsões de Nostradamus referem os grandes acontecimentos que hão de ocorrer na Terra até ao fim deste século.  E a fidelidade com que as mesmas estão sendo cumpridas, faz com que ele seja considerado o mais célebre profeta, depois dos profetas bíblicos. As suas premunições são fundadas também na ciência da astrologia, que ele conhecia profundamente.

página 89 do livro ‘Emissários da Luz e da Verdade’

1ª Edição 1959    Ed. Divino Mestre - R  RJ