Translate

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ismael Gomes Braga e Abel Gomes - Daqui e de lá...



Profissão de Fé Cristã

           
Reformador (FEB) Out e Nov 1944
           
            “A forma concisa destas máximas parece destiná-las a serem decoradas pelas pessoas de boa memória. Achamos conveniente, no entanto, juntar-lhes, nas páginas que seguem, alguns breves comentários que o leitor poderá ampliar pelas suas próprias reflexões.
            Havendo mantido íntimas relações com Abel Gomes quando vivo, durante mais de trinta anos, procuramos fazer os comentários com a suas próprias idéias e aspirações.
                                   I.G.B. (Ismael Gomes Braga)

Profissão de Fé Cristã

1.         Amarei a Deus, acima de todas as coisas, com toda minhalma e entendimento.
2.         Executarei a Vontade Divina sobre todos os meus propósitos individuais.
3.         Aplicar-me-ei às lições do Mestre Jesus.
4.         Serei fiel ao Senhor.
5.         Servirei aos meus semelhantes como a mim mesmo,
compreendendo-lhes as necessidades e respeitando-lhes as opiniões.
6.         Aproveitarei o patrimônio sagrado do tempo com elevadas edificações.
7.         Transformarei os pântanos do mal transitório em lavouras do bem
para a eternidade.
8.         Terei meu veículo de manifestação como vaso divino que devo santificar.    
9.         Aprenderei a ciência de agradecer.
10.       Darei minha cooperação nos serviços do Pai com desinteresse e alegria.
11.       Receberei as bênçãos do Senhor, não só para meu aproveitamento, 
mas também para distribuí-las em seu nome.
12.       Colaborarei na obra do mundo sem apegar-me, guardando 
o meu ideal de suprema libertação.
13.       Compreenderei que o sacrifício é a lei na elevação espiritual.
14.       Desviar-me-ei de qualquer posse que traga cativeiro para minhalma.
15.       Honrarei minha tarefa no dia que passe, entendendo que representa 
um título da confiança de Deus, cuja bondade me chamará amanhã a serviço maior.
16.       Reconhecerei que todas as dificuldades do caminho evolutivo são
 páginas de luz para o meu aprendizado divino.
17.       Cultivarei o otimismo, diante de todos os obstáculos.
18.       Conservarei, aplicando-as na luta, as santas lições da experiência.
19.       Esquecerei todo o mal.
20.       Farei o bem antes de pregá-lo.
21.       Auxiliarei o mundo sem escravizar-me a ele.
22.       Procurarei ser cristão com meus pensamentos, palavras e atos, 
antes de tentar a cristianização do próximo.
23.       Exigirei de mim mesmo e serei benevolente com os outros.
24.       Cooperarei no serviço terrestre pela vitória do Bem para sempre.                              
Abel Gomes

                                   ***


1.         Amarei a Deus, acima de todas as coisas, com  toda a minhalma e entendimento.
           
            Amar a Deus sobre todas as coisas é o primeiro mandamento do Decálogo. As maravilhas da criação nos revelam uma Força, uma Sabedoria, um Amor previdente e paterno que tudo organiza e governa os mundos e os seres, desde as coisas infinitamente pequenas até as infinitamente grandes. Sentimo-nos uma partícula, ainda que minúscula, deste espetáculo majestoso da vida que palpita na Natureza toda e em nosso próprio ser. Nossa inteligência sente-se pequena, ínfima, para compreender, mas o coração enche-se de admiração e amor pelo Criador de todas essas maravilhas. Quanto maiores descobertas a Ciência realiza na Natureza, tanto mais nossa alma sente-se enlevada na adoração ao Ser Supremo, nosso Criador e Pai. Pelo amor a Deus sobre todas as coisas, passamos a amar a Deus sobre todas as coisas, passamos a amar a todas as obras de Deus, principalmente ao homem; seja ele já evolvido e bom, ou ainda primitivo e rude, é uma parte, como nós, da criação divina e caminha para o crescimento e perfeição, para elevar-se em afinidade ao seu criador.
            Como manifestação desse amor a Deus, a alma vive em prece e contemplação, elevando-se cada dia mais para a harmonia espiritual que rege os mundos superiores e desprendendo-se aos poucos da animalidade dos mundos primitivos. Mas a contemplação não é inerte e passiva; ao contrário, a alma age sempre na suprema aspiração de colaborar com Deus no aperfeiçoamento do mundo e dos seres; não ora pedindo repouso e paz mas pedindo compreensão e forças para trabalhar sempre e cada vez mais conscientemente na obra de Deus.

