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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Conquistas Transitórias



Conquistas Transitórias


“É Indispensável manter o Espiritismo qual foi entregue pelos mensageiros divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.”



Bezerra

(Página recebida pelo médium Chico Xavier,
 na sessão pública de 20-04-63, na CEC, Uberaba)
in ‘Reformador (FEB) Dezembro 1970




'Conhecereis a Verdade...' por Newton Boechat

“Conhecereis a verdade e
a verdade vos libertará...”
por  Newton Boechat
Reformador (FEB)  dezembro 1970



No dia 4 de outubro do corrente, como parte
dos atos inaugurais do Cenáculo da Seção-Brasilla
da Federação Espírita Brasileira,
ocupou a tribuna da Casa de Ismael o confrade Newton Boechat.
Aqui têm os leitores de «Reformador», conforme prometemos em nossa
última edição, um resumo da palestra daquele conhecido tríbuno espírita.



                "Meus amigos, inicialmente desejamos-lhes a paz do Mestre Divino e que a Virgem nos cubra com o seu manto de luz. Antes de iniciar o tema, queremos dizer que iremos fundamentá-Io na segunda carta que Paulo endereçou aos Coríntios, no seu capítulo III, versículo 17: "Onde há o Espírito do Senhor, aí há a liberdade".

                Longe de nós a imposição de qualquer coisa. O que iremos expor é apenas fruto de nossos estudos. Nunca houve época tão propícia, como a atual, para se rever essas verdades. Na época atual em que nos detemos assombrados ante uma Ciência sem consciência. Na época atual em que a criatura penetra nos cultos espirituais e o culto não penetra nela. Época do Materialismo. Época em que sentimos o esmero da técnica para perturbar, distrair, trazendo lágrima e aflição. Necessitamos, sim, duma sabedoria que ame e um amor que saiba. Por isso o Espírito Verdade, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", adverte: "Amai-vos, eis o primeiro mandamento; instruí-vos, eis o segundo".

                Passemos agora à palestra: A Verdade e o Homem, apoiada no capitulo 8, versículo 32, do Evangelho de João: "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará".

                Certa vez, a Verdade se configurou numa formosa mulher e veio ao mundo, onde encontrou um homem desencantado no meio do caminho. Sua pátria, cor, raça, pouco importa. A Verdade, vendo-o triste, propôs passar à sua frente alguns painéis, alguns quadros da vida, mostrando almas outras, também viajoras, com suas carências e suas possibilidades. Aquele homem da beira da estrada, desiludido com muita coisa, verificara que, embora a vida nos oferecesse tantas belezas, o homem se constituíra lobo do próprio homem. A Verdade se apiedou dele e propôs-lhe então mostrar alguns quadros de criaturas que estabeleceram contato com a Verdade através de vários momentos da vida. E os quadros são os que se seguem. E ele viu os quadros.

                Charles Richet, o mestre da Sorbonne, se preparava para dar a sua última aula na Faculdade de Medicina de Paris, pois ia aposentar-se. Seu pensamento foi aos idos de 1902/ 1903, quando contemplou os fenômenos de Vila Cármem, realizados na casa do General Noel, com a médium Marthe Béraud (Eva Cariere), e na presença das irmãs Marie e Paule, de Gabriel Delanne e outros. Ali se materializava a entidade Bien-Boa, com quem Richet fez inúmeras experiências, inclusive a respiração em água de barita, a fim de constatar a presença do gás carbônico. Richet, assombrado, emocionado, perguntou a Gabriel Delanne: “Será que você vê Marthe?” “-Vejo Marthe Béraud inteiramente". Estava, pois, sendo plasmada, de maneira indiscutível, a existência da entidade Bien-Boa. Naquele instante, recordando que conseguira coroar o seu esforço de pesquisa, Charles Richet começou a dar a sua última aula, no dia 24 de junho de 1925, falando então duma nova ciência que começava a esboçar-se, trazendo bênçãos de luz à humanidade inteira. Mas, se observava assim, relutava em aceitar a filtragem filosófica do fenômeno. E quando começou o seu intercâmbio com o professor Ernesto Bozzano, o professor Richet passou também a ver que o seu critério estava minado, levando a crer que tudo o que defrontava era a criatura que vivera na Terra e que dela se afastara pela desencarnação. Quando estava prestes a partir para o Além, Richet escrevera confidencialmente a seu colega Bozzano para lhe dizer que este tinha razão e que tudo quanto afirmara nas suas monografias magistrais era verdade.

                Richet deu, portanto, atestado da sua convicção sobre o mundo espiritual, enquanto outros continuavam rigidamente materialistas, numa prova de que a percepção das coisas espirituais é fator de elevação espiritual. Assim, Richet lograra perceber a Verdade através da via experimental.

                "Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará" - João, capítulo 8, versículo 32.

