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sábado, 30 de junho de 2012

30 de Junho



30 Junho

Pela prece, recebemos
muita luz, muita intuição.
Descruzando nossos braços,
surte efeito a oração.

  João Moreira da Silva
  
por Alaor Borges Jr 
in ‘Semeadores da Verdade”
 (1ª Ed Paulo e Estevão 1998)



O Sermão do Silêncio



O Sermão do Silêncio  JUN 30

                                   
         Herodes folgou muito ao ver Jesus; porque, desde longo tempo, desejava vê-lo, por ter ouvido falar muito dele, e esperava vê-lo fazer algum milagre. Fez-lhe, pois, muitas perguntas; Jesus, porém, não lhe deu resposta.
         Estavam presentes os príncipes dos sacerdotes e escribas, acusando-o sem cessar. Herodes, com os da sua guarda, fez dele ludíbrio, vestindo-lhe uma veste branca. E reenviou-o a Pilatos.
         Neste mesmo dia, tornaram-se amigos Herodes e Pilatos, quando antes eram inimigos um do outro. Lucas   23,  8ss




         Falara Jesus diante de Pilatos. Diante de Caifás. Diante de Judas até.

            Cala-se diante de Herodes. Também, que diria ele a esse homem? Como compreenderia o vício a virtude? Que sociedade há entre a luz e as trevas? Entre o filho da virgem e o escravo da luxúria?

            A única resposta que podia o Home-Deus dar ao homem-animal era o silêncio, o mais profundo silêncio...

            E Herodes fez o que era de esperar do seu caráter. Ludibriou o Nazareno como um louco. Foi fiel a si mesmo, esse real comediante...

            Desde esse primeiro carnaval da sexta-feira santa em Jerusalém, atravessa o Nazareno os séculos da História, coberto com o manto do escárnio, do ludíbrio, da loucura da cruz.

            Têm razão todos esses Herodes, de todos os tempos, de todos os países. Para o escravo da luxúria, para os levianos gozadores do mundo, é o Cristo um pobre idiota; e o seu Evangelho, um aborto do hospício...

            “Não compreende o homem animal as coisas do espírito de Deus; parecem-lhe estultícia; nem as pode compreender, porque devem ser tomadas em sentido espiritual.” (Paulo, apóstolo)
           

Huberto Rohden
in “Em Espírito e Verdade”
Edição da Revista dos Tribunais, SP – 1941  


sexta-feira, 29 de junho de 2012

O que nos espera depois da morte.


O que nos espera
 depois da Morte.



            Se tivesse, no começo desta obra, a ideia de dizer que estamos vivos, pensarão que eu enuncio um truísmo sobre o qual ninguém tem necessidade de insistir, porém se complico a frase ao perguntar: "Estamos vivos, mas por quanto tempo?" penso que pessoa alguma poderá responder-me de uma maneira certa, pois que a vida é um fator cujas regras saem do domínio matemático para esposar, por meio de uma exposição sumária, a mais alta fantasia.

            Fiamo-nos muito nas aparências quando na Terra e assim declaramos que alguém é feliz ou que tem uma excelente saúde quando estamos às vezes em face de um homem de negócio, rico ou manejando grandes capitais, mas minado realmente por preocupações de uma vida doméstica caprichosa ou bem de um indivíduo que morrerá, em alguns dias, de uma ruptura de aneurisma, por pletora de carnes que ele exibe para nossa inveja.

            Estamos de tal modo habituados a encarar com um olhar distraído tudo o que nos cerca que nada nos parece extraordinário no dédalo dos fatos diários e, no entanto, se nos entregarmos a uma observação atenta, perceberemos, primeiramente, que podemos catalogar, de qualquer sorte, o que percebemos, em duas categorias: as coisas inertes, depois os objetos possuindo em si elementos de ação.

            As coisas inertes são imutáveis em si. Se nada acontece com elas, permanecem intactas e no mesmo lugar, pelo menos um curto tempo.

            Os objetos possuindo em si elementos de ação são compostos de tudo o que vive: os seres de toda natureza, quer sejam humanos, animais, vegetais.

            Em primeiro lugar, os vegetais são imóveis, mas vê-se perfeitamente que eles nascem, crescem e se modificam em cada estação. Quem já não se maravilhou, numa bela manhã de primavera, ao encarar as árvores cobertas de folhas novas e a transformação súbita da natureza em alguns dias?