2.         Executarei a Vontade Divina sobre todos os meus propósitos individuais.

            Pela prece constante, o homem entra em afinidade com os Seres superiores que são Ministros e Executores da Vontade Divina, e sente os anseios de sufocar sua personalidade egoística e só executar os planos superiores da criação para o bem geral. É a aspiração sublime de sobrepor a vontade de Deus acima de todos os seus propósitos individuais de interesse particular. Executando a Vontade Divina, o homem entra em harmonia com as grandes forças da natureza divina e pode realizar obras grandiosas, pois que de fato se torna instrumento de Deus por intermédio dos bons Espíritos. Ao contrário, pretendendo realizar apenas sua felicidade individual, afasta-se daquelas correntes de força e torna-se estéril e infeliz. Para ser realmente feliz e útil, a primeira luta a travar-se é contra o egoísmo que só deseja a felicidade pessoal. Esquecer de si mesmo, só pensar em Deus e na obra divina, na preparação do bem para os outros, mesmo com sacrifício próprio. Assim chegaremos pelo esforço a executar a Vontade Divina sobre todos os nossos propósitos individuais e, então, seremos realmente filhos e colaboradores de Deus.

3.         Aplicar-me-ei às lições do Mestre Jesus.

            Nas páginas do Evangelho, Jesus traçou o roteiro para a alma que quer elevar-se para Deus pelo seu próprio aperfeiçoamento. É necessário estudar, meditar e praticar as lições do Divino Mestre para nos libertarmos das ilusões do egoísmo e da vaidade e entrarmos em afinidade com os Espíritos superiores que nos guiam e inspiram para a obra a realizar-se no mundo visível e no invisível. Não abandonarmos nunca as páginas de luz e vida do Evangelho

4.         Serei fiel ao Senhor.

            O servidor infiel procura servir-se a si mesmo, buscando antes a recompensa que o serviço. Só pela abnegação, pelo esforço constante em servir ao Senhor, sem pensar em prêmios, recompensas ou salários, o homem se eleva a tornar-se o fiel servidor que só pensa e deseja o bem do serviço, sacrificando todas as aspirações e recompensas morais ou materiais. E só ao servidor fiel o Senhor confia as forças necessárias às Suas grandes obras. Não é de um salto que venceremos nosso egoísmo e passaremos a pensar somente no bem alheio, como deve proceder o servidor fiel, porém, pelo exercício constante e a prece sincera, a pouco e pouco vamo-nos libertando de nossas aspirações mais elevadas do bem geral de todos os seres. A máxima concisa que o filósofo cristão nos dá com estas poucas palavras - Serei fiel ao Senhor - é o ideal a alcançarmos e que devemos ter sempre em mente em nossas preces; é a promessa repetida que devemos fazer a nós mesmos a cada instante, até que ela se torne um hábito mental e desça para o subconsciente, tornando-se aspiração de alma ansiosa por servir com fidelidade a Deus através de toda a criação, de todos os filhos de Deus.

5.         Servirei aos meus semelhantes como a mim mesmo, compreendendo-lhes as necessidades e        respeitando-lhes as opiniões.

                Assim como o serviço a Deus só tem mérito quando feito desinteressadamente, também o serviço aos homens - outra modalidade de servir a Deus - só tem valor quando não visamos recompensa alguma. Em geral temos mais empenho em demonstrar o erro na opinião alheia, em vencer as convicções dos outros, impondo-lhes as nossas como melhores, do que em prestar serviços reais. É uma recompensa moral que aspiramos, a de impor nossas idéias. Daí vem a sede de proselitismo, o espírito de seita que transforma em arena de luta o campo de trabalho, onde só deveríamos construir. As mais grandiosas revelações transformam-se em causas de divisão e malquerença em vez de unir os homens, quando do campo do serviço passamos às pugnas ideológicas. O espírito de serviço deve ser posto mais alto do que as opiniões e convicções do sectarismo. Por isso, o filósofo invisível continua repetindo-nos o que nos dizia aqui com a palavra e o exemplo: Prestemos serviços, respeitando as opiniões dos outros.