                Gamaliel, doutor da lei, não obstante suas importantes funções no Sinédrio, recebeu um recado de Simão Pedro para visitar a organização do Caminho, nas cercanias de Jerusalém. Gamaliel era muito liberal e resolvera, portanto, uma tarde, fazer aquela visita, ali onde os seguidores do Cristo atendiam aos pobres, vindos de todas as partes do mundo. Visitando os doentes, visitando os pescadores. Gamaliel começou a notar que o Cristianismo triunfava no coração do povo. Moisés, afinal, era a lei fria. Somente uma manifestação de amor poderia domar aqueles corações. E observava então a imensa diferença entre a lei fria e o amor. Quando está prestes a despedir-se, ele vê num leito um homem de meia-idade. O doutor da lei pareceu reconhecer-lhe o rosto. Sim. Reconhecia-o.  Era Samonio, o rico negociante de Cesareia. E entre ambos travou-se interessante diálogo: - "Samonio, mas tu por aqui? Não posso entender essa modificação. Onde está tua mulher, teus filhos, as tuas ricas terras, teus bens? Houve alguma coisa?" E Samonio falou-lhe calmamente: “- Gamaliel, tu te mostras surpreso. Um dia eu tive tudo isso, porém, manifestando-se depois estas manchas em meu corpo, todos me abandonaram, inclusive meus parentes. Fui para o Vale dos Leprosos, e ali teria morrido à míngua, não fosse um coração bondoso que me socorreu e me entregou a estes pescadores. Perdi tudo por fora, mas ganhei a crença na intimidade do coração. Não me podes entender, mas quando um dia também sofreres, sentirás grande necessidade do Cristo, porque Moisés é a porta, mas Jesus é a chave.”

                Gamaliel se surpreende. Despede-se vivamente impressionado, e então mais tarde, abandonando a função no Sinédrio, retira-se para o deserto. Meditando sobre as mensagens do Cristo, encontra-se com o Alto e se rende afinal ...

                Gamaliel, naquele instante, encontrava a Verdade através da via da meditação. Samonio encontrou-a, positivamente, através da porta da dor.

                "Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará" - João, 8-32.

                Numa noite silenciosa de céu estrelado, toda a Jerusalém dormia. Soldados descansavam no chão. Era a planície de Gilboá, onde, com a cabeça cheia de maus presságios, Saul não conseguia conciliar o sono. Encontrava-se prestes a travar urna grande batalha com os filisteus. Seria tão bom que o profeta Samuel, seu amigo da juventude, pudesse aparecer para orientá-lo ... Não suportando mais o clima de tensão, manda um mensageiro localizar uma pitonisa para ouvir o mundo espiritual. Encontraram em Endor uma mulher. Saul, abandonando momentaneamente a coroa do domínio, vai ao seu encontro, disfarçadamente. Mas a médium logo o reconhece: - "Que queres tu?" “-Tenho necessidade de estabelecer contato com Samuel, o profeta da minha juventude".

                A mulher cai em transe e o ectoplasma lhe sai das narinas, dos ouvidos, da boca. Dentro de instantes, se configura o profeta Samuel, e Saul se assombra. E quando a entidade pergunta: "- Que queres tu de mim?"  "- Ah, Samuel, gostaria tanto dos teus conselhos, pois não sei qual a sorte que aguarda Israel."

                E Samuel começou a instruir o pupilo, porém, diferente de como o fazia enquanto estava na Terra. Saul estranha e pergunta: "- Onde está tua espada de guerreiro? E a tua túnica de juiz?" Samuel, todavia, lhe diz: " -Volta, SauI, e desarma os teus guerreiros. Para que tanto orgulho em teu coração? Lembra-te dos dias em que apascentávamos as ovelhas em Benjamim. Referes-te às leis, mas elas são como teias de aranha: pegam os pequenos insetos enquanto os grandes passam. Aqui recebi novos esclarecimentos. Agora te digo: os filisteus, que consideras nossos inimigos, são também nossos irmãos. Jeová é o pai de todos. Volta, Saul, e proclama essas coisas à nossa gente!"

                O Rei se choca. E depois, então, reunindo as energias, começa a colocar barreiras à revelação:  "- Mas se eu voltar e disser essas coisas, dirão que estou desvairado, fora do juízo. Não posso fazer isso!"

                O profeta, deixando ver que a materialização estava por terminar, insiste ainda: "- Saul, se não queres ouvir a voz da sabedoria, se resistes à mensagem de cima, amanhã o exército de Israel cairá nas mãos dos filisteus!"

                Saul desmaia e a entidade desaparece. Saul volta, depois, ao acampamento, e nas horas seguintes começa a grande batalha. O Rei se perturba. Há dor, morte. Os sete príncipes estão fugitivos na planície banhada em sangue. Saul, derrotado, toma dum punhal e o coloca junto ao peito. Mata-se. O Rei Saul se ausenta do plano físico.

                A Bíblia não diz que era o demônio quem se manifestava através da pitonisa de Endor. Nesta passagem notamos que a vida está assentada em aflição, mas representa, ainda assim, lição para duas criaturas. Samuel busca a Verdade através do processo da desencarnação. Saul também buscava a Verdade, embora não soubesse procurá-Ia, visto que estava numa perspectiva falsa. Notamos, assim, que cada qual foi filtrando a Verdade através de experiências múltiplas.

                "Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará" - João, 8-32.

