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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

35c. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. da Fonseca



35c
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941



            Conta-nos o historiador, que os apóstolos achavam-se em pequena cidade da Macedônia, chamada Filipos, onde estiveram por alguns dias, e num sábado dirigiram-se para próximo de um rio, em lugar onde costumavam fazer orações, e assentados falavam às mulheres que, ali se ajuntaram. Dentre aquelas mulheres, só uma compreendeu bem o que Paulo dizia; era Lídia a vendedora de púrpura em Tiatira e só a esta o Senhor lhe abriu o coração para compreender o que Paulo dizia. (Atos, XVI, 12-14). No meio de tantas, só uma pode compreender. As outras não!

            A mesma coisa acontece entre os protestantes: do meio dos milhares que estudam a Escritura, há um ou outro que a compreende! A maioria está com o coração fechado...

            Quando os apóstolos estiveram alguns dias na residência de Lídia, saindo para orar (em algum outro lugar) u'a moça obsidiada seguia-os dizendo: "Estes homens que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus altíssimo". Nos primeiros dias, os apóstolos toleraram que ela dissesse a verdade, mas, conhecendo que ela era dessas mentecaptas perturbadas por Espíritos levianos, enfastiaram-se de ouvir da sua boca sempre as mesmas palavras: Paulo, depois que conheceu que era uma obsidiada, ordenou ao Espírito se calasse e deixasse a mulher em paz. Assim, em nome de Jesus, ele curou-a. Os apóstolos se descontentaram da enfadonha repetição das mesmas palavras que por muitos dias aquela moça lhes dizia!

            Ora, isso é muito natural. Quem é que se não aborrece de ouvir todos os dias sempre as mesmas palavras?!

            Ainda que seja uma grande verdade, repetida milhares de  vezes, não somente fica muito barateada, como enfastia os ouvintes de tal maneira que se torna importunação.

            Todos os que nos dedicamos à leitura dos livros santos, sabemos que Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim; Eu sou o bom pastor: Eu sou a ressurreição e a vida; Eu sou o pão vivo que desceu do céu; Eu sou a porta por onde entram as ovelhas; Eu, sou a luz do mundo; Eu sou a videira verdadeira e meu pai é o agricultor; porfiai por entrar pela porta estreita, porque a larga conduz à perdição; os maus irão para as trevas exteriores, onde ha o ranger dos dentes; para o inferno irão os malditos, para o diabo e seus anjos; os benditos de meu Pai irão para o reino que lhes está aparelhado desde o principio do mundo, etc., etc.".

            E que os apóstolos disseram: "O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado; em nenhum outro há salvação, porque do céu abaixo nenhum outro nome foi dado, senão o de Jesus; único mediador entre Deus e os homens; crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa; a fé sem as obras está morta; a caridade cobrirá multidão de pecados; ninguém pode pôr outro fundamento senão, o que já foi posto; hoje se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações; porque a palavra de Deus é viva e eficaz e mais penetrante do que a espada de dois gumes: porque todos devemos comparecer ante o Tribunal do Cristo, para que, cada um receba a recompensa do que tiver feito no corpo, de bem ou mal, etc., etc.".

            Ora, ninguém nega essas palavras; lá estão nos livros do Novo Testamento. Ninguém as contesta (1).

            (1) Bhagavad Gita; Parte VIII: 11-12.

            Há perto de quinhentos anos, os protestantes vêm repetindo, repisando, remoendo e barateando as mesmas palavras; vêm citando e recitando, todos esses versículos; batendo na mesma tecla todos os dias, todos os meses, todos os anos, todos os séculos: É aquela cantiga de carro, com a qual os carreiros não se incomodam; sempre o velho gramofone fazendo girar o mesmo disco, já todo riscado e roído pelo uso, e cuja agulha com a ponta gasta pelas infinitas repetições dá um som fanhoso que enfastia os que estão sempre ,e continuamente ouvindo-o...

            Por fim, acabam por não lhe prestar mais atenção.

            O protestantismo com essas repetições está fazendo o mesmo que fazia a moça que seguia Paulo, Lucas e Silas, em Filipos de Macedônia (1) que Paulo mandou calar, porque, o que dizia já se tornava um escândalo que os descontentava.

                 (1) Macedônia - País da Europa antiga, ao norte da Grécia, que compreendia essencialmente, nas bordas orientais do Pindo, entre os maciços do Olimpo ao S., e do Ródopo ao N. E., as bacias do Haliacmon, do Axios, do Strimon e dos Nestos, cercados pelos montes Orbelos, Scomios e Hemos. Existem narrativas antigas da Macedônia, em linguagem multo defeituosa, .escritas por Tucídides de Heródoto.

            Por que não procuram a verdade comparando as coisas espirituais com as espirituais? (1 Coríntios, II: 13-14-15). Por que não tiram da letra que mata o espirito que vivifica? (Hebreus, VI: 1; Filipenses, III: 14). Sobre este caso da moça doente, o que acima está escrito basta para que os leitores vejam a razão do nosso lado.





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