6.         Aproveitarei o patrimônio sagrado do tempo com elevadas edificações.

                Perder o tempo em banalidades, em polêmicas, em vez de aplicá-lo a construções reais, é um dos males de muitos que se envaidecem de seu saber e da superioridade de suas idéias e lançam-se a destruir ou desafiar quixotescamente para duelos de palavras. Aproveitemos, porém, nosso precioso tempo em construções úteis e deixemos os pobres e vaidosos falando sozinhos; assim, mais cedo compreenderão o seu erro e passarão a fazer coisas mais aproveitáveis.

7.         Transformarei os pântanos do mal transitório em lavouras do bem para a eternidade.

            Saber aproveitar o que nos parece o mal e transformá-lo em fonte de vida eterna é a lição divina na Natureza toda. A Natureza é um grande laboratório, onde tudo se transforma em bem. Se tomarmos apenas uma fase de transformação, sem vislumbrarmos a finalidade superior, supomos ser o mal, mas por fim é sempre o bem que se está processando. As mais rudes paixões da alma, são energias em preparação e que um dia serão aplicadas a grandes coisas. Esforcemo-nos para colaborar com a natureza divina, transformando ou abreviando a transformação do mal em bem. O pântano é um reservatório e transformador de matérias inúteis em adubo fertilizante que produzirá as mais ricas messes quando drenado e aproveitado pela inteligência do homem.

8.         Terei meu veículo de manifestação como vaso divino que devo santificar.   

            Esta máxima nos ensina a necessidade de conservar a saúde do corpo pela pureza e castidade, pela sobriedade e pela higiene que se estende também ao cultivo dos pensamentos e sentimentos puros e elevados.
            A pureza do corpo físico e do corpo astral são condições necessárias  às grandes realizações  do Espírito.

9.         Aprenderei a ciência de agradecer. 

            Vivemos cercados de benefícios e bênçãos que não sabemos agradecer. Aos nossos antepassados que prepararam todas as comodidades da civilização em que vivemos, aos pais e mestres que nos ampararam e guiaram os primeiros passos, à sociedade que nos protege, à Ciência que nos serve pelos seus sacerdotes, à colaboração de todos os homens que mesmo inconscientemente nos prestam toda sorte de serviços, aos Espíritos que generosamente descem até nós para nos esclarecer e guiar, a todos os filhos de Deus, enfim, devemos um infinito de gratidão, da qual muita vez, infelizmente, nos esquecemos. Principalmente nós que recebemos as graças da Terceira Revelação, a compreensão de que o bem é eterno e triunfa sempre do mal e, por isso mesmo nos tornamos os seres mais felizes da criação, devemos aprender a cantar o hino da gratidão sem descermos às queixas e lamentações dos ingratos.
            Se refletirmos sobre nosso débito para com Deus e a Humanidade passada e presente, seremos reconhecidos e sentiremos necessidade de prestar serviços, restituindo pelo menos pequena parte do muito que temos recebido. Nossa vida passará então a ser um hino de gratidão e amor, em vez de uma tempestade de queixas e reclamações injustas, como fazem os irrefletidos e ingratos. Devemos, pois, aprender a cultivar a ciência de agradecer.

10.       Darei minha cooperação nos serviços do Pai com desinteresse e alegria

            Só com desinteresse e alegria, podemos trabalhar na obra divina. O egoísmo e a sede de recompensas nos insulam e esterilizam, tornando-nos inúteis e infelizes.

11.       Receberei as bênçãos do Senhor, não só para meu aproveitamento, mas também para distribuí-     as em  seu nome.

            Receber os bens egoisticamente para si, é tornar-se indigno de recebe-los. O monopolizador, como o avarento, é um infeliz fechado no círculo de aço do seu egoísmo. Quem saiba distribuir os bens recebidos é o depositário fiel que receberá cada vez maiores bênçãos. Torna-se um sacerdote, um mediador entre Deus e os homens.

12.       Colaborarei na obra do mundo sem apegar-me, guardando o meu ideal de suprema libertação.

            Trabalhar com amor e dedicação nos serviços do mundo é obra divina, fonte de felicidade, por mais humilde que seja o trabalho; mas, apegar-se aos bens passageiros do mundo, com a certeza que temos de que não são nossos, são apenas empréstimos passageiros que teremos de restituir pela morte, senão mesmo antes, é escravizar a alma às coisas da Terra, privando-a do ideal de suprema libertação espiritual. Apegar-se ao mundo é criar a rede de encarnações dolorosas, como ensinam os budistas. Tenhamos sempre em mente que a Terra é uma escola bendita pelas suas dolorosas experiências santificantes, mas, pela nossa essência espiritual somos filhos de Deus, cidadãos do Infinito nas Eternidade e a nenhum lugar devemos prender-nos pelo apego passional.