                Paulo de Tarso, o doutor da lei, já se encontrava numa prisão romana esperando seu julgamento. Ali recebia amigos e até funcionários palacianos de Nero (pois em Palácio havia também cristãos de vida pura). De certa feita, quando pregava para um grupo, notou na primeira fila dos seus ouvintes um homem vindo da Grécia. Quando terminou a pregação, perguntou-lhe a origem. Era um escravo fugido de Colosses e se chamava Onésimo. Paulo pergunta:  "- Quem é o teu dono, o teu Senhor?". Ele responde: - "Chama-se Filemon". Paulo se abala. Filemon era um rico negociante, convertido por Paulo em Colosses. E então, à luz das tochas, começou a sulcar no pergaminho a sua "Epístola a Filemon". Página de amor agudo, assim começa: "Paulo, prisioneiro de Jesus-Cristo e o irmão Timóteo ao amado Filemon, nosso cooperador: Filemon, estou suficientemente livre para te determinar, como convém em Cristo; porém, resolvo suplicar-te em nome do amor, a fim de que a tua aquiescência não parecesse constrangimento. Recebe Onésimo de volta. Ele que te foi inútil noutros tempos, agora te volta útil. Recebe-o como a meu próprio coração. E se te causou algum prejuízo, coloca-o à minha conta, porque eu, Paulo, te pagarei".

                Verificamos, pois, que Paulo, quando escreveu a Epístola, estava buscando a Verdade através da porta do amor, e Filemon a buscava através da porta da obediência!

                "Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará" - João, 8-32. Richet através da experiência ("Será que você vê Marthe?"); Gamaliel através da meditação, e Samonio, através da via do sofrimento         ("Moisés é a porta, Jesus é a chave") ; Samuel, através da desencarnação, e, Saul, pretendendo achá-Ia através do falso domínio ("Volta, Saul! e desarma os teus guerreiros! Para que tanto orgulho em teu coração?!"); Paulo buscava a Verdade através da porta do amor, e Filemon talvez a tivesse encontrado através da obediência ("E se te causou algum prejuízo, coloca-o à minha conta, porque eu, Paulo, te pagarei").

                Mas outro Espírito, muitos séculos depois, buscou a Verdade através da Filosofia. Era o professor francês Híppolyte Léon Denizard Rivail, conhecido por Allan Kardec.

                O magnetizador Fortíer o convida a participar de reuniões na casa de Mme. Plainemaison. Era a fase das "mesas girantes". Hippolyte Léon, embora cético, resolveu observar. E seus olhos encontram um mundo diferente. Daquelas reuniões começou um processo filosófico diferente, que iria se enxertar na própria vida e fecundá-Ia. Então, observando o que as mesas diziam, estudando a mediunidade psicográfica de vários médiuns, levanta, o professor, o alicerce granítico da Doutrina dos Espíritos, em "O Livro dos Espíritos", lançado em 18 de abril de 1857. A França estava no apogeu do Materialismo. Era o reino da negação, a faixa da ilusão. Mas, seguem-se as obras da Codificação. E Kardec trabalha com afinco, até dizimar o corpo, que caí fulminado por um aneurisma, já tendo porém legado ao mundo as suas obras, em que a criatura aprende, além doutras lições, aquela que lhe diz que "fé inabalável só o é a que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade". Quando lhe transferem as cinzas para o cemitério do "Père-Lachaise", colocam no dólmen do seu túmulo a célebre frase de sentido reencarnacionista : "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir continuamente; tal é a lei". E, na herma: "Todo efeito tem uma causa; todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a potência da causa está na grandeza direta da grandeza do efeito".

                E modernamente Emmanuel nos informa que sem a reencarnação o mundo seria um turbilhão de desordem e anarquia.

                Sim, sem a reencarnação, como entender a diversidade de todos os fenômenos da vida? Sem a reencarnação, como compreender os extremos de Nero e Albert Schweitzer? E a existência de um Calígula, que chegou a dar o posto de Primeiro Ministro ao seu cavalo Incitatus? Se não fosse a reencarnação, mostrando a diferença dos destinos, não se poderia equacionar os problemas da vida.

                A reencarnação, tomando do fragmentado pensamento humano, encaminha-o ao Alto, esse Alto que para o ser imaturo é evanescente, mas, para o homem espiritualizado é o porvir no qual ele se reintegrará.

                Uma vez que observamos a Verdade se manifestando a diferentes criaturas, segundo seu estado psicológico, importa agora perguntar: e a Federação Espírita Brasileira? Também tem buscado a Verdade? Obviamente! Porque a FEB tem o destino das estrelas; não as do Universo exterior, conquanto grandioso, mas, o Universo interior, onde coruscam os astros do Amor e da Sabedoria!

                Lembramos sua trajetória de luz. Surgem em nossas lembranças as figuras de Ewerton Quadros, Antônio Luiz Sayão, Elias da Silva, Bezerra de Menezes, Bittencourt Sampaio e de todos os que se constituíram na milícia de Ismael, quando se corporificaram em terras brasileiras ...

                Porém, segundo os desígnios espirituais, ao chamado "Médico dos Pobres" - o filho de Riacho do Sangue, no Ceará - estava reservada a tarefa de elaborar, sob a assistência de Cima, a linha doutrinária da FEB, como tem sido ensinada na FEB-Seção Rio, na Av. Passos e, doravante, será norma para a Seção-Brasília. Às terças-feiras, o estudo metódico da opulenta obra "Os Quatro Evangelhos", coordenados por Jean Baptiste Roustaing, advogado bordalês, presidente do Tribunal daquela importante cidade da França, e recebidos pela mediunidade da Sra. Emilie Collignon, distinta dama de Bordéus.

                Roustaing era homem culto e educado. Dele, dissera Allan Kardec na "Revista Espírita": "Vê-se, pois, que Roustaing, embora recentemente iniciado, se tornou mestre em matéria de apreciação. É que ele tem segura e sabiamente estudado a importante questão do Espiritismo e, ao contrário de muitos, não ficou na superfície. Infelizmente, nem todos têm como ele a coragem de dar sua opinião e é isto que alimenta os nossos adversários."