            Quem já não aspirou, um instante, no campo, o cheiro de fenos recentemente cortados ou o das mil corolas abertas sobre as quais vinham as abelhas pousar?

            Ora, que são esses aromas senão as emanações vivazes de múltiplos vegetais em transformação ou em atividade, exteriorizando algo de si, algo imponderável, mas destinado a provar a sua mobilidade, a sua vida, a vida que deixará um dia!

            Devemos então enfrentar um novo período para o qual não estamos ainda preparados. Nossos pais terão gasto longos anos para a nossa educação material, mas nada terão feito por uma existência muito mais longa à qual estamos destinados, porque, como bem sabemos, nenhum de nós se livrará da morte.

            Nós, os vivos, seremos um dia Nós, os mortos, e lamentaremos provavelmente a imprevidência de nossos próximos, assim como a nossa no que diz respeito a esta importante questão: a sobrevivência da alma e o não preparo para esta longa estação que seremos chamados a fazer depois que o nosso corpo for encerrado no túmulo.

Georges Gonzales[1]

in Introdução ao seu livro
O que nos espera depois da morte’ 
Ed ECO   Ano ?


[1] Ex-secretário geral da ‘União Espírita Francesa’ em Paris, França.
Ex membro do Comitê executivo da ‘Federação Espírita Internacional’.


29 de junho



29 junho


  Levanta cedo da cama
irradiando alegria
Repete: devo fazer
uma boa ação por dia.

  Casimiro Cunha
  
por Alaor Borges Jr 
in ‘Semeadores da Verdade”
 (1ª Ed Paulo e Estevão 1998)


Centelha Divina


Centelha Divina  JUN 29

                                   
         Ouvindo Pilatos esta palavra (ele se fez Filho de Deus), temeu ainda mais. Tornou a entrar no pretório e perguntou a Jesus: “Donde és tu?” Jesus, porém, não lhe deu resposta. Disse-lhe Pilatos: “Não me respondes? Não sabes que tenho poder de por-lhe em liberdade?”    João  19,  8 ss



         “Não terias poder, Pilatos, se não te fora dado do alto...”

         Ouvistes, superficiais democratas e temerários demagogos, que não é o povo que vos confere o poder?

         Ouvistes, iníquos revolucionários e desatinados anarquistas, que não é o povo que pode tirar do soberano o poder, porque não foi o povo que lho conferiu?

         O povo designa apenas a pessoa, o depositário, o veículo desse misterioso quê, dessa centelha celeste que chamamos poder, autoridade.

         Todo o poder vem de Deus. Ninguém dá o que não tem.

         Como pode o povo conferir poderes que não possua? Como pode o vácuo dar plenitude?

         Toda a legítima autoridade, mesmo pecadora, é reflexo da Divindade...

         “Não terias poder se não te fora dado do alto...”

         Sublime lição de Sociologia, essa, que o divino réu deu ao humano juiz!

         Ouviu Tibério Cesar que não passa de mendigo de Deus... Tombaram as águias do Capitólio ante a cruz do Gólgota... Tingiram as asas no sangue de Cristo...

         “Não terias poder, ó Roma, se não te fora dado do alto... Do alto da cruz...”
                                                                 
          
 Huberto Rohden
in “Em Espírito e Verdade”
Edição da Revista dos Tribunais, SP – 1941  


quinta-feira, 28 de junho de 2012

1.10 A Prece do Coração Amargurado



1.10 A Prece do Coração Amargurado
           

             É o sentimento que plasma e define a personalidade intrínseca do homem e o dirige, paulatinamente, para a Perfeição. Quanto mais o sentimento se aprimora, mais o homem se eleva moralmente, diminuindo a distância que o separa de Deus.

            Nada melhor para educar o sentimento do que o estudo e a exemplificação dos princípios evangélicos. Esse o itinerário da felicidade terrena, que o homem tem abandonado inconscientemente, buscando os atalhos que lhe dão falsa aparência de progresso moral.


