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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

02 / 07 Algumas Ideias e Pensamentos de Allan Kardec


Allan Kardec
Algumas Ideias e Pensamentos (2)

Coligidos por Sylvio Brito Soares

Reformador (FEB)   Maio 1957

Siglas usadas no final de cada ideia ou pensamento, indicadoras das obras de onde foram extraídos.

C. I. - O Céu e o Inferno
E. - O Evangelho segundo o Espiritismo
G. - A Gênese
L. E. - O Livro dos Espíritos
L. M. - O Livro dos Médiuns
O. P. - Obras Póstumas
Oq. - O que é o Espiritismo
P. E. - O Principiante Espírita
R - Reformador
R. S. - La Revue Spirite


Ciência  

            A Ciência, propriamente dita, é, pois, como ciência, incompetente para se pronunciar na questão do Espiritismo: não tem que se ocupar com isso e qualquer que seja o seu julgamento, favorável ou não, nenhum peso poderá ter. O Espiritismo é o resultado de uma convicção pessoal, que os sábios, como indivíduos, podem adquirir, abstração feita da qualidade de sábios. Pretender deferir a questão à ciência equivaleria a querer que a existência ou não da alma fosse decidida por uma assembleia de físicos  ou de astrônomos. Com efeito, o Espiritismo está todo na existência da alma e no seu estado depois da morte. Ora, é soberanamente ilógico imaginar-se que um homem deva ser grande psicologista, porque é eminentemente matemático ou notável anatomista. Dissecando o corpo humano, o anatomista procura a alma e, porque não a encontra debaixo do seu escalpelo , como encontra um nervo, ou porque não a vê evolar-se como um gás, conclui que
ela não existe, colocado num ponto de vista exclusivamente material. Segue-se que tenha razão contra a opinião universal? Não. Vedes, portanto, que o Espiritismo não é da alçada da Ciência.  (L. E. pág. 26.)

*

            Quando as crenças espíritas se houverem vulgarizado, quando estiverem aceitas pelas massas humanas  (e, a julgar pela rapidez com que se propagam, esse tempo não vem longe), com elas se dará o que tem acontecido a todas as ideias novas que hão encontrado oposição: os sábios se renderão à evidência. Lá chegarão, individualmente, pela força das coisas. Até então será intempestivo desvia-los de seus trabalhos especiais, para obrigá-los a se ocuparem com um assunto estranho, que não está nem nas atribuições, nem no programa. Enquanto isso não se verifica, os que, sem estudo prévio e aprofundado da matéria, se pronunciam pela negativa e escarnecem de quem não Ihes subscreve o conceito, esquecem que o mesmo se deu com a maior parte das grandes descobertas que honra à Humanidade. Expõem-se a ver seus nomes alongando a lista dos ilustres proscritores das ideias novas e inscritos a par dos membros da douta assembleia que, em 1752, acolheu com retumbante gargalhada a memória de Franklin sobre os para-raios, julgando-a indigna de figurar entre as comunicações que lhe eram dirigidas; e dos daquela outra que ocasionou perder a França as vantagens da iniciativa da marinha a vapor, declarando o sistema de Fulton um sonho irrealizável. (L.E. - pág. 27.)

*

            A Ciência que pretende caminhar tão só pela via da experiência, afirma todos os dias princípios que mais não são do que induções das causas por meios unicamente da observação dos efeitos. (O.P. - pág. 203)


 Ciência e Religião

       A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral, tendo, no entanto, umas e outras o mesmo principio: Deus, razão por que não podem contradizer-se. Se fossem a negação umas das outras, umas necessariamente estariam em erro e as outras com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra, A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de ideias provém apenas de uma  observação defeituosa e a excesso de exclusivismo de um lado e de outro , Daí um conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância. (E. - Pág. 45)

Ciência Espírita

        A ciência espírita compreende duas partes: experimental uma, relativa às manifestações em geral; filosófica, outra, relativa às manifestações inteligentes. Aquele que apenas haja observado a primeira se acha na posição de quem não conhecesse a Física senão por experiências recreativas, sem haver penetrado no âmago da ciência. A verdadeira doutrina espírita está no ensino que os Espíritos deram, e os conhecimentos que esse ensino comporta são por demais profundos e extensos para serem adquiridos de qualquer modo, que não por um estudo perseverante,  feito no silêncio e no recolhimento . Porque, só dentro desta condição se pode observar o número infinito de fatos e particularidades que passam despercebidos ao observador superficial, e firmar opinião. (L.E. - Pág .43)

Comunhão de Pensamentos

            A verdadeira finalidade das assembleias religiosas deve ser a comunhão de pensamento; é que de fato a palavra religião quer dizer elo; uma religião, em sua acepção ampla e verdadeira, é  um elo que religa os homens em uma comunidade de sentimentos, de princípios e de crenças; consecutivamente, esse nome foi dado a esses mesmos princípios codificados e formulados em dogmas ou artigos de fé. (R. S. 1868. R. Out. 1949.)

