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domingo, 18 de novembro de 2012

27d. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. da Fonseca

Postagem faltante... Permanecia como 'rascunho'. Aceitem nossas desculpas.


27c
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941


            É necessário, é indispensável uma sincera oração, nascida do íntimo com absoluta certeza de que Deus a ouve, é necessário um recolhimento perfeito e completo; uma concentração que separe o pensamento de tudo que seja material e somente se preocupe, naquele momento, das coisas espirituais; que o coração e o pensamento estejam
intimamente desprendidos dos cuidados terrestres, a ponto de nem sentir nem perceber a existência do próprio corpo; não ver nem ouvir o que se passa em redor, para que o Senhor envie um anjo a encher o crente de alegria e satisfação.

            É de fato, motivo de grande alegria um cristão receber uma visita celeste, visita de um enviado de Jesus. Alegria tão grande como aquela que experimentou Cornélio, que, logo após a retirada do mensageiro de Deus, chamou um soldado e dois criados e lhes contou o ocorrido. (Atos, X: 7-8). Cornélio sentia-se tão feliz, tão agradecido ao seu Deus, e, querendo repartir sua alegria e felicidade com parentes e amigos, que, como ele residiam em Cesareia (1), saiu, foi procurá-los e lhes contou como fora visitado por um enviado celeste, que lhe ordenou mandasse chamar Pedro para lhes explicar os mistérios do reino dos céus; e convidou aos parentes e amigos para juntos esperarem o apóstolo Simão Pedro. (Atos, X: 24).

            (1) Cidade da Palestina, antes "Stratonis Arce", no Mediterrâneo, próxima das fronteiras da Galileia e de Samaria. Havia na antiguidade várias cidades com o nome de Cesarela, na Europa e na Ásia.

            O Centurião Cornélio tornou-se um grande espírita, que de fato já o era pela fé e pela crença, e dessa hora em diante ainda mais, porque teve a confirmação de que sua oração foi ouvida e as esmolas que fazia tinham subido para memória diante de Deus. (Atos, X:4).       
            Todo aquele que permanece, de fato, e não somente de palavras; todo aquele que a exemplo de Cornélio praticar a caridade e orar como ele orava, quer seja católico, protestante ou espírita, é atendido em sua prece e vem, não um só enviado de Jesus, mas inumerável multidão, que ninguém poderá contar, vem um exército saudar o servo que reconhece o Criador e o ama, especialmente quando se encontra em perigo e ameaçado pelos perseguidores malvados. A prova se encontra nas seguintes palavras do texto sagrado:

            "Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará á tua tenda, porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra". (Salmos, XCI: 10-12).

            Estas palavras não foram ditas somente a benefício dos protestantes, como únicos privilegiados por Deus, para gozar do seu auxílio, mas, a todos que, sem exceção, cumprirem seus deveres como cristãos, isto é, que praticarem o bem em todos os seus ramos de caridade e amor do próximo, e não fizerem aos outros o que não quereriam que os outros lhes fizessem.

            Eu sou uma testemunha da fidelidade das promessas do Salmo, XCI: 10-11-12, porque; em Rio das Pedras se levantou quase toda a população contra mim. Um exército de inimigos do Espiritismo, comandado pelo vigário, tentou por diversas vezes e meios destruir-me; porém, todas as autoridades e poderes públicos governativos do Estado
de São Paulo defenderam-me em todo o ponto de vista. Foi um fato que causou grande admiração ao povo, que esperava ver-me derrotado e massacrado! Nada me aconteceu porque eu, cheio de fé nas palavras do Salmo XCI, confirmadas pelos Espíritos superiores, que sempre me animavam prometendo-me não deixarem perecer sequer um fio de cabelo da minha cabeça, tinha a firme convicção de que estava uma milícia celeste trabalhando no invisível para frustrar os planos dos meus gratuitos adversários, tal como realmente
sucedeu. O Espiritismo triunfou com geral desapontamento dos que esperavam o contrário!

            O vigário da paróquia, em seus sermões e no confessionário incutiu no ânimo do povo que eu era um homem pernicioso, um inimigo de Deus, que devia ser expulso da cidade ou linchado na praça pública, por estar pervertendo o povo com o Espiritismo. E assim subornou os católicos, conseguindo assinaturas para uma denúncia tremenda, denúncia que caiu logo no inquérito feito, sendo publicado o relatório da autoridade, relatório que constituiu a minha defesa e a derrota vergonhosa do infeliz sacerdote e o opróbrio humilhante dos subscritores da denúncia! Se eu não tivesse um exército invisível trabalhando em minha defesa, o sacerdote sairia triunfante. Se o Espiritismo em Rio das Pedras não fosse a obra de Deus, não seria defendido e eu seria linchado, como era da
vontade do vigário.

            O leitor que quiser conhecer os pormenores deste extraordinário acontecimento, procure ler a nossa obra intitulada: "O Crime do Rio das Pedras - O Espiritismo e o Padre" e aí encontrará a história completa e documentada do fato que teve por teatro a cidade de Rio das Pedras, comarca de Piracicaba.



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