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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

29. "O Protestantismo e o Espiritismo"´por Benedito A. Fonseca




29
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941

CAPITULO IV

            Não se tem entregado a tais práticas
senão homens maus e que todas as pessoas
 “tementes” a Deus as tem evitado cuidadosamente
por serem de procedência satânica.”.
(4ª afirmação do folheto).


            Esta afirmação destrói as provas que o seu autor apresenta e contradiz todas as outras afirmações da página segunda.

            O leitor, que compare as teses dos II e III capítulos deste apêndice e raciocine sobre elas.

            Se as comunicações espiritas só são recebidas em congregações de pessoas más, como é que o Espírito de Samuel, enviado por Deus, atendeu à vontade de Saul?

            Examinemos o caráter e o procedimento da mulher de Endor, tão errônea e injustamente apelidada feiticeira, e vejamos pelo mesmo testemunho bíblico se ela era uma criatura rebelde, má, desobediente às leis emanadas do governo civil, e se faltava com a caridade; enfim, se procedia com malvadez ou malevolência; e vejamos também o procedimento de Saul, se era leal e sincero, se se submetia aos rigores da lei por ele mesmo sancionada, ponhamos na balança da razão e do bom senso o caráter moral de Saul e o da mulher de Endor, para vermos entre essas duas entidades qual a mais obediente e que melhor procedia, de acordo com uma consciência pura.

            1º) A mulher estava em sua casa e não chamou ninguém para juntos fazerem sessão espírita; não estava promovendo prática nenhuma de encantamento, feitiçaria ou adivinhação.

            2º) Quando lhe pediram uma concentração mediúnica, respondeu: "Eis aqui, tu sabes o que Saul fez, como tem destruído da terra os adivinhos e os encantadores, por que pois me armas um laço à minha vida para me fazer matar?" (versículo 9).

            3º) A mulher vendo Saul perturbado, abatido e fraco, porque não tinha comido pão todo aquele dia e toda aquela noite, disse-lhe: "Agora, pois, ouve também tu as palavras da tua serva, e porei um bocado de pão diante de ti, e come para que tenhas forças para te pores a caminho" (vers. 22).
           
            Consideremos que:

            a) a mulher não cometia abominações ao Senhor, e se fez a concentração mediúnica fê-la a pedido e insistência dos visitantes noturnos, (versículo 8).

            b) chamou a atenção dos visitantes, que queriam consultar espíritos, para o perigo que havia contra a sua vida, por causa da lei decretada pelos perseguidores dos médiuns. (versículo 9).

            c) matou um novilho, fez pães e preparou um jantar com o qual restaurou as forças perdidas, pelo abatimento moral e físico em que estava o seu hóspede real, alimentando também aos criados que acompanhavam o real visitante. (versículos 24-25).

             Analisemos agora o de Saul:

            1º) Ele havia decretado a deportação de todos os médiuns existentes no seu reino. (versículo 3).

            2º) entretanto, fugindo ao cumprimento da sua mesma lei, (que era uma lei iníqua contra a liberdade individual) mandou aos seus criados procurar uma mulher que consultasse Espírito familiar, e estes lhe indicaram uma mulher que habitava a cidade de Endor. (versículo 7).

            3º) Para mais facilmente enganar a mulher, ele despiu a vestimenta real e disfarçou-se, vestindo-se como qualquer burguês e assim, de noite, foi com seus criados a Endor, em busca da pitonisa para solicitar os serviços das suas faculdades mediúnicas, a fim de poder conversar com um amigo falecido, um santo em quem depositava a sua confiança. (versículo 8).

            Consideremos que:

            a) Saul cheio de remorsos, reconhecendo a injustiça da sua lei, que classificava os médiuns como réus dignos de desterro e morte, viu-se na necessidade de procurar uma pessoa por ele antes desprezada e perseguida.

            b) não foi sincero, porque tentou enganar a mulher, apresentando-se como um homem vulgar (1).

            (1) O Senhor Ernesto de Oliveira mandou um repórter com cara compungida, pedir a um Centro Espírita, remédio para curar um doente inexistente, Página 12 do folheto do Sr. Antonio Ernesto.
           
            c) quando a mulher lhe disse: "Eis aqui o que Saul tem feito, como tem desterrado as pessoas que consultam Espíritos familiares; por que pois, me armas um laço contra a minha vida para me fazer matar?"  Saul persistiu em ocultar a sua verdadeira identidade, conservando o orgulho e hipocrisia, com intenção espiritualmente criminosa de não se fazer conhecer por uma mulher sem nome, pobre, desprezada e perseguida.




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