Indalício Mendes
Reformador (FEB) Fev 1950


2.10 A Prece do Coração Amargurado


2.10 A Prece do Coração Amargurado


            Nem sempre pomos o sentido em nossas verdadeiras necessidades espirituais, perturbados pelas exigências da vida mundana e pelas ambições de ordem material. Por isto, desviamo-nos dos deveres evangélicos e prendemo-nos a situações que em nada beneficiam nosso Espírito.

            Aquele que consegue aliviar a pesada carga das más aquisições do passado, sem novos débitos na vida atual, encontra-se no rumo certo, pois acumula reservas para as caminhadas do porvir.          

Indalício Mendes
Reformador (FEB) Fev 1950



3.10 A Prece do Coração Amargurado



3.10 A Prece do Coração Amargurado

            A fórmula da felicidade humana é simples. Difícil é confinar o pensamento e a ação do homem em suas determinações, porque se torna indispensável a educação do Espírito nos preceitos evangélicos, que impõem a coragem de sofrer sem revolta, a renúncia consciente e a bênção sincera às origens de nossas dores. O passo inicial para a aplicação dessa fórmula é não fazer aos outros o que não quisermos que os outros nos façam. Nela se resume a exata sabedoria da vida. Entretanto, a vaidade de não parecer fraco aos olhos do próximo e o tolo orgulho de ganhar os aplausos dos que ainda desconhecem as belezas da humildade e da submissão aos ensinamentos do Cristo, atiram-nos a situações enganosas e a tardios arrependimentos.

Indalício Mendes
Reformador (FEB) Fev 1950



4.10 A Prece do Coração Amargurado



4.10 A Prece do Coração Amargurado

            Mais depressa o homem atende às restrições dos preceitos humanos do que aos postulados evangélicos que lhe podem assegurar, à  custa de renúncias redentoras nos dias de hoje, as venturas consagradoras de amanhã. Seguindo irrefletidamente ideias doentias e praticando ações anticristãs, pelo mau uso do livre arbítrio, o homem retarda a evolução do próprio Espírito.

            Para libertar-se de tão lamentável estado espiritual, terá que educar-se nos princípios evangélicos, a fim de sujeitar seu sentimento a rígida disciplina, começando, então, a luta mais séria que nos aflige: a que travamos com a nossa consciência, com o nosso próprio "eu". Em certos casos, o combate é desigual, porque as inferioridades morais do Espírito adquirem força e resistem às reações salutares da alma. De tal maneira se mostra o Espírito debilitado pelo mal, que os progressos são dificílimos e quase imperceptíveis. Deve, porém, persistir na luta, porque a determinação para o bem acabará triunfando da resistência do mal, tanto mais rapidamente quanto maior for a nossa capacidade de sofrer corajosamente para transformar as dores em aleluias resplandecentes!

Indalício Mendes
Reformador (FEB) Fev 1950





5.10 A Prece do Coração Amargurado



5.10 A Prece do Coração Amargurado
           
            Pode suceder que, aparentemente, o mal triunfe. Tanto que ouvimos dizer: "os bons sempre sofrem e os maus conseguem tudo". As aparências iludem. Os que pensam assim não se lembram de que somos Espíritos encarnados e que, como Espíritos, temos diante de nós a Eternidade. Os derrotados de hoje serão os triunfadores do futuro. Se assim não fora, teríamos que vacilar ante o conceito de bondade infinita que é atributo de Deus, igualmente justo. Onde há justiça, o mal não pode prevalecer contra o bem.

Indalício Mendes
Reformador (FEB) Fev 1950



6.10 A Prece do Coração Amargurado



6.10 A Prece do Coração Amargurado

            O mal só existe porque ainda há Espíritos ignorantes de seus deveres morais. Pode-se conhecer a envergadura moral do homem através da exteriorização do seu sentimento. Todo homem bom é naturalmente sábio, mas nem todos os sábios são homens bons. A bondade é dom, divino, tanto que no Evangelho encontramos todo um tratado de edificação moral. Ninguém melhor do que Jesus cultivou e ensinou a ciência do bem, que é a ciência do coração. Por consequência, o homem bom é um homem sábio, porque exerce o mais belo e fecundo mandamento divino. Só o sentimento plasma e define a personalidade real do homem - dissemos. Somente ele revela as nossas aquisições de ordem moral. Estas é que vão lapidando a individualidade humana, tornando-a mais sensível às tribulações alheias e, concomitantemente, mais integrada nos elevados princípios evangélicos.