13.       Compreenderei que o sacrifício é a lei na elevação espiritual.

            Sacrificar-se pelo bem é o maior de todos os bens, porque eleva o Espírito à afinidade com os Espíritos superiores. A sede de conforto e bem-estar embaraça a evolução da alma, prendendo-a a coisas passageiras e ilusórias.

14.       Desviar-me-ei de qualquer posse que traga  ativeiro para minhalma.

            Escravizar-se à riqueza, às posições, às honrarias do mundo, é prender-se às ilusões de um presente passageiro, ficar estacionário e preparar sofrimentos para o futuro, por ter-se que assistir ao esboroamento de sua ilusória felicidade, como construção sobre a areia. A alma deve desapegar-se de tudo que é passageiro e que terá de ser abandonado pela morte. Só assim será livre de dedicar-se ao bem eterno. Não temos posse de coisa alguma, somos apenas depositários temporários e administradores de bens divinos.

15.       Honrarei minha tarefa no dia que passe, entendendo que representa um título da confiança de Deus, cuja bondade me chamará amanhã a serviço maior.

            Os pequenos deveres da vida cotidiana são degraus que nos elevam a tarefas maiores e mais arriscadas. Quem se julga superior ao trabalho que lhe aparece, é ambicioso e pode sofrer tremendas quedas por falta de preparação sólida para empreendimentos de maior responsabilidade. Devemos cumprir prazerosamente todos os pequenos deveres, por mais humildes que sejam, para nos tornarmos aptos a tarefas mais elevadas, quando Deus julgar oportuno o momento de confiar-nos trabalhos de mais responsabilidade. Não tenhamos pressa de empreender grandes coisas, porque o mundo está repleto de insucessos e alguns deles muito tristes.

16.       Reconhecerei que todas as dificuldades do caminho evolutivo são páginas de luz para o meu    aprendizado divino.

            As dificuldades que o professor põe na frente do aluno, para exercitar-lhe a capacidade e preparar-lhe o futuro triunfo, devem ser abençoadas e tratadas com todo o esforço e a máxima boa vontade. A vida é a escola bendita e o Espírito é o eterno estudante.

17.       Cultivarei o otimismo, diante de todos os obstáculos.

            O obstáculos são provas necessária e quando encarados com otimismo e fé, tornam-se mais fáceis de serem transpostos. O otimismo é o grande remédio contra todas as dificuldades.

18.       Conservarei, aplicando-as na luta, as santas lições da experiência

            De todas as coisas, desde as máximas até as mínimas, nos fica uma lição experimental que não deve ser esquecida. Todos os acontecimentos da vida nos trazem novas experiências. De cada conversação, de cada leitura, de cada filme a que assistimos, colhemos alguma experiência própria ou alheia. O conjunto dessas experiências forma um tesouro imenso de conhecimentos a serem aplicados para futuros triunfos, para evitar insucessos. As mais santas lições da experiência são as que nos ficam da dor experimentada, dos grandes erros que cometemos e que aprenderemos a evitar no futuro, aplicando a experiência para transformar o mal passado, em bem no porvir.

19.       Esquecerei todo o mal

            Esquecer todo o mal e só pensar no bem. Esquecer até o mal que se fez, para só pensar no bem que se tem de fazer, é caminhar para a frente, para a vida, deixando aos mortos a tarefa de enterrar os seus mortos. Pensar só no bem, cultivar só o bem, para que a nossa alma perca a afinidade com o mal.

20.       Farei o bem antes de pregá-lo.

            Ensinar pelo exemplo da conduta é mais eficaz do que pelos discursos. Partir da prática do bem para a teoria do bem, é o exemplo que nos dão os grandes Espíritos. Os exemplos aproveitam a quem os pratica e a quem os recebe, e os discursos, mesmo os mais inflamados, por vezes são palavras ao vento que a ninguém aproveitam. Abel Gomes tem autoridade para dizer-vos isso, porque a sua pregação foi sempre a do exemplo e não a das palavras.

