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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Augusto Elias da Silva


1982 - O Centenário
do “Reformador
por Juvanir Borges de Souza

Reformador (FEB) Dezembro 1982
           
            Soube Augusto Elias da Silva, homem simples e prático, concretizar uma aspiração não somente sua, mas de muitos espíritas de sua época.

            Desde 1865 os espiritistas brasileiros sentiam a necessidade de propagar a novel Doutrina dos Espíritos através da imprensa, essa poderosa força que há séculos vem construindo ideais e demolindo impérios. Torna-se interessante assinalar a estreita ligação entre o Espiritismo e seu movimento, desde seu surgimento, e a imprensa, compreendendo também o livro. Allan Kardec utilizou-os desde o início dos trabalhos da Codificação com real proveito na divulgação dos novos conhecimentos.

            O Brasil dos fins do século XIX era um fervilhar de ideias, conservadoras umas, revolucionárias outras. Os ideais republicanos e abolicionistas chocavam-se com a realidade, buscavam inspiração na experiência de outros povos e tornavam-se cada vez mais influentes, especialmente após a Guerra do Paraguai, com a fundação do Clube Republicano, em 1870. O conservadorismo dos partidos políticos tradicionais do império ia sendo solapado gradativamente. Culminariam os acontecimentos com a abolição da escravatura em 1888, seguindo-se-lhe a queda do império e a proclamação da República, em 1889.  

            Transplantara-se para cá a filosofia positivista de Augusto Comte, logo acolhida por alguns intelectuais influentes.

            O Espiritismo contava já com muitos adeptos, no Rio de Janeiro, na Bahia, em São Paulo e em outras províncias.

            Algumas sociedades e grupos espíritas surgiram do esforço criativo e pioneiro daqueles que iam buscar nas fontes inspiradoras da Europa, especialmente na França, a orientação inicial para a implantação dos primeiros núcleos. Mas a barreira da língua limitava a uns poucos eruditos o acesso às obras originais francesas. Em 1869 surgira na Bahia o primeiro órgão da imprensa espírita brasileira, infelizmente de pequena duração - pouco mais de um ano -, "O Echo d'AIém-Túmulo", fundado e dirigido por Luís Olímpio Teles de Menezes. A partir de 1875 aparecem as primeiras traduções das obras básicas da Codificação, graças aos esforços do médico Joaquim Car los Travassos, sob o pseudônimo de "Fortúnio". A antiga Editora Garnier incumbiu-se das edições em língua portuguesa de "O Livro dos Espíritos", "O Livro dos Médiuns" e "O Céu e o Inferno", todos em 1875; em 1876 era editado "O Evangelho segundo o Espiritismo".

            Os núcleos de estudo e prática do Espiritismo começam, então, a delinear seus rumos, com todos os percalços e dificuldades dos movimentos novos. Diferentes tendências, incompreensões, personalismos não deixaram de influir também no nascente movimento espiritista brasileiro. Muitos trabalhadores, deslumbrados diante da beleza, da vastidão e da abrangência da Doutrina, no seu tríplice aspecto de ciência, filosofia e religião, deixaram-se, contudo, envolver pelas dissensões, por inexperiência.

            Louváveis tentativas haviam sido feitas, no Rio de Janeiro, com o objetivo de propagar a Doutrina através da imprensa. Prova disso foi a "Revista Espírita", fundada e dirigida pelo Dr. Antônio da Silva Neto, vice-presidente do "Grupo Confúcio", a qual teve vida efêmera, aparecendo em 19 de janeiro de 1875 e desaparecendo ao fim de seis meses. Outro tentame foi a "Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade", que subsistiu de janeiro de 1881 a julho de 1882.

            É nesse meio tumultuado que abnegado e tenaz seareiro português, fotógrafo de profissãoAugusto Elias da Silva, idealiza, funda e faz circular o REFORMADOR" - "Orgam Evolucionista", a serviço da Grande Causa.

            "Abre caminho, saudando os homens do presente que também o foram do passado e ainda hão de ser os do futuro, mais um batalhador da paz: o "Reformador".

