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sábado, 10 de novembro de 2012

30. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. da Fonseca


30
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941


            Mal sabia Saul que a mulher possuía também a faculdade mediúnica da vidência perfeitamente desenvolvida, e ia desabotoar do seu rosto a máscara da hipocrisia, pondo à mostra a sua verdadeira identidade.

            Depois de um juramento solene:

            "Vive o Senhor, que nenhum mal te sobrevirá por isso", (versículo 10) (1) a mulher consentiu em prestar o favor solicitado.

            (1 ) Nenhum mal te sobrevirá por isso. É preciso notar que Saul sabia que o exercício da mediunidade para fins úteis e religiosos não constituía crime contra as leis civis e divinas; e as proibições eram violências arbitrárias.

            Quando ele lhe disse: "Faze-me subir a Samuel", a mulher gritou em alta voz, porque viu o Espirito de Samuel, que lhe contou imediatamente que aquele homem era o mesmo Saul disfarçado em burguês, o homem que contrariava as leis de Deus.

            "Não temas" lhe diz Saul, porém, que vês? (A mulher via Saul, porém este nada via e confiava no que lhe ela dizia; não supunha que fosse uma invenção sua: ela era um médium de confiança) .

            "Vejo deuses que sobem da terra".

            Via o Espirito de Samuel luminoso, resplandecente, acompanhado de numerosa milícia de Espíritos felizes, que seguia o profeta .

            "Como é a sua figura?” - perguntou-lhe Saul:

            - "Vem subindo um ancião e este está envolto em uma capa" - respondeu-lhe a mulher.

            Entendendo Saul que era de fato Samuel, inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou. (versículos 11-14).

            Temos lido nestes versículos os característicos de uma pessoa humilde e fiel, possuidora de extraordinária mediunidade, que serviu de instrumento, como intérprete de Deus, para transmitir as palavras vindas do espaço invisível, e também para ver a entidade que transmitia essas palavras, isto é - Samuel desencarnado.

            Saul confiou nesta mulher e não duvidou da sua honestidade; creu na veracidade das suas palavras.

            Ele estava familiarizado com as sessões espíritas e as havia já assistido, muitas, presididas pelo próprio profeta Samuel, antes da sua desencarnação. (I Samuel, XIX: 20-21).

            Está provada biblicamente a honestidade da mulher de Endor: a obediência às leis do seu governo, a sua fidelidade como humilde súdita do rei. E está igualmente provada a severidade da lei bárbara: o decreto da pena de morte, que era contrária à lei de Deus: - "Não matarás" - e todo o mundo conhecia essa lei, porque, certamente, tinham já matado muitos médiuns; prova a costumada malvadez assassina do rei iníquo: a mulher supondo ser qualquer pessoa de longe, sem saber que era Saul mesmo, disse: "Tu sabes o que faz Saul", portanto, todos os habitantes do reino sabiam das matanças dos médiuns em consequência daquele decreto assassino, (Levítico, XX: 27) e temos averiguado também o caráter moral de Saul em completo antagonismo com o da pitonisa.

            Demonstrei a obediência, a humildade, a fidelidade e a utilidade da mulher de Endor. Agora vou provar também a sua caridade e a bondade do seu coração e o amor do próximo, que ela mostrou pelo seu procedimento.

            Saul não se tinha alimentado todo aquele dia e toda a noite; estava fraco e perturbado com a notícia que recebeu da sua condenação, tomou um grande susto e caiu estendido, no chão. (versículo 20). A pitonisa condoeu-se da sua perturbação, do triste estado da sua alma angustiada, teve compaixão dele vendo o seu profundo abatimento, pediu-lhe que aceitasse pão e carne que lhe ela oferecia e que ele quis recusar, ainda por orgulho, e por fim aceitou. Ela, contente pela oportunidade que Deus lhe deu de praticar a caridade, alegremente dava louvores ao Criador por ter sido útil, matando a fome a Saul e aos criados que o acompanhavam. (vers. 21 a 25).

            Esta mulher possuía um coração sensível aos  sofrimentos de outrem; pagava com o bem o mal que lhe faziam os seus perseguidores. (S. Mateus, V: 44). Provou-o dando comida ao rei perseguidor, vencido, condenado e humilhado.

            Eis aí a prova, segundo o próprio testemunho bíblico, de que não são os homens maus ou mulheres más, que se entregam às práticas do Espiritismo!

            Maus não serão, porventura, os que os perseguem, maltratam, caluniam e maldizem? Não serão os herdeiros do caráter e dos sentimentos do coração de Saul, rei de Israel, que, imitando os seus atos de outrora, cometem tais iniquidades, nesta
atualidade? .

            O próprio testemunho bíblico destrói a falsa afirmação protestante e demonstra quais são hoje os imitadores do rei Saul!
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            Só não veem os que não têm olhos ...



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