21.       Auxiliarei o mundo sem escravizar-me a ele.

            Empregar os bens do mundo para auxiliá-lo. Conquistar mesmo esses bens para aplicá-lo com desapego e superioridade de vistas, mas conservando-se acima e livre da escravização ao mundo.

22.       Procurarei ser cristão com meus pensamentos, palavras e atos, antes de tentar a cristianização       do próximo.

            Esta máxima é uma advertência contra o espírito de seita, a sede de proselitismo dos entusiastas para os quais o Cristianismo torna-se um campo de batalhas verbais improdutivas. Lutam por cristianizar os homens por todos os meios, até pelos meios menos cristãos, como nos demonstra, a História, esquecendo-se de aproveitar para si mesmos os bens que aparentam querer transmitir aos outros. Querer cristianizar a todos, menos a si mesmos, porque, em sua vaidade, já se julgam cristãos modelares. Devemos, porém, ser cristãos na vida, na conduta, e não só nos lábios. Ensinar pelo exemplo e não pela palavra apenas. Cristianizar primeiro a si mesmo para adquirir autoridade de ensinar aos outros, é o único caminho seguro.

23.       Exigirei de mim mesmo e serei benevolente com os outros.

            Ser rigoroso e exigente para consigo mesmo e benevolente para com os outros é construir sobre a rocha para a eternidade da vida. Realmente, os defeitos que nos prejudicam, os males que devemos expurgar, são os nossos mesmos e não os dos outros. A exigência para com outrem, a ausência de benevolência, fecha-lhes a alma à nossa influência; mas o exemplo de nossa conduta acha sempre, nas almas, as portas abertas.

24.       Cooperarei no serviço terrestre pela vitória do bem para sempre.

            Cooperar com todos os homens na obra divina de implantar o bem sobre a Terra, de construir o Reino de Deus para sempre nos corações, é a maior tarefa que teremos de alcançar na vida, quando a merecermos. Enquanto esperamos essa grande dita de nos tornarmos colaboradores diretos de Deus, como já são hoje Seus grandes Ministros, os Espíritos superiores, façamos nossas pequeninas tarefas com amor e carinho, porque os nossos grãos de areia talvez possam ser aproveitados pelos Preparadores do futuro. Se não servirem a outrem  os nossos esforços, pelo menos a nós mesmos servirão sempre, como os exercícios escolares sempre aproveitam ao aluno que os faz. 



Linguagem e Evangelho


Espírito Ismael Gomes Braga
(Mensagem recebida pela médium
Tânia de Souza Lopes na FEB, no RJ,
em sessão do ‘Grupo Ismael’, de 8-12-1983.)

            Irmãos em Cristo - que Ele nos ampare e envolva em suas vibrações poderosas!
            Sejam os nossos corações unidos pela linguagem vigorosado Amor, a única capaz de superar as barreiras erguidas pelos orgulhos e egoísmos que em nós ainda abrigamos.
            Sejam as nossas mentes iluminadas pela luz poderosa do conhecimento da Verdade Suprema, a única capaz de dissipar as brumas espessas das incompreensões que obstruem os processos evolutivos e os obliteram até que a Dor cumpra o seu papel terapêutico na desobnubilação das trevas ainda alojadas em nosso íntimo.
            Sejam as nossas palavras perenes lições de perdão e de compreensão, para que em nosso meio a linguagem atinja os objetivos para ela propostos pelo Cristo Divino: o de unir corações, aclarar consciências, regenerar, ajudar na disseminação das luzes do Bem Maior sobre a face da Terra.
            Quando as palavras forem exclusivamente veículos de Amor, mesmo configurando admoestações; quando as nossas mãos puderem unir-se no trabalho revigorante da Caridade - justamente elas que, no passado, empunharam armas, sustentaram bandeiras de lutas fratricidas, exterminando a vida física e lançando  a obscuridade moral sobre a vida espiritual; quando, enfim, mãos, inteligência e palavras forem colocadas a serviço do bem maior - o trabalho da Caridade -, nesse dia ruirão barreiras raciais, lingüísticas, econômicas ou morais. Todos seremos um círculo fraterno em que a linguagem exercerá exclusivamente o seu papel de fator de união, pois conjugará ininterruptamente os verbos amar e servir, em todos os momentos e lugares.
            Nesse porvir venturoso, embora longínquo - e que cabe a nós tornar mais próximo -, os homens escutarão uma nova mensagem que superará todas as barreiras à comunicação entre eles: ouvirão em seu coração as lições profundas do Evangelho, em espírito e verdade, fonte de todos os bens verdadeiros, base de todas as conquistas, para que o reino do Senhor deixe de ser um devir e se  torne eterno presente.
            Vosso companheiro e amigo de sempre,
                                               Ismael Gomes Braga