            Com essas palavras iniciais apresentava-se, em 21 de janeiro de 1883, o novo órgão da imprensa espírita, terminando por afirmar, peremptoriamente, em seu primeiro editorial:

            "Pelas considerações que acabamos de fazer e que constituem a nossa profissão de fé, os nossos leitores, coevos e vindouros, ficam cientes de que, alumiados pela luz da Doutrina Espírita, somos evolucionistas essencialmente progressistas."

            Batalhador da paz, à luz do Espiritismo, com vocação essencialmente progressista, eis uma legenda feliz para uma obra ciclópica, com um marco inicial visível, mas sem limitação no tempo.

            A diretriz inspirada ao fundador intimorato subsiste nos desdobramentos dos programas em que se empenharam todos os continuadores da obra, porque os compromissos assumidos são com a paz, em ação permanente, com a luz, que vem de Mais Alto e com a Doutrina que representa no mundo a revivescência da Mensagem Cristã.  

            Não importam, assim, as mil vicissitudes interpostas à jornada do lutador da paz e da luz. Importa, sim, a superação dos obstáculos, um a um, nessa sucessão dos anos, que já perfazem o primeiro centenário.

            Empenhados nessa luta permanente estão os obreiros dos dois planos da Vida. A inspiração de Cima precisa dos executores dedicados, sejam eles talentos cultivados ou simples trabalhadores de boa-vontade, mesmo portadores de imperfeições humanas.

            A trajetória secular do "Reformador" virtualmente se confunde com a própria história da Casa de Ismael[1], da qual é o porta-voz e a representação do seu pensamento.

            Suas milhares de páginas refletem o tríplice aspecto da Doutrina dos Espíritos. Sem descurar da vasta fenomenologia espírita e dos estudos científicos e filosóficos, sua inclinação natural é dar ênfase ao Espiritismo religioso, com seus aspectos morais profundamente vinculados ao Cristianismo revivido no Consolador.

            Essa face, sempre presente no "Reformador", hoje está patenteada em seu frontispício - "Revista de Espiritismo Cristão" -  como a lembrar, permanentemente, que seu objetivo primeiro é o de contribuir para a reforma moral do homem, segundo o Código deixado à Humanidade pelo Cristo de Deus.        

            Essa tarefa jamais foi fácil. Ao Mestre Divino tem custado sacrifícios e renúncias que estamos longe de compreender. A todos os seus emissários, em todas as latitudes e épocas, não têm faltado esforços e sofrimentos.

            Não seria diferente a missão do Espiritismo, o Consolador prometido, aqui ou alhures.

*

            No Brasil de hoje todos os espiritistas conhecem as dificuldades extremas para se alcançar algum progresso na porfia contra nossas imperfeições, contra o materialismo avassalador, contra o obscurantismo dogmático ou contra o preconceito científico, religioso e social. Imaginemos, então, o que teria sido esse quadro de óbices em uma época hostil, em que o ridículo era arma usual contra os espíritas, as perseguições eram aceitas com toda naturalidade e o poder político estava intimamente ligado à Igreja Romana, garantindo-lhe prerrogativas e privilégios de religião do Estado.

            Enfrentar tais dificuldades desencorajaria qualquer ânimo que não se apoiasse em têmpera rija e fé verdadeira. Augusto Elias da Silva as possuía. Por isso, concretizou seu sonho, apesar do pessimismo de muitos, impressionados com as pedras do caminho. O prognóstico para o empreendimento era o de uma vida breve e pálida, sem brilho e sem grandeza, como já ocorrera com tantos outros periódicos.

            "Não foi Elias, como alguns confrades supõem hoje, um homem inculto e incapaz de produções admiráveis, escritas ou faladas. Ao contrário, à fluência e correção da linguagem se casava um estilo pleno de beleza e vigor literários e profundo conhecimento da Doutrina dos Espíritos e de diferentes ramos do saber humano. Quem quiser dar-se ao trabalho (que traz satisfação) de averiguar o que afirmamos, basta folhear as coleções antigas do "Reformador", onde encontrará alguns dos belos e instrutivos discursos por ele pronunciados.