Indalício Mendes
Reformador (FEB) Fev 1950



7.10 A Prece do Coração Amargurado



7.10 A Prece do Coração Amargurado

            Nunca foi tão oportuno quanto agora o célebre aforismo do pórtico de Delfos: "Conhece-te a ti mesmo." Através da autoeducação do sentimento é que o homem poderá engrandecer-se moralmente. Sempre é mais fácil descobrir e criticar defeitos, erros e deficiências em nossos semelhantes do que perceber, identificar e lutar contra os que estigmatizam o nosso caráter.  Geralmente somos severos com o próximo e excessivamente tolerantes conosco. Talvez fosse aceitável termos atrás de nós quem, nos momentos cruciais da vida terrena, nos alertasse o espírito contra as surpresas da vaidade e do orgulho, como aquele romano vitorioso que se valia de um escravo para não deixar que o iludissem os aplausos e as louvaminhas dos cortesãos interesseiros. Cave ne cadas! (Cautela em não caíres!) -exclamava-lhe o fâmulo, logo que os epinícios lhe feriam agradavelmente os ouvidos... Sim, dessa forma talvez fossem menores os nossos erros. Entretanto, menores seriam também os nossos méritos, porque a redução de nossas infrações à Lei não seria fruto de um auto esforço para melhorar. Não representaria o aprimoramento espontâneo do nosso sentimento, mas apenas consequência passageira da vigilância de outrem, possivelmente tão necessitado quanto nós de evolver.

Indalício Mendes
                                                                              Reformador (FEB) Fev 1950 



8.10 A Prece do Coração Amargurado



8.10 A Prece do Coração Amargurado

            Alongando os olhos pela Humanidade, sentimos o coração confranger-se de tristeza, tais os espetáculos dolorosos que se desenrolam na vida pública, no recesso dos lares, no âmbito das escolas e no trato frequente dos homens entre si. A falta de respeito mútuo, a insinceridade, a traição, a cupidez, o orgulho, a vaidade, a concupiscência, enfim, todo um cortejo de misérias morais, oriundas exclusivamente da desorientação espiritual do homem, exacerbada pelas doutrinas materialistas, ergue as barreiras que o separam do sentimento lidimamente cristão. Só no Evangelho, meditado e exemplificado, será possível encontrar o itinerário da felicidade humana, porque ele nos dá a alegria pura que nos falta e a paz que buscamos em vão...

Indalício Mendes
Reformador (FEB) Fev 1950



9.10 A Prece do Coração Amargurado



9.10 A Prece do Coração Amargurado

            Feliz daquele que pode, ao fim de cada dia, realizar serenamente profundo exame de consciência. Sentirá no imo da alma a esperança do perdão para os seus erros, desde que se esforce pela remissão de suas faltas.

Indalício Mendes
Reformador (FEB) Fev 1950


10.10 A Prece do Coração Amargurado


10.10 A Prece do Coração Amargurado

            Chegamos ao fim. Que merecemos nós, Ó Pai? Sim, nós, que conhecemos a doutrina, mas que persistimos no erro? Parece que ouvimos a voz clara e argentina do Mestre a nos desvendar a alma culposa, com estas palavras:

            - Tens olhos e não vês; tens ouvidos e não ouves. Porque desperdiças precioso tempo, esquecido do Evangelho?

            Então, a nossa angústia se eleva aos céus, como que resumindo uma prece que os lábios não sabem proferir, mas que o coração exprime com a amargura dos desesperados:

            - Ó Pai! Tende piedade de nós! .. ,

            Esta é a prece do coração amargurado.

Indalício Mendes
Reformador (FEB) Fev 1950





Entendamos



Entendamos


Meu amigo, se procuras,
A glória da redenção,
Acende a luz do Evangelho
No templo do coração.

Faze forte claridade
No imo do próprio ser.
Quem não consegue enxergar
Não pode compreender.

Nessa bênção luminosa
Passaremos a encontrar
Cada homem no seu plano,
Cada coisa em seu lugar. 

A experiência na Terra,
Transcorrerá sem contenda,
Vencerás com desassombro,
Sem que a maldade te ofenda.