03 / 41 'Profissão de Fé' por Gustavo Macedo

3
                        “Porque enquanto houver uma mulher constituída física, intelectual e moralmente como a que Jeová com uma tão grande inspiração de artista fez da  costela de Adão, - haverá sempre ao lado dela, para uso de sua fraqueza, um altar, uma imagem e um padre.”      (Eça de Queiroz - Fradique Mendes, pág. 155). 
           
            São instituídas associações religiosas exclusivamente para o sexo feminino, tendo como diretores espirituais sempre sacerdotes. E quando algumas não sejam exclusivistas, os homens são em minoria, lá não vão e não tem por isso ação alguma. Sabe o clero, por experiência, que “uma religião, quanto mais se materializa, mais se populariza e, portanto mais se diviniza[1] Por isso trata de criar associações aparatosas, com insígnias e estandartes. As principais que conhecemos são: Filhas de Maria, com fitas de cores conforme os graus; Apostolado da Oração, com fitas vermelhas, medalhas, quadros e distribuição de mistérios, e outra do mesmo gênero intitulada - Guarda de honra do Coração de Jesus.
            As senhoras que se distinguem pela exaltação clerico-maníaca são premiadas com cargos de zeladoras, presidentes e secretarias. Imitando seus diretores, são em geral de um orgulho desmedido. Trajam no templo como no baile. Vão pelas casas pedindo esmolas para festas e procissões, com que, em geral, lucram o clero, armadores e músicos, que muitas vezes tem coupé à sua disposição.
            Há nelas uma verdadeira idolatria pelos objetos de devoção, aos quais, à maneira de talismãs ou manipanços, atribuem virtudes miraculosas.
            Nesta persuasão, colocam medalhas, corações, etc. nas carteiras dos maridos, irmãos e namorados, chegando, quando a seu ver há necessidade, a descoser o forro dos casacos para neles introduzir um desses amuletos. Quase todas usam bentinhos milagrosos ou escapulários, para ficarem livres do inferno, ou do purgatório, serem salvas no primeiro sábado, etc. Consta o escapulário ou bentinho de dois pedacinhos de lã, presos por cordões, ficando, á guisa de suspensórios, um quadradinho no peito, outro nas costas. Há tanta importância nesse ato, que só os padres autorizados podem benzê-los! É preciso uma graça especial, enquanto que, por exemplo, para dizer missa, que é a fabricação de Deus, e assim muito mais importante, não é preciso mais que a ordenação ou sagração do bispo e autorização da Câmara Eclesiástica, depois de pagos os respectivos emolumentos.
            As solenidades mais tocantes que celebram são as comunhões gerais.
            O leitor sabe o que é a comunhão? Pois é a ingestão de Jesus na forma eucarística, isto é, na hóstia consagrada pelo sacerdote.
            O singular, porém, é que a maior parte dessa gente tanto come Jesus e não fica humilde e doce: pelo contrário, faz-se veículo de intrigas e cultiva a maledicências! Tudo com tanto zelo pela obra do Senhor!
            A ignorância desses tais em matéria religiosa é de pasmar! Os sermões são modelos de disparates!. As devotas, porém, gostam muito de os ouvir, tal qual o Marquês de Marialva, que muita apreciava os sermões recheados de latim, por não entendê-los.
            O pregador, transformado em ator, entremeia a oração de brados e exclamações: “ah! oh! ai!!! eis o coração que tanto amou os homens!” As devotas choram, ele invectiva os dissidentes, todos os que não comungam com o catolicismo, exige em nome de Deus o culto material de diversas partes do seu corpo, e enxota-os para o inferno!
            Quase todo o clero só conhece obras de devoção, polêmica religiosa e sobretudo sermões. Da história quase que só a parte eclesiástica, e quanto a biografias, pouco mais do Flos Sanctorum.
            Das outras religiões pouco conhecem e daí, quando falam delas, uma série de falsidades.
            Preciso, porém, é notar que só podem ler obras que não estejam no Index.
            Como se vê, a instrução católica é falsa, porque é acanhada e exclusiva.