                Pela obra em apreço ficamos sentindo ter sido Jesus um Espírito Puro, enormemente grande para ficar atrelado às limitações de um corpo carnal. Aliás, "O Livro dos Espíritos", nas perguntas 111 e 113, quando cuida da Escala Espírita, nos elucida que o Espírito Superior se encarna excepcionalmente, enquanto o Espírito Puro não habita em corpo perecível. E ninguém melhor do que o próprio Mestre para delinear sua condição extrafísica, quando pergunta: "Qual de vós me arguirá de pecado?" (João-8:46) .

                Já em Paulo podemos encontrar o Espírito Superior ou o Bom Espírito, todavia, condicionado à encarnação humana: "Desgraçado homem que sou; quem me libertará do corpo da morte?" (Romanos - 7:24). O corpo da morte a que se refere o Apóstolo dos Gentios é a humanização, à qual se subordina o espírito infracionário das leis divinas.

                Já nas sextas-feiras, na Federação Espírita se processam o estudo e comentários desta estupenda
obra que é "O Livro dos Espíritos", postulado granítico que pode, consubstanciado na linguagem dos fatos mediúnicos, retirar o homem moderno de seu desespero filosófico, dando-lhe uma diretriz segura para os seus passos, notadamente na época contemporânea, quando se perde, tão cheio de grandezas materiais, mas pobre de sentimento e de amor ...

                Richet procurara a Verdade através da experimentação científica; Gamaliel, pela porta da meditação; Samonio, na via da dor; SamueI, por intermédio da desencarnação; Saul pretendeu consegui-Ia para atender-lhe os propósitos de conquistas humanas; Paulo, perlustrando a estrada do amor, e Filemon, podendo abarcá-Ia pela vereda da obediência; Kardec, na elaboração filosófica ...

                A Verdade... ah! a Verdade ali estava ao lado do desanimado homem do caminho, vendo os quadros. E então tomou-lhe as mãos, levantou-o e, caminhando com êle, lhe disse:

                - Vem comigo. Atravessa os umbrais desta existência e observa os enigmas! Jamais tu poderás morrer! Sinfonia infinita é a vida que transborda da manifestação fenomênica o cântico imortal! ...

                E o homem desencantado da margem da estrada deixou-se evidenciar num sorriso de satisfação: compreendeu-se, entendeu-se; sobretudo, se sentiu herdeiro da Eternidade!"





                                                                   


Seguir ao Senhor


Seguir ao Senhor

 8,18  Certo dia vendo-se no meio de grande multidão, ordenou Jesus que o levassem para a outra margem do lago.
8,19 Nisso, aproximou-se dele um escriba e lhe disse: - Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.
8,20 Respondeu Jesus: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça.”

         Para Mt (8,18-20) -Seguir ao Senhor, leiamos a Humberto de Campos em “Boa Nova”:

Fidelidade a Deus

            Depois das primeiras prédicas de Jesus, respeito aos trabalhos ingentes que a edificação do reino de Deus exigia dos seus discípulos, esboçou-se na fraterna comunidade um leve movimento de incompreensão. Quê? pois a Boa Nova reclamaria tamanhos sacrifícios? Então o Senhor, que sondava o íntimo de seus companheiros diletos, os reuniu, uma noite, quando a turba os deixara a sós e já algumas horas haviam passado sobre o pôr do sol.

            Interrogando-os vivamente, provocou a manifestação dos seus pensamentos e dúvidas mais íntimas. Após escutar-lhes as confidências simples e sinceras, o Mestre ponderou:

            - Na causa de Deus, a fidelidade deve ser uma das primeiras virtudes. Onde o filho e o pai que não desejam estabelecer, como ideal de união, a confiança integral e recíproca? Nós não podemos duvidar da fidelidade do Nosso Pai para conosco. Sua dedicação nos cerca os espíritos, desde o primeiro dia. Ainda não o conhecíamos e já ele nos amava. E, acaso, poderemos desdenhar a possibilidade da retribuição?  Não seria repudiarmos o título de filhos amorosos, o fato de nos deixarmos absorver no afastamento, favorecendo a negação?

            Como os discípulos o escutassem atentos, bebendo-lhe os ensinos, o Mestre acrescentou:

            - Tudo na vida tem o preço que lhe corresponde. Se vacilais receosos ante as bênçãos do sacrifício e as alegrias do trabalho, meditai nos tributos que a fidelidade ao mundo exige. O prazer não costuma cobrar do homem um imposto alto e doloroso? Quanto pagarão, em flagelações íntimas, o vaidoso e o avarento? Qual o preço que o mundo reclama ao gozador e ao mentiroso?

            Ao clarão alvacento da Lua, como pai bondoso rodeado de seus filhinhos, Jesus reconheceu que os discípulos, diante das suas cariciosas perguntas, haviam transformado  a atitude mental, como que iluminados por súbito clarão.

            Timidamente, Tiago, filho de Alfeu, contou a história de um amigo que arruinara a saúde, por excessos nos prazeres condenáveis.

            Tadeu falou de um conhecido que, depois de ganhar grande fortuna, se havia tornado avarento e mesquinho a ponto de privar-se do necessário, para multiplicar o número de suas moedas, acabando assassinado pelos ladrões.