            Por ser Elias humilde e modesto ao extremo, por isso mesmo se retraía a ponto de não deixar se lhe conhecessem devidamente as qualidades, entre as quais a de excelente orador." ("Grandes Espíritas do Brasil", Zêus Wantuil, 2ª ed. FEB, pág. 182)

            Afora suas qualidades pessoais, entrevistas no breve trecho de seu biógrafo, o desbravador contou, sem dúvida, com a inspiração da Espiritualidade Superior, sempre presente nas realizações do Bem. Recebeu, também, a cooperação e o auxílio precioso de alguns poucos companheiros que se lhe juntaram. O então Major Francisco Raimundo Ewerton Quadros é nome que se liga ao do operoso fotógrafo português, desde a primeira hora. Os dois, dinâmicos e corajosos, não temem obstáculos.,.

            Um tem a ideia, a inspiração, a vontade firme de torná-Ia realidade. O outro a acolhe, batalha por ela, auxilia sua concretização e toma o encargo da direção conjunta.

            Essa conjugação de esforços ocorre tanto no lançamento do jornal quanto, um ano depois, na fundação da Federação Espírita Brasileira. A cooperação entre os dois é nítida, franca, leal, sem restrições nem vaidades.

            Outros poucos uniram-se ao afã da tarefa iniciada. Hoje podemos perceber que os tarefeiros desincumbiram-se de missão específica, recebida e cumprida galhardamente.

            Depois, a obra cresceu, dilatou- -se, firmou-se e ai está com seus frutos abençoados, espalhados por toda parte. Mas, a Augusto Elias da Silva, a Ewerton Quadros e a seus companheiros da primeira hora, devemos o tributo da gratidão e do reconhecimento.  

*

            Cronologicamente, afirma Zêus Wantuil, "Reformador" foi a décima folha espírita surgida no Brasil, em que pese à afirmativa de Clóvis Ramos de ter sido a oitava. ("A Imprensa Espírita no Brasil" – 1ª ed., pág, 5)

            Há muito se tornou o mais antigo periódico da imprensa espírita brasileira. Em todo o mundo, ocupa o quinto lugar em antiguidade.

            Registram os "Anais da Biblioteca Nacional" (VoI. 85) ser o "Reformador" um dos quatro periódicos surgidos no Rio de Janeiro, de 1808 a 1889, que sobreviveram até os dias de hoje. São eles, pela ordem: "Jornal do Commercio" (1827); "Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro" (1839); "Diário Oficial" (1862); 'Reformador" (1883). A exceção do "Diário Oficial", "Reformador" é o único que jamais teve interrompida sua publicação.

            Surgido aos 21 de janeiro de 1883, depois de preparativos afanosos, com recursos de seu fundador, as oficinas e a redação do pequeno jornal foram instaladas na residência de Elias da Silva, ao lado do atelier fotográfico, à Rua da Carioca nº 120, 2º andar (antiga Rua São Francisco de Assis), ali permanecendo até janeiro de 1888. Contara Elias com o Incentivo e a cooperação de sua mulher e de sua sogra, ambas espíritas.

            O jornal tinha, então, quatro páginas de textos, com o formato de 44 x 36 cm, saindo quinzenalmente. A tiragem era pequena, cerca de 300 a 400 exemplares. As assinaturas, não excedentes de duzentas, não cobriam as despesas de confecção. Boa parte das edições era distribuída graciosamente. Logo alcançou o exterior, com remessas principalmente para Portugal.

            Unidos, Elias da Silva e Ewerton Quadros imprimiram ao jornal orientação segura, fraterna e tolerante.

