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domingo, 4 de novembro de 2012

24. "O Protestantismo e o Espiritismo" por Benedito A. da Fonseca



24
“O Protestantismo
e o Espiritismo”
                                                                                                                                         
por  Benedito A. da Fonseca
 Livraria Editora da Federação Espírita Brasileira
1941

SEGUNDA PARTE

PREFACIO

            Pois eu assim corro, não como a coisa incerta;
 assim combato, não como batendo no ar,
antes subjugo o meu corpo e o reduzo a servidão,
 para que, pregando aos outros,
 eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.  
I Coríntios, IX: 26-27


            Segundo as nossas leis republicanas, baseadas no Estatuto Constitucional, o homem é um ser livre e livre é, também, seu pensamento, de acordo com as leis divinas, baseadas em estatuto gravado por Deus na consciência humana.

            O homem pode crer e filiar-se à religião que lhe pareça a verdadeira, segundo a sua consciência. Ninguém tem o direito de impor crença a outrem, visto que, crença imposta, só pode fazer hipócritas.

            " Hipócritas serão também aqueles que, conhecendo as falsidades dogmáticas e descrendo dos seus artigos de fé, se conservem calados enterrando o talento sabendo onde está a verdade; todavia, escondem a luz debaixo do alqueire amordaçando a consciência, sufocando a voz do coração, a fim de serem agradáveis aos crentes e permanecerem fiéis aos seus ministros... obedecendo antes aos homens do que a Deus! (1)

            (1) Atos, IV, I9-V, 29.

            Eu nunca tive a pretensão de impor a outrem as minhas crenças progressivas, porque também nunca aceitei imposições: Em assuntos de religião sempre ouvi e li com muita atenção, analisando tudo...

            Se para mim foi bom este modo de proceder, também o quero para os outros
- ampla liberdade de crença - cada qual respondendo perante o Pai pelos seus pensamentos, palavras e atos.

            Não foi com a intenção visada de impor esta ou aquela crença que eu escrevi este apêndice. Não fiz outra coisa senão usar do meu livre arbítrio. Com a mesma autoridade com que os protestantes escrevem combatendo o Espiritismo, também escrevo defendendo-o e demonstrando a errônea interpretação dos textos bíblicos em que se estribam para acusa-lo.

            De modo algum desejo tome alguém por ofensa os meus escritos, assim como
também me não ofendo com as injúrias assacadas à doutrina que convictamente creio ser a verdade, sem que até hoje achasse quem me convencesse do contrário.

            Baseado na Escritura e só na Escritura, provei que o Espiritismo está nela e ela mesma é o resultado do Espiritismo, e que foi por meio do Espiritismo que a Bíblia foi escrita.

            Ai fica, pois, confiado a este volume tudo quanto desejo saibam os meus semelhantes, que ainda o desconhecem.

            Sejam os leitores os meus juízes.

            Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Mombuca, Janeiro de 1923.
B. A.Fonseca


                                                                                              


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