[1]  Eça de Queiroz - Fradique Mendes pág. 155.

02 / 41 'Profissão de Fé' por Gustavo Macedo


2
                        Filho, não te amofines por alguém fazer de ti mal conceito ou dizer coisas que não gostes de ouvir.  (Imitação de Cristo XXVIII, Liv. III)

            Todas as vezes que a Igreja Católica perde um membro, que dela se afasta, não tarda de acusá-lo das maiores faltas, e a afirmar que a apostasia é oriunda dos vícios, crimes e orgulho do apóstata. No entanto, a Igreja é uma escola de orgulho. E toda a sua milícia ou clericazia não é um modelo de humildade, cordura e honestidade!
            A história dos crimes dos papas, frades, bispos e clérigos encontra a síntese no estabelecimento da inquisição, com S. Torquemada à frente.
            Ocioso seria repetir o que é sabido e não entra no plano destes modestos escritos.
            Demais, a igreja não usará hoje desses meios violentos; não porque a sua índole tenha mudado, mas porque os tempos atuais o não comportam. Suas armas são outras. As armas de hoje são o artifício e a intriga. Desvenda-las é o fim a que nos  propomos, como dissemos em nosso artigo passado.
            A ação do catolicismo está hoje unicamente reduzida à mulher. Basta assistir a um ato religioso em qualquer templo católico, para ver que toda a força da igreja reside no elemento feminino. Algumas crianças acompanham as mães, alguns homens as famílias, muitos para encontrar as namoradas e pouquíssimos por devoção.
            Em outros tempos, a igreja aliava-se aos reis e imperadores, e os tinha sob seu poder, porque eram dela dependentes.
            Gregório VII dizia, no século XI: “Os reis e os príncipes trazem sua origem no demônio. Inspirados pelo espírito maligno, se  propõe a dominar seus semelhantes. São arrastados por ambição vergonhosa e intolerável presunção. Os meios pelos quais se propõem realizar os detestáveis fins, são a rapina, o homicídio, a perfídia e todos os crimes imagináveis. Estes são os grandes da terra, que tratam de avassalar os servos do Senhor. Homens altaneiros, filhos do orgulho, têm a temeridade de humilhar os filhos de Deus, chamando-se príncipes do mundo.
            Uma dignidade inventada pelos homens que desprezam a Deus, não devia estar subordinada à dignidade que a providência instituiu para sua honra, e que a colocou no mundo por sua misericórdia?”
            Joaquim Chiriboga, comentando essa passagem, diz:
            “Segundo isto, os príncipes trazem sua origem do demônio e os papas de Deus; desaparece a legitimidade do estado justificada pela soberania da igreja, de tal maneira que o vigário de Jesus Cristo é a fonte de todo poder, e só por sua concessão pontifica exercem os soberanos a autoridade temporal.”
            A Igreja, tendo perdido o terreno que lhe dava a teoria do direito divino e, querendo recuperar o poder, palmo a palmo perdido, agarra-se à parte feminina da humanidade, transformando-a em intermediária entre os profissionais da devoção e a parte incrédula e indiferente da sociedade, que é a masculina.
            Lança mão do confessionário e da intriga da sacristia.
            Destarte, a mulher, sempre anatemizada pela Igreja, é usada como instrumento de sua ambição e intolerância.
            A simples título de curiosidade,  vamos transcrever, antes de progredir, algumas sentenças de escritores clássicos da igreja sobre a mulher:
            “Origem de crimes, arma do diabo! Quando vedes uma mulher, acreditai que não tendes diante de vós um ser humano, nem ainda um animal feroz, mas o diabo em pessoa. A sua voz é o silvo da serpente.” (S. Antonino).
            “A mulher é semelhante ao escorpião, sempre pronta a morder”. (S. Boaventura).
            “A mulher é a peste das pestes! Dardo do demônio! Por intervenção dela, venceu o demônio a Adão e lhe fez perder o paraíso.” (S. João Crisóstomo).[1]
                As mulheres são indignas de receber o sacramento da Ordem, e não podem tocar nos vasos santos, sob pena de excomunhão!
            O simples fato delas sentarem-se no sub-pedanio do altar, as faz excomungadas!
            A Igreja, no entanto, por seu intermédio, obtém tudo, por serem devotadas penitentes.
            Sendo artigo de fé: “que a penitência (confissão) é um sacramento instituído por Jesus Cristo para perdoar os pecados depois do batismo,” todo fiel que não confessar os pecados, sem exclusão de um só, irá pagar por toda a eternidade no inferno. Basta omitir um só pecado, para a confissão ficar nula! Pela penitência não se cobram direitos especiais, como pelos outros sacramentos, mas tira-se um resultado muito produtivo.
            Muitas grandes fortunas têm vindo pela confissão, mediante a qual se obtém doações e legados.
            Alguns confessores atraem viúvas ricas ao confessionário e lhes insinuam que a viuvez é uma misericordiosa disposição do céu; adotando-a, renunciam ao mundo e à família, desprendendo-se dos bens da fortuna em benefício da Igreja, para assegurarem melhor a sua salvação. Outros formam verdadeiras vocações fictícias, fazendo com que inexperientes donzelas entrem para o claustro, já para conservarem as ordens religiosas das quais são capelães e interessados, já para fazê-las renunciar, em favor da comunidade, os dotes que possuem.
            Quantos e quantos pais não têm visto por esse meio suas filhas arrebatadas do lar para a inutilidade de uma vida contemplativa, ou melhor ociosa e fanática.
            Segredos do lar, segredos de Estado, tudo sabem pelas confissões das mulheres e filhas dos pobres pais de família, cuja autoridade é nula pela ação perniciosa e absorvente que exerce o confessor!
            Entre as confessadas por sua vez há verdadeira polícia. Vigiam-se, observam-se, e como desposadas espirituais que se julgam dos confessores, têm entre si verdadeiro ciúme, que se desenvolve pela intriga, por todas quererem a sua preferência.
            Há senhoras casadas que abandonam os seus deveres domésticos para se entregarem às práticas supersticiosas da igreja.
            Choram pelo confessor, julgam uma delícia beijar-lhe a mão, e a ele se queixam de todas as questões domésticas! Entram pelas estalagens, fazem visitas fingidas, dão esmolas, tudo com o fim de levar aos pés dos sacerdotes, para ficarem salvas, as almas que julgam pecadoras por não cumprirem os preceitos da Igreja.
            E vão assim contando aos padres tudo o que sabem, transformando as sacristias em verdadeiros focos de intrigas.
            Os sacerdotes ficam ao corrente de tudo que se passa nos lares domésticos.
            Explicaremos depois os meios que empregam para conservar o fervor das matronas e premiar-lhes a dedicação.