De espírito iluminado
Ao santo clarão do amor,
Ninguém te será tropeço
Na senda para o Senhor.

Contemplarás nos ingratos,
Da jornada transitória,
Pessoas que adoeceram
Da visão e da memória.

Nos companheiros em treva,
Rixosos, duros, irados,
Veremos nossos irmãos
De nervos esfacelados.

Nas línguas blasfemadoras
Encontrarás, muita vez,
A ignorância infeliz,
O frio, a fome, a nudez ...

Notarás, buscando o Mestre,
Nas pedras do campo hostil,
Nos vícios e nos pecados;
Moléstias e sombras mil.

Busquemos, pois, com Jesus,
O Entendimento Maior,
A fim de vencer, brilhando,
Nas lutas em derredor.

Casimiro Cunha

Versos recebidos pelo médium
Francisco Cândido Xavier
em 13 de Janeiro de 1949
(Reformador (FEB) Fev 1950)





  
    



28 de Junho



28 Junho


Verifica o que semeias.
Toda colheita é segura.
Aquilo que procuramos
Vem sempre à nossa procura.

Casimiro Cunha

 por Chico Xavier 
in ‘Reformador’ (FEB)  Agosto 1970



Ecce Homo!



Ecce Homo!  JUN 28

         “Ecce Homo!”
            Mandou Pilatos levar Jesus e açoitá-lo.
            Teceram os soldados uma coroa de espinhos e puseram-lhe na cabeça, e vestiram-lhe com um manto escarlate. Chegavam-se a ele dizendo: “Salve, rei dos judeus!” E davam-lhe bofetadas.
            Tornou Pilatos a sair e disse-lhes: “Eis que vo-lo apresento, para que saibais que não encontro nele crime.”
            Saiu, pois, Jesus trazendo a coroa de espinhos e o manto escarlate. Disse-lhes Pilatos: “Eis o homem.”
            Mas, quando os pontífices e os seus servos o viram, clamaram: “Crucificai-o! crucificai-o!”
            Retrucou-lhes Pilatos: “Tomai-o vós e crucificai-o. Eu não encontro nele crime."
            Bradaram os judeus: “Nós temos uma lei e segundo a lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.”
            João  19,  1 ss


            Ecce homo! –

            “Eis o homem!”...

            Ó Pilatos, tu que ignoras o que seja a verdade, acabas de proferir a maior das verdades!

            Eis o homem! O único homem integral. O homem por excelência. O homem plenamente humano.

            Não é o pretenso super-homem do Éden...

            Não é o deplorável infra-homem de Sodoma...

            É simplesmente o homem-homem de Sodoma...

            O homem-criança de Belém...

            O homem-operário de Nazaré...

            O homem-apóstolo da Judeia...

            O homem-vítima do Gólgota...

            O homem-mistério dos Sacrários...

            O homem-Deus da eternidade...

            Nenhum super-homem, nenhum infra-homem podia redimir das suas misérias a humanidade. Só ele, o homem-homem, o homem-Deus...

            Pode o homem divinizar-se porque Deus se humanizou... Ecce homo! O homem-amor, o homem-dor!


Huberto Rohden
in “Em Espírito e Verdade”
Edição da Revista dos Tribunais, SP – 1941  


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Fidelidade Integral à Doutrina



Fidelidade
integral à Doutrina
           
            “...Não há, dentro do Espiritismo kardequiano, batizados, casamentos, bênçãos disto e daquilo, hinos e outras cantorias. Não os há, evidentemente, na Doutrina codificada por Allan Kardec e ditada pelos Espíritos superiores. Mas, podemos encontrar algumas dessas contrafações doutrinárias até em instituições dirigidas com a maior dedicação, certas de que são perfeitas na observância da Doutrina ... Ao ouvirem ponderações contrárias, argumentam que nada disso tem importância, são coisas inocentes, que servem até para atrair e deleitar os que se mostram inclinados a frequentar os “centros” ou que já os frequentam... É claro que não preconizamos uma ortodoxia asfixiante mas encarecemos maior fidelidade aos preceitos doutrinários por necessária à vitalidade e eternidade da Doutrina. Lembramo-nos de que, certa vez, ao estranharmos o uso despropositado de cantos numa casa espírita, um dos seus dirigentes, sorridente, nos respondeu: “Que mal há na música tão agradável aos ouvidos? ... Que mal pode haver no canto, que enternece a alma? ...” E nos mostrou uma espécie de hinário, inclusive uma letra “espírita” para os dias de aniversário dos componentes do grupo... E assim, graças à candidez e a inocência de alguns boníssimos confrades que se afirmam kardequianos, vai-se operando a “protestantização” dos hábitos e das praxes de reuniões que deveriam de ser exclusivamente espiritistas. Salvo melhor juízo.

