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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O Porquê das Parábolas



Porquê das Parábolas

13,10 Os discípulos aproximaram-se dele, então, para dizer-lhe: - Por que lhes falas em parábolas?
13,11 Respondeu Jesus: “ -A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus mas, a eles, não.
13,12 Ao que se tem, se lhe dará e terá em abundância; mas, ao que não tem, será tirado até mesmo o que tem.
13,13  Eis porque lhes falo em parábolas: Para que vendo, não vejam e ouvindo, não ouçam nem compreendam.
13,14 Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta Isaías; “Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis,
13,15 Porque o coração deste povo se endureceu: Taparam os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos para que seus olhos não vejam, e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare.” ( Is.6,9s )
13,16 Mas, quanto a vós, bem aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem!
 13,17 Eu vos declaro, em verdade: Muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; ouvir o que ouvis e não ouviram.”


         Para Mt (13,10-17) -Porquê das Parábolas?, encontramos a palavra de  Joanna de Ângelis, no Cap. XVIII de “O Evangelho...”:
                       
            “Tira-se aquele que nada tem, ou tem pouco;- tomai isto como uma oposição figurada. Deus não retira às suas criaturas o bem que se dignou fazer-lhes. Homens cegos e surdos! Abri vossas inteligências e vossos corações; vede pelo vosso espírito; ouvi pela vossa alma, e não interpreteis de maneira tão grosseiramente injusta as palavras daquele que fez resplandecer, aos vossos olhos, a justiça do Senhor.

            Não é Deus que retira daquele que havia recebido pouco, é o próprio espírito, ele mesmo, que, pródigo e negligente, não sabe conservar o que tem, e aumentar, na fecundidade, o óbolo que lhe caiu no coração

            Aquele que não cultiva o campo que o trabalho de seu pai lhe ganhou, e o qual ele herda, vê esse campo se cobrir de ervas parasitas. É seu pai quem lhe toma as colheitas que não quis preparar?  Se deixou  as sementes destinadas a produzir nesse campo, mofar por falta de cuidado, deve acusar seu pai, se elas não produzem nada? Não, não; em lugar de acusar aquele que tinha tudo preparado para ele, de retomar seus dons, que acuse o verdadeiro autor das suas misérias e que então, arrependido e ativo, se lance à obra com coragem; que rompa o solo ingrato com o esforço da sua vontade; que o lavre a fundo com a ajuda do arrependimento e da esperança; que nele jogue com confiança a semente que tiver escolhido como boa entre as más, que a regue com o seu amor e a sua caridade, e Deus, o Deus de amor e de caridade, dará aquele que já recebeu. Então, ele verá os seus esforços coroados de sucesso, e um grão produzir cem, e um outro mil.

            Coragem, lavradores; tomai as vossas grades e as vossas charruas; lavrai os vossos corações; arrancai dele o joio; semeai ai a boa semente que o Senhor vos confia e o orvalho do amor o fará produzir os frutos da caridade.”
           
            Para Mt (13,11) -A vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus - escolhemos texto de Roque Jacintho, conforme apresentado em “Jesus e Kardec”:

            “Em Espiritismo-cristão, na atualidade, vencida a fase da Codificação, quando a Doutrina deita raízes nos corações humanos, temos duas classes de colaboradores:

            * os que se ajustam diariamente aos ideais Espíritas;
            * os que intentam, com o nome do Espiritismo, consagrar os seus próprios ideais.

            Os primeiros são aqueles que, dia a dia, assenhoreando-se, pelo estudo e pelo trabalho, dos postulados básicos do Cristianismo redivivo, procuram modificar-se, renunciando seu modo de pensar e de sentir, para pensar e sentir segundo os princípios transmitidos pelo Espírito da Verdade. Ouvimo-los humildemente afirmar: - Sobre este assunto eu pensava assim. Mas, a Doutrina espírita ensinou-me a compreendê-lo de modo mais claro e, hoje, aceito desta forma...  A Doutrina, para eles, significa renovação contínua.

            Os segundos são daqueles que, tomando contato com a fenomenologia mediúnica, sem ocupar-se de suas conseqüências morais; ou ocupando-se dos postulados doutrinários como ilustração mental, sem as implicações decorrentes em nosso comportamento diário; ou sensibilizados pelas instituições assistenciais que se erigem em nome do amor - procuram realizar, nas fileiras Espíritas e nos seus núcleos de estudos e trabalhos, as suas próprias e pessoais aspirações.

            Acreditam-se tão Espíritas que dispensam a revisão de si mesmos, no dia a dia. Crêem-se representantes da espiritualidade maior e agem qual se tivessem recebido delegação de autoridade, opinando, agindo e reagindo sem outras reflexões, como se não tocasse aos Espíritos experimentar sucessivos polimentos psíquicos até sentirem-se ajustados ao clima mental de Jesus. Sondando os seus corações, ouviremos dizer:

            -Eu penso assim. Logo, tem que ser assim! Fazem-se, com o tempo, os açambarcadores do pão da vida. Transformam-se em duros sacerdotes da nova fé.          

