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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

34c. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. Fonseca



34c
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941


            O progresso do globo terráqueo é um fato inegável, as ciências e a civilização triunfaram dos prejuízos da ignorância e obscurantismo dos tempos primordiais da infância da humanidade. Quem terá a corajosa audácia de contradizer esta verdade?

            Mas, ainda assim, os protestantes que se dizem progressistas e liberais, voltam atrás, quase três mil e setecentos anos e vão agarrar-se a uma lei decretada nos tempos em que Matusalém de calça curta ia brincar de cabra cega com a criançada da sua idade. "E isto só e unicamente para perseguir uma ciência positiva, que explica a religião cristã por uma filosofia contrária aos seus interesses materiais!

            Ninguém mais dá ouvidos a essas leis revogadas; ninguém tem medo desse espantalho que atemorizava a geração da idade média; ninguém teme essa fantasmagoria criada pela imaginação dos ignorantes, batizada com o nome de Satanás, crismada e entronizada pelos protestantes.

... Entre ti não se achará quem
faça passar pelo fogo a seu filho
            ou a sua filha...  Deuteronômio, XVIII: 10.

           
            A História antiga nos dá notícia da existência da crença idólatra em muitos deuses maus, que, irados por causa dos crimes estúpidos cometidos pelo povo, castigavam cruelmente esse povo.

            Entre esses deuses, havia Moloch indignado e terrivel (1): Quando um vulcão deitava pela cratera fogo e lavas incandescentes, aquele povo imbecil acreditava ser o castigo de Moloch furibundo! Quando um raio destruía uma habitação ou carbonizava alguns homens, ou gados, era o castigo de Moloch! Inundação que houvesse, era ainda Moloch indignado e vingativo que queria destruir o povo asfixiado por submersão!

            (1) Moloch. A tradução do hebraico dá Chium, deus do fogo, que significa o Sol. (II Crônicas ou Paralipomenos, XXXIV: 4).

            Os cartagineses, os moabitas e os amonitas fundiam grandes estátuas ocas e, dentro delas, acendiam fogo em fornalha e lhe sacrificavam vítimas humanas. Quando Moloch estava furibundo, deitavam pela boca da estátua incandescente as inocentes crianças, filhos ou filhas dos fanáticos idólatras, a fim de acalmar a raiva de Moloch, que somente satisfazia a sua vingança devorando e digerindo no ventre de fogo crianças indefesas!

            Daí a proibição do Deuteronômio, XVIII: 10.

            Manassés construiu a estátua de Moloch ou Molek, que também tinha o nome de Baál, Baalin e Remfan, (Amós, V: 26; Atos, VII: 43; II Reis ou IV Reis, XXI: 3-6 e II Crônicas ou Paralipomenos, XXXIII: 3-6).

            O filho de Ezequias era um idólatra, agoureiro e feiticeiro; sacrificou os filhos, fazendo-os passar pelo fogo; adivinhava pelas nuvens (1) (versículos citados).

(1) Manassés era ainda uma criança quando começou a reinar, tinha 12 anos somente; não tinha o
juízo de homem e deixou-se sugestionar pelos charlatães e idólatras e seguiu os exemplos deles. (ll ou IV Reis, XXI)

            Era tão grande o número de crianças carbonizadas no ventre do ídolo pela superstição e fanatismo estúpido e brutal daquele povo, que Moisés, o legislador dos Israelitas proibiu, na congregação escolhida, o uso dessas abominações. Quais mestres, desde Moisés, os profetas, trabalhavam pela palavra e pela escrita e esforçavam-se para instruir o povo sem ciência nem educação, que queria expiar os seus crimes praticando crimes ainda maiores... Julgando acalmar a ira de Moloch, mais agravava a sua situação espiritual.

            Estes fatos, porém, são tão antigos que deles só se lembram os que compulsam a História ou os livros do Velho Testamento. Hoje não há povo que, por mais ignorante, pratique esses ridículos atos de desumanidade e estupidez. Não há mais Molochs incandescentes, nem pais desumanos e bestializados que deem a comer a famigeradas estátuas – fornalhas, seus tenros filhos.

            Julgarão os protestantes que os espíritas fazem passar seus filhos pelo fogo?

            Que relação existe entre a ignorância e superstição de Manassés e Amon, e a ciência doutrinal ensinada pelos Espíritos da Verdade, prometidos pelo Cristo, em S. João, XVI: 12-13? Que analogia há entre a doutrina espírita e os costumes bárbaros, existentes alguns milhares de anos antes da era dominical?

            Há tanta analogia como entre um ovo e uma espada! 

            Protestantes! Até quando persistireis subjugados voluntariamente ao império da letra que mata?



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