            Pedro recordou o caso de um pescador de sua intimidade, que sucumbira tragicamente, por efeito de sua desmedida ambição.

            Jesus, depois de ouvi-los, satisfeito, perguntou:

            - Não achais enorme o tributo que o mundo exige dos que se apegam aos seus gozos e riquezas? Se o mundo pede tanto, por que não poderia Deus pedir-nos lealdade ao coração? Trabalhamos agora pela instituição divina do seu reino na Terra; mas, desde quando estará o Pai trabalhando por nós?

            As interrogativas pairavam no espaço sem resposta dos discípulos, porque, acima de tudo, eles ouviam a que lhes dava o próprio coração. Do firmamento infinito os reflexos do luar se projetavam no lençol tranquilo do lago, dando a impressão de encantador caminho para o horizonte, aberto sobre as águas, por entre deslumbramentos de luz.

            Enquanto os companheiros meditavam no que dissera Jesus, Tiago se lhe dirigiu, nestes termos:

            - Mestre, tenho um amigo, de Corazim, que vos ouviu a palavra santificante e desejava seguir-vos; porém, asseverou-me que o reino pregado pela vossa bondade está cheio de numerosos obstáculos, acrescentando que Deus deve mostrar-se a nós outros somente na vitória e na ventura. Devo confessar que hesitei ante as suas observações, mas, agora, esclarecido pelos vossos ensinamentos, melhor vos compreendo e afirmo-vos que nunca esquecerei minha fidelidade ao reino!...

            A voz do apóstolo, na sua confissão espontânea, se revelava tocada de entusiasmo doce e amigo e o Senhor, aproveitando a hora para a semeadura divina, exclamou, bondoso:

            - Tiago, nem todos podem compreender a verdade de uma só vez. Devemos considerar que o mundo está cheio de crentes que não entendem a proteção do céu, senão nos dias de tranquilidade e de triunfo. Nós, porém, que conhecemos a vontade suprema, temos que lhe seguir o roteiro. Não devemos pensar no Deus que concede, mas no Pai que educa; não no Deus que recompensa, sim no Pai que aperfeiçoa. Daí se segue que a nossa batalha pela redenção tem de ser perseverante e sem trégua...

            Nesse ínterim, todos os companheiros de apostolado, manifestando o interesse que os esclarecimentos da noite lhes causavam, se puseram a perguntar, com respeito e carinho:

            - Mestre -exclamou um deles- não seria melhor fugirmos do mundo para viver na incessante contemplação do reino?...

            - Que diríamos do filho que se conservasse em perpétuo repouso, junto de seu pai que trabalha sem cessar, no labor da grande família?  -respondeu Jesus.

            - Mas, de que modo se há de viver como homem e como apóstolo do reino de Deus na face deste mundo? - inquiriu Tadeu.

            - Em verdade - esclareceu o Messias - ninguém pode servir, simultaneamente, a dois senhores. Fora absurdo viver ao mesmo tempo para os prazeres condenáveis da Terra e para as virtudes sublimes do céu. O discípulo da Boa Nova tem de servir a Deus, servindo à sua obra neste mundo. Ele sabe que se acha a laborar com muito esforço num grande campo, propriedade de seu Pai, que o observa com carinho e atenta com amor nos seus trabalhos. Imaginemos que esse campo estivesse cheio de inimigos: por toda parte, vermes asquerosos, víboras peçonhentas, tratos de terra improdutiva. É certo que as forças destruidoras reclamarão a indiferença e a submissão do filho de Deus; mas, o filho de coração fiel a seu Pai se lança ao trabalho com perseverança e boa-vontade. Entrará em luta silenciosa com o meio, sofrer-lhe-á os tormentos com heroísmo espiritual, por amor do reino que traz no coração plantará uma flor onde haja um espinho; abrirá uma senda, embora estreita, onde estejam em confusão os parasitos da Terra; cavará pacientemente, buscando as entranhas do solo, para que surja uma gota d’água onde queime um deserto. Do íntimo desse trabalhador brotará sempre um cântico de alegria, porque Deus o ama e segue com atenção.

            - Qual a primeira qualidade a cultivar no coração -perguntou um dos filhos de Zebedeu-, para que nos sintamos plenamente identificados com a grandeza espiritual da tarefa?

            - Acima de todas as coisas - respondeu o Mestre - é preciso ser fiel a Deus.

            A pequena assembleia parecia altamente enlevada e satisfeita; mas, André inquiriu:

            - Mestre, nestes últimos dias, tenho-me sentido doente e receio não poder trabalhar como os demais companheiros. Como poderei ser fiel a Deus, estando enfermo?

            - Ouve - replicou o Senhor com certa ênfase. - Nos dias de calma, é fácil provar-se fidelidade e confiança. Não se prova, porém, dedicação, verdadeiramente, senão nas horas tormentosas, em que tudo parece contrariar e perecer. O enfermo tem consigo diversas possibilidades de trabalhar para Nosso Pai, com mais altas probabilidades de êxito no serviço. Tateando ou rastejando, busquemos servir ao Pai que está nos céus, porque nas suas mãos divinas vive o Universo inteiro!...

            André, se algum dia teus olhos se fecharem para a luz da Terra, serve a Deus com a tua palavra e com os ouvidos; se ficares mudo, toma, assim mesmo, a charrua, valendo-te das tuas mãos. Ainda que ficasses privado dos olhos e da palavra, das mãos e dos pés, poderias servir a Deus com a paciência e a coragem, porque a virtude é o verbo dessa fidelidade que nos conduzirá ao amor dos amores!  