            Sustentam à força de verdadeira manobras políticas a sua posição diretora, obstando que os quadros de serviço das instituições em que estagiam sofram a necessária progressão; quando não podem acompanhar o progresso, habituam-se a denegrir os que se encontram na vanguarda, a fim de retardar-lhes a marcha e viverem na ilusão de que estão na frente;  são pródigos em sorrisos gentis pela frente, deitando fogoso veneno pela retaguarda, criando em muitos a suspeição sobre outros seareiros da Vinha do Senhor; sustentam teatrais demonstrações de piedade por co-participantes de tarefas espíritas, afirmando sobre os que não lhes endossam os propósitos: São pobres obsidiados; fiscalizam as portas de nossos templos de fé e só franqueiam tarefas aos que consideram puros de coração, distanciando-se horrorizados e pudicamente dos enfermos da alma, olvidando que o Mestre já nos advertiu: “Os doentes é que precisam de remédio.”

            À sorrelfa informam que o Espiritismo não é feito para o povo, pois que nem todos podem compreendê-lo, qual se a luz fosse seu privilégio exclusivo; tornam-se amantes da maledicência, enlameando a honra e a vida daqueles que não se curvam à sua prepotência;  agem quais proprietários da Verdade, herdeiros únicos do entendimento celestial, pondo a correr de sua área de influência os que não louvam sua sapiência e que pedem o ajuste de todos os programas do Senhor Jesus; cultivam a beneficência, sem consagrar a caridade, porquanto, socorrendo materialmente os pobres, não deixam de louvaminhar os endinheirados do Mundo, criando posições de privilégio nos quadros do movimento doutrinário; as suas opiniões recendem o dogmatismo, sensibilizando-se doentiamente com aqueles que lembrem a urgência de ajustar-nos à Doutrina, sem pretender temperar a doutrina  ao nosso paladar; não suportam o livre exame, mesmo feito na intimidade, dos atos coletivos e procuram criar uma sucessão incabida de cargos, delegando a amigos e familiares alguns postos diretores, desde que estes se façam instrumentos dóceis de suas determinações.

            Fanatizam-se pelo encargo que lhes foi confiado pela misericórdia do Mais Alto, ironizando aqueles outros que se dedicam a outros núcleos e a outros setores do Espiritismo cristão; sentem, nos demais agrupamentos de trabalho, não a presença de postos de socorro espiritual e, sim, concorrentes que podem empanar o brilho de sua vaidade; negam a colaboração fraterna aos outros, mas aqueles que não possam circunstancialmente colaborar com seus programas e com seus propósitos, são estigmatizados por perturbadores e usurpadores na Doutrina...

            Ninguém poderá negar que se encontram na Doutrina. Evidentemente, porém, eles se comprazem em ignorar a revisão periódica que devemos fazer em nós mesmos, podando um a um todos os comportamentos e todas as soluções que, mesmo consagrados pelos homens, não se ajustem ao Cristianismo redivivo. Não impedem o progresso, mas retardam a sua marcha.

            À frente de companheiros tais, cabe-nos pregar e exemplificar os princípios Doutrinários, sem desfalecimento e sem deter-nos em longas e improfícuas porfias verbalísticas. No crescimento do bem, na ação Espírita contínua, está o antídoto do mal de todo egoísmo e de todo orgulho. Sem alijá-los  de nossas fileiras, porque são carentes de tolerância e de fraternidade, um dia eles se renderão à necessidade inadiável de todos procurarmos ajustar-nos ao clima mental do cristianismo, sem obstinar-nos em pretender que a luz do Alto tenha a nossa coloração.

            Trabalhemos mais ainda para não sermos um deles.”

            Complementando, a palavra de Emmanuel para  Mt  (13,12) - Até o que tem lhe será tirado - conforme “Benção de Paz” por Chico Xavier:
           
            “Quanto mais tiveres: posses sem utilidade; títulos sem aplicação;    conhecimento sem trabalho;  poder sem benevolência;  objetos sem uso; relações sem proveito; menos livre te reconhecerás para ser feliz.

            Decerto que a independência não quer dizer impassibilidade à frente da vida; é razoável possuas reservas amoedadas, mas é importante se mantenham colocadas a serviço de amparo e do progresso comunitários; que te exornes com lauréis terrenos, entretanto, mobilizando-o em auxílio dos semelhantes; que entesoures cultura, todavia, utilizando-lhe as possibilidades em benefício do próximo; que disponhas de autoridade, contudo, manejando-a na administração da bondade e da justiça; que conserves pertences individuais, doando, porém, o supérfluo no socorro aos que sofrem na retaguarda; que contes com legiões de amigos, mas buscando motivá-los para as obras da beneficência e da educação.

            Quanto mais retivermos do que somos e temos, em louvor do egoísmo, eis-nos mais escravos da sombra em que se expressa o domínio do eu; estejamos, porém, convencidos de que, quanto mais dermos do que somos e temos, em apoio dos outros, mais livres nos tornamos para assimilar e esparzir a luz que entretece o Reino de Deus.”

                                                           

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