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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

25. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. da Fonseca



25
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941

Introdução à Segunda parte

POSTULADO ENGANADOR


            O caráter maravilhoso com que o Espiritismo está sendo divulgado em todo mundo, não mais permite a negação infundada dos seus apaixonados contraditores.

            Seria mesmo estultícia negar o que se pode verificar a qualquer momento, tanto mais que os fenômenos espíritas se reproduzem e intensificam todos os dias, de modo ostensivo, como que para demonstrarem a falsidade dos seus opositores, que bem andariam se tomassem a sério o estudo de tão excelsa Doutrina.

            Entretanto, o espírito de sistema que, como sói acontecer, com todas as verdades novas que lhe vem desenraizar erros Inveterados, não cede senão aos poucos e forçado pelas circunstâncias de momento, já facultou ao Espiritismo, o título de ciência, pretendendo assim, prendê-lo nesse limitado círculo de ideias.    

            Nós, porém, que vimos mourejando de sol a sol para que o trigo se multiplique na Seara, não nos contentamos com a exígua concessão; agradecemos aos nossos adversários, mas queremos mais, queremos o que nos é devido, o que nos pertence.

            Não há, absolutamente, dúvida que o Espiritismo abrange a esfera da Ciência e opera no círculo científico, que é o dos "fenômenos demonstráveis"

            Mas, resumir as Manifestações Espíritas a uma ciência semelhante as que se ostentam na Terra, é o cúmulo da maior insensatez.

            Se esses fenômenos transpõem os limites do túmulo, se destroem o postulado da Morte e demonstram a sobrevivência humana, é claro que estão intimamente ligados à Vida na Eternidade, não podendo, portanto, deixar de nos conduzir a um iluminado Teísmo, que abrange, não somente a Ciência, mas também a Religião.

            Se é verdade que a Ciência se arrima em fatos, a Religião, a seu turno, tem por fundamento inabalável os fatos que despertam a ideia do seu caráter divino.

            Religião sem fatos é mera filosofia, cujas ideias desaparecem ao sopro esclarecido da razão.

            A Religião verdadeira apresenta-se primeiramente na forma positiva dos fen6menos que a personificam, para depois tirar desses fatos as ideias, as mais subidas deduções constitutivas da Moral.          

            Ora, ninguém pode negar que as Manifestações Espíritas, em sua sublime codificação revestem o verdadeiro caráter religioso, de Moral inigualável.

            Desde as mais vulgares mensagens da "mesinha" aos excelentes e emocionantes ditados que primam por uma linguagem elevadíssima, todas as manifestações dão a ideia nítida da imortalidade, da Vida Futura, de Deus.

            Afirmar o contrário é confessar ignorância do assunto que se quer julgar sem estudo, sem conhecimento.

            A religião não é uma crença abstrata, é um todo concreto, um conjunto harmonioso de deduções lógicas, racionais, dos fatos que lhe serviram de apresentação.

            O Espiritismo reveste o caráter da verdadeira Religião, porque as suas ideias, a sua filosofia estabelecem perfeita harmonia com os seus fatos.

            A afirmação de que o Espiritismo não passa de mera ciência de observação é um postulado enganador para desviar as almas da verdade.

            É mais um estratagema dos inimigos da luz para lançar a confusão nos espíritos e retardar o triunfo definitivo do Espírito sobre a matéria, da virtude contra o dogma, do reinado de Deus contra o reinado dos homens.

Cairbar
(Artigo do ‘Clarim’, de Matão).



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