Translate

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

34. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. da Fonseca


 34
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941


CAPITULO VII


            Quando pois algum homem ou mulher em si tiver um espírito adivinho,
ou for encantador, certamente morrerão,
 com pedras se apedrejarão; o seu Sangue é sobre eles.

(Levítico; XX: 27; Deuteronômio, XVIII: 12).
            Citados pelo folheto da Califórnia.


            Os abusos do povo ignorante que buscava nas comunicações de além-túmulo a satisfação de sua curiosidade e ambições materiais é que eram muito prejudiciais naqueles tempos obscuros; por isso, os legisladores decretavam leis severas e até pena de morte aos infratores.

            Antes da era dominical, cerca de 1707 anos, era uso entre o povo fazer adivinhações, (Gênese, XLI: 8; XLIV: 5; Daniel, IV: 6-7) e fazer encantamentos. (Êxodo, IV: 2-4-6; VII: 10-11-12). José adivinhou os sonhos do Faraó e dos seus criados. (Gênese, XL, 12-13 e versículo 22).

            Moisés adivinhou a vinda do Messias (1) Isaias (2), Malaquias (3), Jeremias (4), Ageu (5), todos estes adivinharam o nascimento do Cristo, muitas dezenas de anos antes.

            (1) Deut, XVIII: 15;
            (2) Isaías, VII: 14;
            (3) Malaquias, III: 1;
            (4) Jeremias, XXXI: 22;
            (5) Ageu, II: 6-7; Isaías, IX: 6;
            (6) Daniel, IV: 18; V: ,7 e versículos 15-17 e 25.

            As adivinhações dos acontecimentos futuros encontram-se desde o Gênese até o Apocalipse, e escusado é fazer intermináveis citações bíblicas para provar que todos os homens santos adivinharam, tais são: Moisés, Isaías, Jeremias, Ageu, Zacarias, Joel, Davi, Malaquias, Daniel (6), José, filho de Jacó.

            Os documentos bíblicos destes versículos citados, nos cientificam da existência de adivinhos, encantadores e sábios astrólogos, que estavam às ordens dos reis Faraó, Nabucodonosor e Baltazar. (Gênese, XLI: 8) e dos encantadores. (Êxodo, VII: 10-11-12) Moisés não sabia fazer encantamentos e o próprio Espírito de Deus o ensinou; (Êxodo, IV: 2-3-4, 6) e lhe deu um Espírito adivinhante. (Êxodo, IV: 12). Samuel tinha um Espírito adivinhante que lhe falava aos ouvidos. (I Samuel ou Reis, IX: 15-17). Agabo adivinhou por Espírito que havia de haver uma grande fome, o que aconteceu no tempo de Claudio (Atos, XI: 27-28) .

            Quase todos os santos adivinhadores, (nos quais havia espirito adivinhante) foram perseguidos, a quase todos eles os potentados procuravam matar, segundo o testemunho bíblico. O sangue de todos aqueles, em quem havia Espírito adivinhante, era derramado e muitos caíam vítimas dos punhais dos assassinos legais, (S. Mateus, XXIII: 34-37) como o de Zacarias, filho de Baraquias.

            Todos os que prediziam o futuro, adivinhando por Espírito, eram perseguidos de cidade em cidade, açoitados e desprezados, viviam aflitos e maltratados (Mateus, XXIII: 34; Hebreus, XI:36-37-38) .

            O Cristo e os seus apóstolos (em quem havia Espírito adivinhante) foram  perseguidos, assassinados uns, maltratados outros, alguns lapidados; haja vista ao exemplo de Estevão, que tinha um Espírito que falava por ele. (Atos dos Apóstolos 108, VI: 10).

            Quererão os senhores protestantes seguir o exemplo dos assassinos? Desejarão ser seus imitadores?

            Não posso crer que eles queiram ver os espíritas apedrejados, aflitos e maltratados ou mortos a fio de espada...

            Querendo e não podendo destruir o Espiritismo, chamam a atenção para leis decretadas em tempos de supina ignorância, há 3630 anos! (1)

            (1) Acrescente-se mais 15, temoa 3645.

            Essas leis carunchadas já foram revogadas há muitos séculos! Elas foram substituídas por outras mais claras. As nossas leis brasileiras proíbem os abusos, mas não decretam pena de morte aos infratores. A inteligência humana desenvolveu-se. Não estamos mais no tempo dos Faraós. Nossos legisladores são homens sensatos e estão sempre aperfeiçoando as leis, de acordo com o progresso e compreensão do povo, de século em século.

            A obscuridade da ignorância já foi espancada pelas luzes da civilização. Estamos no século das luzes.

            Não queiramos retrogradar, recuar três mil seiscentos e trinta anos atrás e basearmo-nos em leis revogadas para fazer proibições impossíveis neste século de progresso, simplesmente para satisfazer ambições protestantescas.

            As crianças do passado são os adultos de hoje: deixaram as faixas da primeira infância... As igrejas, como velhas rabugentas, caducas e raivosas, correm em perseguição dos filhos barbados, tentando enfaixa-los de novo e querendo forçá-los a chupar nos murchos seios esgotados...

            Inútil tentativa! 



Nenhum comentário:

Postar um comentário