            Em janeiro do ano seguinte, antes de completar o primeiro aniversário, por proposta de seu fundador, "Reformador" era cedido à Federação Espírita Brasileira, sociedade fundada também por Augusto Elias da Silva. Não houve solução de continuidade na orientação do jornal, de vez que Ewerton Quadros foi eleito primeiro Presidente da nova Instituição. Em 2 de janeiro de 1884 formalizava-se a constituição da Federação, elegia-se sua primeira Diretoria e incorporava-se o jornal de Elias à FEB. Estava cumprida a parte essencial da missão de Elias da Silva e de seus coadjuvantes. Depois, viria o desdobramento da obra. Trabalho e dedicações, permanentes dificuldades e lutas constantes, alegrias e pesares.

            Como porta-voz da Federação Espírita Brasileira, "Reformador" reflete o que é a Casa de lsmael, seu programa, suas finalidades e o pensamento dos que a dirigem daqui e do Alto.

            Guillon Ribeiro, o fiel servidor e inesquecível Presidente, sintetizou bem o relevante papel desse órgão da Casa dos Espíritas, em Relatório publicado em setembro de 1940, assinalando:

            "Subordinado sempre, com absoluta fidelidade, à orientação doutrinária da instituição cujo pensamento lhe cabe exprimir, continuou ele a esforçar-se por bem servir o melhor possível à causa espírita. sem jamais dissociar do Evangelho o Espiritismo, antes timbrando invariavelmente em propagar a Terceira Revelação Cristã, sem esquecer, todavia, de dispensar a atenção devida à fenomenologia que serviu de base a estruturação da Doutrina dos Espíritos."

*

            Alinhando-se corajosamente, desde seus primórdios, como batalhador da grande causa dos escravos negros do Brasil, a última bastilha da escravatura no mundo, bateu-se pela emancipação ampla e pacífica, arrostando com denodo o reacionarismo escravocrata. Em 1888, quando pouco antes se instalara à Rua do Çlube Ginástico nº 17, hoje Rua Silva Jardim, juntamente com a Federação, via proclamada a abolição, em meio a festas memoráveis na Corte e a alegrias nos corações, coroando as justas aspirações de milhares de criaturas já cansadas de uma longa espera pela liberdade.

            Triunfara o Bem. Terminava uma campanha. Começava uma nova etapa na luta incessante em prol de uma libertação ainda maior, a do Espírito.

*

            Os anos de 1892 a 1895 foram particularmente difíceis para o Movimento Espírita brasileiro. Lavravam as divergências no seio da família espiritista. A Federação Espírita Brasileira e seu órgão atravessavam séria crise de ordem financeira, a par de dissensões e desentendimentos.

            Desanimado diante das inúmeras dificuldades, o Presidente Júlio César Leal renunciou ao cargo, em meados de 1895.

            "Foi então que as vistas dos que amavam aquela Casa, e por ela haviam empenhado os maiores sacrifícios, se voltaram para uma individualidade que, reunindo as mais peregrinas virtudes e saber a um legítimo prestígio no seio dos espíritas, parecia - e com efeito foi - a única em condições de salvar a Federação." (V. "Esboço Histórico da Federação Espírita Brasileira", ed. de 1924.)

            Essa figura apostolar e enérgica - o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes -, que fora anteriormente Diretor da FEB e Presidente em 1889, com largos serviços prestados à Causa e ao próprio "Reformador", é convidado, diríamos melhor, instado, a tomar a direção suprema da Casa de Ismael, no plano físico. Augusto Elias da Silva,  Manuel Fernandes Figueira, Alfredo Pereira, o então gerente do "Reformador", e o ex-Presidente Dias da Cruz são os emissários escolhidos para convencer Bezerra de Menezes a aceitar a Presidência. Os emissários impuseram a si mesmos, desde logo, a condição de não ocuparem qualquer cargo administrativo na nova gestão.

            Bezerra atendeu à convocação, foi eleito com poderes excepcionais na assembleia extraordinária de 3 de agosto de 1895 e empossado no cargo por Augusto Elias da Silva. Mais um relevante serviço ao Movimento Espirita prestavam Elias e seus companheiros.

            Bezerra de Menezes, com descortino e serena energia, imprimiu nova orientação aos trabalhos da Federação, com base nos estudos doutrinários e evangélicos, terminou com as tertúlias puramente literárias e com as discórdias e restabeleceu o equilíbrio financeiro necessário ao prosseguimento da obra admirável.