            O grupo dos apóstolos calara-se, impressionado, ante aquelas recomendações. O luar esplendia sobre as águas silenciosas. O mais leve ruído não traía o silêncio augusto da hora.

            André chorava de emoção, enquanto os outros observavam a figura de Cristo, iluminada pelos clarões da Lua, deixando entrever um amoroso sorriso. Então, todos observavam a figura de Cristo, iluminada pelos clarões da Lua, deixando entrever um amoroso sorriso. Então, todos, impulsionados por soberana força interior, disseram, quase que a um só tempo:

            -Senhor, seremos fiéis!   
           
                                                                    *****

            Jesus continuou a sorrir, como quem sabia a intensidade da luta a ser travada e conhecia a fragilidade das promessas humanas. Entretanto, do coração dos apóstolos jamais se apagou a lembrança daquela noite luminosa de Cafarnaum, aureolada pelo ensinamento divino. Humilhados e perseguidos, crucificados na dor e esfolados vivos, souberam ser fiéis, através de todas as vicissitudes da Natureza, e, transformando suas angústias e seus trabalhos num cântico de glorificação, sob a eterna inspiração do Mestre, renovaram a face do mundo.



             Sobre Mt (8,-20) - Filho do Homem - leiamos a artigo sob o título de “O Filho do Homem e o Filho de Deus”  por A.C. Farias  publicado em 01.03.1934 em “Reformador” (FEB)

E naquele dia os surdos ouvirão a palavra do livro, e dentre a escuridão 
e dentre as trevas as verão os olhos dos cegos”. Isaías 28:18

            Jesus, durante o tempo em que esteve no desempenho de sua gloriosa missão, intitulou-se de Filho do homem, a maneira de alguns profetas do antigo Testamento. Sempre que convinha por em foco a sua pessoa, Ele a designava como Filho do homem. É fácil verificar-se isso nos evangelhos. Parece que na sua mente luminosíssima se aninhava o propósito determinado de atrair a atenção geral para a sua natureza como se fora fruto da concepção humana, sujeita, portanto, à dor física e às necessidades materiais. Cumpria que o vasto campo de sua missão se delineasse nos moldes de uma tradição que se havia santificado através do tempo, porque, de outra sorte, não se verificaria o drama do Gólgota, de tanto efeito no progresso da humanidade.

            Quando os espíritos obsessores tentavam revelar a sua verdadeira situação espírita na terra, chamando-lhe Filho de Deus, Filho do Altíssimo e dizendo do seu poder espiritual, Ele ‘advertia com insistência que não o dessem a conhecer.’ No Tabor, ao dar-se a transfiguração, quando se ouviu uma voz dizer: “Este é meu Filho muito amado”, Jesus recomendou que a ninguém revelassem os apóstolos o ocorrido. Apenas numa situação essencialíssima, com o intuito de que as suas palavras constituíssem uma blasfêmia para os seus inimigos, a fim de que os fatos seguissem o curso traçado pelas Escrituras, foi que Ele se declarou Filho de Deus, conforme o fez no Sinédrio.

            Na qualidade de Filho do homem, deixou crer que fora tentado no deserto, referiu-se à sua morte e procurou humanizar-se, assistindo a bodas, comendo com pecadores e seguindo os hábitos do povo. Pois, as Escrituras diziam: “Porás sobre ti como rei aquele que escolher o Senhor teu Deus; dentre teus irmãos porás rei sobre ti; não poderás pôr homem estranho sobre ti, que não seja de teus irmãos.” (Deut., 17:15)

            Jesus, além de querer ser tido por Filho do homem, como cumpria que acontecesse, precisava ser conhecido como descendente de Israel, para corresponder a esses pontos da Lei antiga. Aí reside a causa do seu ‘nascimento’ numa família de israelitas, observadores da lei moisaica e a sua consagração como primogênito, no oitavo dia.

            É importante dizer que Ele personificou Israel e representou admiravelmente o seu sacerdócio. A respeito, disse o Senhor, por intermédio de Isaías: “Tu és meu servo: Israel, aquele por quem hei de ser glorificado” (49:3). E também, por intermédio de Oseas: “Quando Israel era menino, eu o amei: e do Egito chamei a meu filho.” (11:1) Essas palavras de Oseas se aplicam simultaneamente ao povo de Israel e a Jesus Cristo, pois a este cabia ser o exemplo para aquele, mostrando como se devia trilhar o caminho da regeneração, uma vez que nenhum dos enviados de Deus, anteriormente, se havia compenetrado do dever da exemplificação. Tanto um como outro foram chamados do Egito e estiveram em jejum no deserto, pelo espaço de 40 anos, sendo o de Jesus de 40 dias. “Um dia te dei por cada ano.”

            Só aos filhos de Israel; era permitido o ministério do sacerdócio, por efeito da Lei recebida no Sinai. Pois bem, Jesus, fazendo as vezes de Israel, praticou o sacerdócio maravilhosamente. As conquistas de Israel nas terras prometidas aos Patriarcas tem a sua finalidade nas conquistas espirituais do Cristo, o que pouco a pouco se vem realizando através das gerações.