            Se levarmos mais longe a nossa observação, encontraremos, em alguns lugares, não o ensino exclusivo da Doutrina Espírita e do Evangelho, mas também, com as imprecisões compreensíveis a mistura desses estudos com elementos de teosofia, esoterismo, etc. E não será para tanta admiração que tal aconteça, quando há quem, sendo declaradamente espírita, se faça arauto da parapsicologia, a ponto de estabelecer confusão entre esta e o Espiritismo, que, em seu aspecto científico, já foi muito mais além do que os seguidores do Professor Rhine.

            Menos por impertinência do que pela preocupação de que se preserve a pureza dos princípios da Doutrina Espírita, numa época em que tudo sofre os efeitos deletérios do materialismo destruidor e ateísta, é que consideramos oportunas estas observações. Os grandes males geralmente começam por coisas tão insignificantes, na aparência, que ninguém lhes dá atenção. Há no mundo atual um movimento iconoclasta, de essência ateísta, empenhado em destruir o chamado mundo cristão, com as suas tradições, a sua ética, os seus costumes. Já decretaram os corifeus do Anticristo encoberto, a “morte de Deus”, a “personalidade subversiva e violenta de Jesus” (!)... A rebeldia está em moda a violência e a imoralidade são pregadas publicamente, inclusive na imprensa, no rádio, no teatro, na televisão, nos livros vendidos livremente.  Corrompe-se primeiro o pensamento da juventude, para, depois que os jovens se achem intoxicados por teorias “avançadas”, desferirem golpes na família e na religião...”


por    Tobias Mirco
(Indalício Mendes)
Trecho de artigo publicado em Reformador (FEB) em Janeiro de 1971



Testemunho da Hora



Testemunho
da Hora
           
            “Que cada um de vós saiba possuir seu vaso em santificação e honra.”  Paulo, 1ª Epístola aos Tessalonicenses, cáp. IV.4

            No tumulto das paixões que faccionam  a consciência do mundo, objetivando conquistá-lo em penhor de melhores padrões de vida coletiva, sentimo-nos tranquilos e à vontade para acompanhar os acontecimentos, sem neles nos envolvermos, de outro modo e com critério outro que não o imposto pela noção mais altanada da própria vida.

            De fato, atidos ao conceito não já conjectural mas experimental de uma sobrevivência progressiva ao indefinito e conjugada ao ritmo de um determinismo providencial e imanente; sabendo que nossa presença neste cenáculo é contingente e transitória; é óbvio que deslocado temos o centro de gravidade de todas as possíveis atividades e aspirações de ordem temporal, sejam quais forem os meios de ação e cooperação que o destino nos assine e faculte.

            Humanos, chamados ao testemunho da carne, não raro angustioso por consequente de tremendas faltas pregressas, sabemos, os espiritistas, que nada se alcança nem dispensa na lei senão por força da lei.

            Tentar a felicidade, própria ou alheia, individual ou coletiva, à revelia da lei ou, o que é pior - em detrimento da lei, que é Amor num sentido absoluto - será, quando muito, entrar no jogo das forças inconscientes, que ainda testificam daquele escândalo necessário a que alude o Divino Mestre, mas, não será legitimar a própria emancipação, na partilha do legado que se auspicia ao mundo, já em novação de ascese, no concerto universal.
           
            Em sentido mais estrito, poderia objetar-se que ninguém ilude a lei de esforço e trabalho terrenos, igualmente divina e que, de qualquer forma, bem ou mal, o terrícola participa e serve aos desígnios de Deus: mas a verdade é que há duas formas de cooperação nesses desígnios, ou sejam - ativa, consciente e ascendente, e passiva, cega e descendente.