Contradições

            As contradições que frequentemente se notam, na linguagem dos Espíritos, não podem causar admiração senão àqueles que só possuem da ciência espírita um conhecimento incompleto, pois são a consequência da natureza mesma dos Espíritos, que, como já dissemos, não sabem as coisas senão na razão do seu adiantamento, sendo que muitos podem saber menos que certos homens. (Oq. – Pág. 137.)

Crença

            Cada um é livre de crer no que quiser ou de não crer em coisa alguma; e não toleraríamos mais uma perseguição contra aquele que acredita no nada depois da morte, assim como na promovida contra um cismático de qualquer religião. (Oq. - Pág. 81.)

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            Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo,  seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos, porém, não homens de bem.  
            Não basta se tenham as aparências da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração. (E. - 126.)

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            Certamente as crenças espiritualistas do passado não satisfazem a este século: já não estão ao nível intelectual da nossa geração; por muitos pontos, acham-se em contradição com os dados positivos da Ciência; deixam no espírito ideias incompatíveis com a necessidade do positivo que predomina na sociedade moderna; cometem, além disso, o erro de se imporem por meio da fé cega e de proscreverem o livre exame; daí, sem nenhuma dúvida, o desenvolvimento da incredulidade na maioria das criaturas. (O. P. - 177.)

Crítica

            Em lógica elementar, para se discutir uma coisa, preciso se faz conhece-la, porquanto a opinião de um critico só tem valor, quando ele fala com perfeito conhecimento de causa. Então, somente, sua opinião, embora errônea, poderá ser tomada em consideração. Que peso, porém, terá quando ela trata do que não conhece? A legítima crítica deve demonstrar, não só erudição, mas também profundo conhecimento do objeto que versa, juízo reto e imparcialidade a toda prova, sem o que, qualquer menestrel poderá arrogar-se o direito de Julgar Rossini e um pinta-monos o de censurar Rafael. (L. M. - Pág. 23.)

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            A crítica malévola representou as comunicações espíritas como mescladas pelas práticas ridículas da magia e da necromancia; se esses homens, que falam do Espiritismo sem conhece-lo, se dessem ao trabalho de estudá-Io, teriam poupado esses jogos de imaginação, que só servem para provar a sua ignorância ou má vontade. (P. E. - 70.)

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            Se os que criticam o Espiritismo, não tomassem as aparências por base do seu julgamento, saberiam o que ele admite e o que rejeita, e não lhe lançariam em conta o que ele repele em nome da razão e da  experiência. (P. E. – 53.) 

Demônios

            O Espiritismo não admite os demônios no sentido vulgar da palavra, porém, sim, os maus espíritos, que não valem mais do que aqueles e que fazem igualmente o mal, suscitando maus pensamentos; somente ele diz não serem eles seres à parte, criados para o mal e perpetuamente votados a isto, espécie de párias da Criação e algozes do gênero humano; são seres atrasados, ainda imperfeitos, mas aos quais Deus reservará o futuro. Nisso concorda o Espiritismo com a Igreja Católica  grega, que admite a conversão de Satã, alusão ao melhoramento dos maus Espíritos. (Oq. - Pág. 92.)

Desgraça

            A desgraça, para muitos, provém de enveredarem por uma senda diversa da que a Natureza lhes traça. E então que lhes falece a inteligência para o bom êxito. Para todos há lugar ao Sol, mas com a condição de que cada um ocupe o seu e não o dos outros. A Natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização social, nem pelas consequências da ambição e do amor próprio.  (L. E. - Pág. 328.)

Destino

            O viajante que embarca sabe a que perigos se lança, mas não sabe se naufragará. O mesmo se dá com o Espírito: conhece o gênero das provas a que se submete, mas não  sabe se sucumbirá. (L. E. pág. 190.)

- Continua  -

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