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domingo, 20 de janeiro de 2013

8. "O Cristianismo do Cristo e o dos seus vigários"





8
 “O Cristianismo do Cristo
e o dos seus Vigários...
           
Autor: Padre Alta (Doutor pela Sorbonne)
Tradução de Guillon Ribeiro
1921
Ed. Federação Espírita Brasileira
Direitos cedidos pela Editores Vigot Frères, Paris


PREPARAÇÃO PROVIDENCIAL DO CRISTO E DOS SEUS VIGÁRIOS


            Conheceis este dito, um tanto paradoxal, de Oscar Wilde, na admirável confissão, a que deu o titulo de De Profundis: "Não houve cristãos depois de Jesus Cristo; mas, para consolação nossa, houve antes?"

            É esse Cristianismo anterior a Jesus Cristo que primeiramente estudaremos.

            Alguns historiadores das religiões, reconhecendo na Teologia Cristã as precedentes tradições por ela assimiladas, disseram: "Tal dogma, tal doutrina moral, tal forma cultual ou hierárquica são de origem egípcia, caldaica, persa, hindu, helênica, ou latina". E imaginam ter, com isso, tirado todo valor ao Cristianismo. Assemelham-se esses senhores a um químico que, analisando os componentes químicos do corpo humano, imaginasse haver, por esse simples fato, destruído o papel da força vital, que espontaneamente se apoderou desses diversos elementos, os elaborou, transformou e com eles construiu, primeiro, o lindo corpinho da criança, depois o corpo do homem ou da mulher, harmônico, estético, expressivo de inteligência e de vida.

            Outros, não menos eruditos e, na mesma medida, pouco transcendentes, pretendem explicar a origem da Religião, comprovada por toda parte, em todos os povos, desde os séculos mais distantes, Unicamente pela imaginação humana, negando Deus e os deuses. Esses honestos sábios são tão admiráveis quanto um meteorologista que pretendesse explicar todos os fenômenos terrestres, movimento diurno e anual, luz do dia e da noite, germinação das plantas, produção das flores e, por fim, a maturação dos frutos, sem a intervenção do Sol, da Lua e das estrelas.

            Peço humildemente perdão a esses senhores, mas a mim me parece que também o Céu desempenha um certo papel nos fenômenos terrestres, ainda os mais materiais, e, com maior soma de razões, nos fatos espirituais.

            Por outro lado, é opinião quase universal entre os cristãos que o milagre é ato próprio somente de Deus, em a Natureza e na Humanidade.

            Mas, que entendem eles por "milagre"? "Um fato contrário às Leis da Natureza".

            Esta opinião esquece duas verdades, assim de fé, como de razão: 1º que Deus é o autor da Natureza e das leis da Natureza; 2º que Deus seria, realmente, imperfeito demais, se houvesse outorgado à Natureza leis tão pouco divinas que, para mostrar-se Deus, tivesse que as violar.

            Não! segundo a Razão e a Fé, Deus não poderia obrar contrariamente às suas próprias leis. Deus, portanto, no governo da Humanidade, não violará a liberdade, que é peculiar ao Homem, e, se teve um objetivo ao criar o Homem - sobre o que não pode haver dúvida, pois que Deus é inteligente - precisamente o em que Ele se mostrará Deus é em conduzir ao seu objetivo divino o Homem, não à força, como faz com uma máquina o mecânico, mas pela livre evolução do mesmo Homem.


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