            O interessante é que, durante a sua permanência na terra, Jesus deixou traços de sua atuação como homem e como espírito livre das limitações da carne. Ele tinha que atender a duas qualidades de homens ou, melhor, a duas épocas: uma, do homem carnal, e, outra, do homem espiritual. O primeiro só se satisfaz com a matéria; o segundo só com o Espírito. Aquele recebe a Verdade envolta no véu da letra, este a aceita sem ornamentos, porque só assim ela de esperança o alimenta. A fase da matéria - dizem os espíritos - já passou; surgiu agora a do espírito, em que tais ornamentos estão sendo retirados, à luz de novos conhecimentos.

             Certas disparidades notadas nos Evangelhos, concernentes à vida de Jesus, provêm da dualidade ou coexistência das duas naturezas que Ele manteve intencionalmente para servir a dois estados - o material e o espiritual - que sua vista divina abrangia, alcançando um futuro muitíssimo distante.

            Na qualidade de Filho de Deus, Jesus teve um corpo diferente do nosso, porque, sendo gerado por Deus, só podia ter uma vestimenta toda especial. “Recitarei o decreto: O Senhor me disse Tu és meu filho, eu hoje te gerei” ( Salmos 1:7).  Paulo, na epístola aos Hebreus, comenta a frase supra, explicando que nem mesmo sobre os ‘anjos’ em missão na Terra Jesus falou, desse modo, dando a perceber, por este e outros conceitos, que Jesus teve um corpo de natureza diversa, a fim de que não participasse da ‘corrupção’, tanto que disse: “Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; a graça se derramou em teus lábios; portanto, Deus te abençoou para sempre.” (Salmos 45:2), o que é corroborado pela frase velada do anjo à Maria: “O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra e por isso o Santo que nascerá de ti será chamado Filho de Deus.” (Lucas 1:35)

            É inútil contestar-se que Jesus teve um corpo fluídico, ou seja, uma encarnação especial e distinta, porquanto são claras estas palavras contidas no livro dos Salmos: “Eu te louvarei, porque de um modo terrível e maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras e a minha alma o sabe muito bem. (139:14) Sim, foi “feito (O Cristo) tanto mais excelente do que os anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles. (Aos Hebreus 1:4)

            Pelo que está acima explicado, o Filho do homem é a revelação do Cristo na qualidade de Espírito livre, não sujeito aos liames da matéria e, ipso facto, à lei dos renascimentos, sendo, portanto, nascido de Deus e por Ele gerado em condições especiais.  

            Como Filho do homem, Jesus deu a entender que possuía a vida material dos homens e assim foi que disse, como se estivesse sujeito a certas fraquezas próprias deles:Pai meu, se possível, passa de mim este cálice” e “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?” Como Filho de Deus, demonstrou uma vida extra-humana, conforme se depreende destas suas luminosas palavras: “Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também deu a Ele, ao Filho, ter vida em si mesmo. (João 5:26)

            Como Filho do homem, deu a entender que fora tentado no deserto; como Filho de Deus, expulsou os espíritos obsessores e teve domínio sobre eles: “Que palavra é esta, pois com autoridade e poder ordena aos Espíritos imundos, e eles saem?” (Lucas 4:36)

            Como Filho do homemveio comendo e bebendo”, (Lucas 7:34); como Filho de Deus, declarou: “A minha comida é fazer Eu a vontade daquele que Me enviou”. Tendo também dito que era o repositário da “água viva.(João 4:35- 4:10)

            Como Filho do homem, habitou em casa de seus pais, morou em Cafarnaum e se hospedou em casa de Zaqueu; como Filho de Deus, declarou ao escriba que não tinha onde repousar a cabeça, dando a entender que a terra não fora o seu berço.

            Como Filho do Homem, tiveram-no por filho de Davi, saído da linhagem deste; como Filho de Deus, replicou: “Como é, então, que Davi, em espírito, o chama de seu Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu tenha reduzido teus inimigos a te servirem de escabelo para os pés? Ora, se Davi lhe chama seu Senhor, como é ele seu filho?” (Mateus 32:43-45)

            Como Filho do Homem, deixou-se crucificar aos olhos dos homens; como Filho de Deus, ressurgiu com o mesmo corpo, para revelar a verdadeira origem deste. Atentemos para estas suas memoráveis palavras: “Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou. Tenho o direito de a dar, e tenho o direito de a reassumir.”  (João 10: 17-18)

            Felizmente, já estamos numa assinalada época de espiritualidade, em que as ideias espirituais vão tendo curso cada vez mais franco, vencendo os entraves da matéria.

            Não mais a carne e sim o espírito. Não mais as trevas e sim a luz. Não mais o pavor e o medo, para despertar as consciências, e sim a benevolência e a paz, como grandes refrigérios da alma.

            O Filho do homem influencia a humanidade por atos humanos e o Filho de Deus pela palavra de Verdade. “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e agora é, em que os mortos (os encarnados) ouvirão a Voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. (João 5:25)

            O Filho do homem foi uma necessidade material e moral para o seu tempo e as gerações que se seguiram até hoje; o Filho de Deus é uma necessidade moral e espiritual para todo o tempo, a partir da atualidade.

            O Filho do homem é o exemplo; o Filho de Deus é a esperança e o Eterno Bem. O primeiro, com seus sofrimentos, infunde a humildade e a paciência; o segundo, com o seu amor, infunde a pureza de sentimentos, a fim de que, também, nos tornemos verdadeiramente Filhos de Deus, situação em que ficaremos livres da lei dos renascimentos.