            A atuação de Bezerra à frente dos destinos da Federação e de seu órgão de divulgação, durante o período de cinco anos, até à sua desencarnação, foi de importância ímpar para todo o Movimento Espírita no Brasil, que se firmou, desde então, dentro de uma diretriz que o futuro iria consagrar como a do verdadeiro papel do Espiritismo no mundo.

*

            Após vinte anos de sua fundação, o jornal da Federação passou a ser impresso como revista bimensal, com 20 páginas, inicialmente, no formato de 27 x 18,5cm. Durante trinta e quatro anos, de 1903 a 1937, manteve esses característicos.

            A administração e a redação do órgão febiano mudaram de endereço sucessivas vezes, acompanhando a sede da Federação, peregrinando por salas e porões alugados, até que, em 1911, se instalaram na sede nova construída na administração de Leopoldo Cirne, à Avenida Passos, 30, endereço que se tornou conhecido de todos os espiritistas do Brasil e do exterior.

            Em 1937, estando na Presidência Guillon Ribeiro, tendo como gerente Antônio Wantuil de Freitas, a Revista torna-se publicação mensal aumentando, gradativamente, até atingir o número atual de quarenta páginas.

            Cresceu o número de assinantes, dentro e além-fronteiras. É grande a quantidade de leitores e Casas Espíritas que recebem gratuitamente a Revista. Não dispondo o leitor de recursos financeiros, não deixará de recebê-Ia, desde que manifeste sua vontade nesse sentido.

            Durante muitos anos, manteve "Reformador" rede nacional de agentes encarregados da cobrança e agenciamento de assinaturas. A partir de 1981 a trabalhosa tarefa passou a ser executada diretamente pela gerência do órgão, valendo-se dos serviços da rede bancária, com auspiciosos resultados.

            Como experiência que resultou positiva, seu Diretor Francisco Thiesen, na Presidência da FEB, em dezembro de 1975, resolveu imprimir suas capas em cores. A Revista tomou novo aspecto gráfico, com boa recepção. Antes, em 1970, o logotipo e desenho da capa haviam sido substituídos. A modernização, em matéria gráfica, é uma imposição a que estão sujeitos os meios de comunicação impressos. Na FEB não poderia deixar de haver atualização, embora ela se processe sem as prejudiciais precipitações.

            Desde 1891, sob a Presidência de Dias da Cruz e Vice-Presidência de Bezerra de Menezes, a FEB buscou levantar, junto aos espíritas, um empréstimo para compra de prédio próprio e montagem de uma oficina tipográfica destinada à impressão do "Reformador" e de obras de propaganda da Doutrina. A tentativa malogrou. Somente em 1939 o velho projeto se concretizava integralmente.  Guillon Ribeiro, o incansável Presidente, adquiriu e instalou as máquinas Impressoras próprias, nas dependências dos fundos do prédio da Avenida Passos, 30. Foi um decisivo passo à frente, um novo alento na trajetória do divulgador do Espiritismo. Graças a essa providência, as edições e reedições de livros espíritas começaram sua grande expansão.

            Com a instalação do Departamento Editorial, em 1948, em amplo edifício especialmente construído em São Cristóvão, o saudoso Presidente Wantuil de Freitas deu sólida estrutura a todo o complexo editorial da FEB. Situado na Rua Figueira de MeIo, 410, esquina da Rua Souza Valente, 17, esse prédio foi posteriormente ampliado, com dois novos pavimentos, inaugurados em 1961, sendo hoje a sede dos Departamentos Editorial e Gráfico.

            Novo surto de progresso aconteceu na década de 70, quando, sob as Presidências de Armando de Oliveira Assis e Francisco Thiesen, todo o parque gráfico foi renovado, com a adoção do sistema offset de impressão. Com a modernização beneficiaram-se o "Reformador" e seus milhares de leitores.