            A primeira, ao nosso ver e para a hora espiritual do planeta em reajustamento de ritmo universal, será a que nos mantenha ao nível de uma renovada humanidade, nesta mesma esfera; a segunda, a que nos relegue a planos inferiores, onde não deixaremos de instrumentar o progresso, acorrentados, porém, às paixões que ainda aqui nos agitam e consomem, em áscuas[1] de morte.

            As “trevas exteriores” da cita evangélica.

*

            Estas perspectivas com este critério serão, possivelmente, extravagantes e quiçá ridículas aos olhos dos leigos e de quantos, não leigos, ainda se aferram a sistemas religiosos metafísicos e abstratos.            

            Joguetes confessos de uma fatalidade absurda, por igual indefinita, quais seixos rolantes ao sabor das correntes, sem lhes saber da causa e dos rumos, quando muito, nutridos de pábulos míticos que as realidades se incumbem de anular a todo instante, é natural que ao mundo sirvam, exclusivamente, e só a ele e dele requisitem, a qualquer preço, o exíguo quinhão de felicidade que mal entressonham e bem lhes foge em tenuidades de sombra.

            O crente espírita, entretanto, sabe que essa felicidade não existirá no mundo, antes  que possa cada qual realiza-la em si e por si mesmo, no imo da alma.

            Realizar um estado social de harmonia, ainda que relativa, é hipótese só concebível  mediante uma compreensão integral do fenômeno da vida, não apenas no complexo acidental das aparências, mas num sentido causal e mais profundo.

            Ora, queiram ou não queiram os nossos humaníssimos filósofos, pensadores, estadistas, duces e furers, ortodoxos e heterodoxos de todas as gamas e matizes, só a Doutrina dos Espíritos, velha quanto o mundo com os Profetas, mas renovada agora nos prismas da Terceira Revelação, pode propiciar ao homem o conhecimento integral de si mesmo, em função dos seus destinos.

            Radicada na tradição quanto apoiada em fatos; falando ao coração quanto à razão; permeável e acessível a todas as inteligências e consciências, só ela pode, de direito e de fato, concretizar, para viver, praticamente, esse regime de paz, que se já delineia em pruridos de aspiração universal.

            Mas, para isso, não se requer, como poderiam supor os menos advertidos, que abneguemos dos nossos deveres e compromissos propriamente mundanos, ou que vamos violentar a ordem social, politica ou material do mundo.

            Basta que abneguemos de nós mesmos cada qual no círculo de influência e atividades que se lhe depare, nada omitindo como homem, mas tudo fazendo, primacialmente, como criatura de Deus.

            Destarte, absurdo também fora supor que o Espiritismo indisponha o homem para o desempenho de quaisquer atividades terrenas, tanto mais quanto, sabemo-lo, tudo se ajusta, na vida de relação, às provas antecipada e livremente escolhidas.

            No usufruto de uma liberdade condicional e sempre relativa é que incide o perigo das subversões e desvios, com agravo maior de responsabilidades, para quantos já conhecem o alcance da palavra que diz: muito se pedirá a quem muito se houver dado.

            De promessas falazes e simbolismos abstratos anda o mundo cheio; não faltam, nesta hora de sérios testemunhos, taumaturgos, salvadores de almas e de povos; os espiritas, nos vórtices dos entreveros, precisamos viver a doutrina, honrando lhe os princípios, sem de modo algum nos esquivarmos ao tributo do mundo, mas, tanto quanto possível, sobranceiros às paixões do mundo.

            E para isso, em consciência, o que mais importa é compreender e sentir; para exemplificar, antes de pregoar, deixando aos lídimos Servos do Senhor o amanho do alfombre para a germinação da semente.

            A nós, o que nos compete, não é deblaterar e combater a iniquidade; mas pedir a Deus que o tumulto de iniquidades não nos esmoreça na fé, que, por misericórdia e de acréscimo já nos estrutura o Ideal em forais de eternidade.

            Fé que se não estima e equipara à matéria plástica, por forjar-se e impor-se em
 cânones de convenção, mas que se afirma patrimônio da alma, espontâneo, inalienável e incoercível em suas fontes divinas, sagradas, intangíveis.

            Pois seja esta fé o nosso testemunho da hora.


Editorial do Reformador (FEB)  em 16 de janeiro de 1937


[1] Carvão ardente, brasa, fogo dos olhos... do blog.