Nota: Todos os destaques em negrito são do blogueiro.

30 de Novembro


30 Novembro


 Aprende a orvalhar de luz
O afeto de teu caminho.
Se queres amar a rosa
Não lhe condenes o espinho.



 Casimiro Cunha
por  Chico Xavier
in ‘Gotas de Luz”  4ª Ed. FEB  1977

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Perante a Lei



Perante a Lei

És espírita.

Diante de ti o caminho longo, infinito, pleno de solidão.

Solidão que encontras dentro de ti mesmo, conduzido pela mão do Mestre ao Monte da meditação, o santuário de teu ser.

És espírita.

Consciente, buscaste a Luz. Deslumbrado, encontraste o Mestre. E, conhecendo-o, compreendeste a Lei.

Perante a Lei te encontras como o filho diante do pai.

A ordem divina envolve-te completamente, mostrando-te o infinito a percorrer.

Todavia, o roteiro é a Lei. A Lei Divina que gravaste na tua mente.

Por que deténs o passo nos rudes trilhos do progresso?

Por que não viver a Lei, se a Lei é a Presença Divina em tua vida?

Sempre que oras, evocas a Lei.

Sempre que suplicas, ajoelhas-te diante da Lei.

Por isso, repetiu o Senhor: A cada um, segundo as suas obras.

A Lei, meu filho, impele-te para o alvo, à grandiosa destinação de tua vida.

A Lei te espera no luminoso regaço de Mestre e Senhor.

Cumpri-la, obrigação.

Amá-la, necessidade absoluta.

És espírita.

Percorreste longos caminhos, sorveste o pó da estrada e bebeste o fel do sofrimento.

Um dia, te encontraste com o Senhor no Tabor.

Maravilhado, desejoso de alcançar os planos superiores, encetaste nova jornada.

Medita, pois.

À tua frente, o caminho áspero, rude, longo.

Nas margens, o sofrimento do próximo.

É preciso seguir ao encontro do Mestre, lenindo, atenuando o sofrimento alheio.

Compreende meu filho. És espírita e a Lei Divina, a Presença do Pai, espera o teu amor e a tua dedicação para a aquisição do bem maior.

Não te detenhas, porquanto a Lei, se é no momento disciplina para os teus sentimentos, é também roteiro para os teus pés, a conduzir-te aos braços do Pai amoroso.

Estuda a Lei Divina.

Grava em teu Espírito, com luminosas letras, a excelsa vontade do Pai e Senhor, e, entregando-te a Ele, segue, filho amado, o teu roteiro, à procura da bem-aventurança nos formosos cimos da imortalidade.

Guarda na fé legítima a esperança para o teu grande dia, lembrando-te que nós, os companheiros invisíveis, te assistimos e amparamos para ver-te nos jardins luminosos e floridos da mansão do Senhor.

Que a Lei, meu filho, te abençoe, é nossa oração.
                                              

Bezerra

por    Maria Cecília Paiva,
 in  “Garimpeiros do Além” 2ª Ed 1991 Ed. Instituto Maria) 

Vantagens do Perdão


Vantagens
do Perdão

"Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas também vosso Pai Celestial vos perdoará a vós..."
Jesus (Mateus, 6:14.)


            Quando Jesus nos exortou ao perdão não nos induzia exclusivamente ao  aprimoramento moral , mas também ao reconforto íntimo, a fim de que possamos  trabalhar e servir, livremente, na construção da própria felicidade.  

-000-

         Registremos alguns dos efeitos imediatos do perdão nas ocorrências da  vida prática.

         Através dele, ser-nos-á possível promover a extinção do mal, interpretando-se o mal por fruto de ignorância ou manifestação de enfermidade da mente;

         -impediremos a formação de inimigos que poderiam surgir e aborrecer-nos indefinidamente, alentados por nossa aspereza ou intolerância;

         -liberar-nos-emos de qualquer perturbação no tocante a ressentimento; imunizaremos o campo sentimental dos entes queridos contra emoções, ideias, palavras ou atitudes suscetíveis de marginalizá-los, por nossa causa, nos despenhadeiros da culpa;

         -defenderemos a tarefa sob nossa responsabilidade, sustentando-a cavaleiro de intromissões que, a pretexto de auxiliar-nos, viessem arrasar o trabalho que mais amamos;

         -impeliremos o agressor a refletir seriamente na impropriedade da violência; e adquiriremos a simpatia de quantos nos observem, levando-os  a admitir a existência da fraternidade em cujo poder dizemos acreditar.

-O00-
        
         Quantos perdoem golpes e injúrias, agravos e perseguições apagam incêndios de ódio ou extinguem  focos de delinquência no próprio nascedouro, amparando legiões de criaturas contra o desequilíbrio e resguardando a si mesmos contra a influência das trevas.

         Perdão pode ser comparado a luz que o ofendido acende no caminho do ofensor. Por isso mesmo, perdoar, em qualquer situação, será sempre colaborar na vitória do amor, em apoio de nossa própria libertação para a vida imperecível.

           
Emmanuel
por  Chico Xavier 
in “Reformador” (FEB) (Dezembro 1972)


29 de Novembro



29 Novembro


 Se pretendes, cada dia
Servir, prover e acertar,
Medita devagarinho
E apressa-te a executar.


 Casimiro Cunha
por  Chico Xavier
in ‘Gotas de Luz”  4ª Ed. FEB  1977