*

            Todos os espiritistas conhecem sobejamente a orientação editorial do órgão febiano. Servindo de mensageiro da Federação Espírita Brasileira, expressa seu pensamento e suas diretrizes. Está permanentemente a serviço do Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina Espírita, e isto diz tudo.

            Sempre esteve na estacada, em defesa do Movimento Espírita, das Instituições Espíritas, dos espíritas, contra os ataques, as perseguições e os preconceitos de qualquer ordem ou procedência. Nessa linha de coerência, tem expressado sempre a coragem serena dos que pugnam pela prevalência da verdade, da justiça e da fraternidade entre os homens.

            Contam-se às centenas seus colaboradores, acolhendo suas páginas os nomes mais ilustres do Espiritismo em todo o mundo e em todas as épocas, os médiuns mais dedicados, a serviço da Doutrina, os escritores, os poetas, os cronistas, os críticos e os artistas, todos os que se interessam por uma cultura sã das Letras, da Arte, da Ciência e da Filosofia - a serviço do Bem.

            É evidente que, na sustentação de uma obra complexa e dinâmica, difícil, evolucionária, mas coerente, de alta significação espiritual, porém simples e sem atavios em sua apresentação material, teria o "Reformador" de assentar sua construção em "rocha firme". Do contrário não chegaria até nós, com um século de serviços relevantes.

            A que atribuir a segurança e firmeza dessa realização, quando outras, com tantas possibilidades, naufragaram a meio da travessia?

            A resposta não se torna difícil desde que atentemos em dois fatores sempre presentes na vida da Revista: em primeiro lugar, o objetivo visado e o caminho escolhido, em compromisso irrevogável com o Evangelho do Cristo, entendido em espírito, à luz do Consolador - esta é a pedra angular; em segundo, a dedicação admirável de seus servidores, dos dois planos, assim compreendidos não somente os Diretores, os sucessivos Presidentes que honraram seus compromissos com o programa de Ismael, mas também os trabalhadores dos demais escalões, os redatores, os administradores, os secretários, os gerentes, os executores de tarefas aparentemente secundárias, sem as quais não se torna possível a manutenção de um  periódico com a feição e os característicos iniludíveis da Revista da FEB, máxime por um lapso de tempo tão significativo.

            A presença do Alto, sob a forma de encorajamento e inspiração, deve-se à invariável diretriz traçada e executada. O segundo fator dependeria de servidores fiéis e dedicados.

            Neste fim do Primeiro Século e limiar de uma nova idade de "Reformador", elevamos nosso pensamento, agradecido, ao Mestre Incomparável. Lembramos, com admiração, o vulto de seu fundador, missionário que se tornou grande na humildade e na coragem, cuja visão varou o tempo, projetando-se nas claridades do futuro. Recordamos igualmente, com emoção, todos os trabalhadores sinceros que tomaram a si o dever da sustentação e continuação da obra admirável de esclarecimento espiritual, como exemplos vivos de dedicação a Ismael, o executor do programa, o preposto do Cristo.

            Aos obreiros de hoje e de amanhã, auguramos sejam dignos da confiança do Alto e saibam conduzir o facho luminoso, zelando para que jamais se extinga a sagrada chama do ideal, ao encontro da paz e da luz.

*

            Valendo-nos de recente pesquisa de nossos companheiros Zêus Wantuil e José Jorge, alinhamos abaixo, em quadro sinóptico, os nomes dos Presidentes da Federação e dos que se vincularam mais estreitamente à Revista, como seus Diretores, redatores, secretários, administradores e gerentes - os devotados obreiros que por um século vêm emprestando seus esforços e labores, construtivamente, na difusão da Doutrina dos Espíritos, a tempo e a hora.

REFORMADOR

FUNDADOR - AUGUSTO ELIAS DA SILVA

PRESIDENTES da Federação Espírita Brasileira:

Ewerton Quadros                   - 1884 a 1888
Dias da Cruz                           - 1890 a 1894
Júlio César Leal                      - 1895 (alguns meses)
Bezerra de Menezes              - 1889, 1895 a 1900
Leopoldo Cirne                       - 1900 a 1913
Aristides Spínola                    - 1914, 1916 a 1917, 1922 a 1924
Luís Barreto A. Ferreira         - 1925 a 1926
Paim Pamplona                      - 1927 a 1928
Manuel Quintão                    - 1915, 1918 a 1919, 1929
Guillon Ribeiro                       - 1920 a 1921, 1930 a 1943
A. Wantuil de Freitas             - 1943 a 1970            
Armando de O. Assis             - 1970 a 1975
Francisco Thiesen                  - 1975 até hoje

DIRETORES (Registrados no frontispício):

Manuel Quintão                     - 1915 a 1916, 1918 a 1920, 1929 a 1930
Aristides Spínola                    - 1916 a 1918, 1922 a 1925
Gulllon Ribeiro                       - 1920 a 1922, 1930 a 1943
Luís Barreto A. Ferreira         - 1925 a 1927
Paim Pamplona                      - 1927 a 1929
A. Wantuil da Freitas             - 1943 a 1970
Armando da O. Asssis            - 1970 8 1975
Francisco Thiesen                  - 1975 até hoje

DIRETOR-SUBSTITUTO:
Lauro de Oliveira S. Thiago   - 1980 até hoje

REDATORES-CHEFES E REDATORES-SECRETARIOS:

Ewerton Quadros                   - 1884 a 1888
Leopoldo Cirne                       - 1905 a 1913 (Redator-Sec.)
Aristides 5pínola                    - 1914 (Redator-Chefe)
Miguel Ricardo Galvão          - 1913 a 1915 (Redator-Sec.)
Guillon Ribeiro                       - 1922 a 1929 (Redator-Chefe)
Manuel Quintão                     - 1927 a 1928 (Redator-Chefe)
Carlos Imbassahy                   - 1943 (Redator-Chefe)
Indalício Mendes                   - 1978 até hoje (Redator-Chefe)

SECRETÁRIOS

Sylvlno Canuto Abreu             - 1915 a 1916
Amaral Ornellas                     - 1917 a 1923
Fernando Coelho                    - 1920
Carlos lmbassahy                   -  1923 a 1943
Indalício Mendes                   - 1943 a 1975
J. Antero de Carvalho            - 1975 a 1978
Alberto Romero                     - 1978 até hoje

GERENTES E ADMINISTRADORES:

Augusto Elias da Silva             - 1883 a 1887
F. A. Xavier Pinheiro                - 1887 a 1890
Alfredo A. O. Pereira               - 1891 a 1897
Pedro Richard                          - 1897 a 1902 1903 a 1912 (ad.)  - 1916 a 1917 (ger. interino)
Adauto Neiva                           -  1912 a 1913
Francisco Chaves                     - 1913 a 1914 (ger. interino)
Jarbas Ramos                          - 1914 a 1915
A. A. Rodrigues Quintans        - 1915 a 1916
Emillo Wirz                              - 1916
Arthur Rosenburg                    - 1917 a 1918, 1924 a 1927
Antônio Alves da Fonseca       - 1918 a 1920, 1920 a 1924 (ad.)
Américo Lopes Vieira              - 1927 a 1929
José Vaz de Carvalho              - 1929 a 1931
João da Costa Viana               - 1932 a 1936
A.. Wantuil de Freitas             - 1936 a 1943
Henrique Sondermann            - 1943 a 1948
João d'Oliveira e Silva            - 1948 (ger. interino), 1948 a 1951, 1952 a 1957   
Paulo de O. Ludka                   - 1951
Carlos Guimarães                   - 1951 a 1952
Ernesto Teixeira Barros          - 1957 a 1959
José Yolando dos Santos        - 1959 a 1970
Francisco Thiesen                   - 1970
Getúlio Soares de Araújo       - 1970 a 1981
Alfonso B. G. Soares               -1981 a 1982
Tânia de Souza Lopes             - 1982
Agadyr Teixeira Torres          - desde agosto de 1982


[1] “Reformador”: porta-voz da espiritualidade superior” – artigo de Francisco Thiesen in “Reformador” de outubro de 1972. 



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