[1]  Cognominado ‘o boca de ouro’.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

01/ 41 'Profissão de Fé' por Gustavo Macedo



Série de artigos publicados em Reformador (FEB) ,
 quinzenalmente, a partir de 15 de Abril de 1905.
.

Profissão de Fé

                  por Gustavo Macedo
1
 Quando a gente penetra na região do Espiritismo e vai levantando pouco a pouco o véu das belezas que nos estavam encobertas, é que tem pena de não ter encontrado há mais tempo o verdadeiro tesouro da Terra!
            Bem me recordo ainda, quando, há mais de dez anos, a bordo de um navio, transpunha a barra em demanda do sul, para alinhar-me nas fileiras da família franciscana.
            Ia comigo um frade moço e fanático.  Quando saudoso olhava para as paragens onde nasci, quando meu coração sangrava de saudade pelo Rio de Janeiro, onde deixava afeições de mãe, irmãos, amigos, e dos templos em que passava horas de beatismo, quando assistia ao triste espetáculo dos irmãos que se trucidavam em guerra civil, encostado à amurada do paquete, uma só palavra ouvi de consolo: “- Diga adeus ao Rio.” Era o alívio que o religioso dava a uma alma despedaçada pela saudade!
            Levava a alma em delírio místico. Antevia o gozo da vida contemplativa; já me sentia no coro, enfileirado entre os monges, a entoar os salmos monótonos do breviário, e a fazer todas as mesuras do ritual monástico.
            Penetro em Blumenau, entro à noite no convento, e a fradaria toda amortalhada em seus hábitos, cingidos com cordas nodosas, e os pés enfiados em alpercatas, davam-me o aspecto de que o exterior espelhava bem o interior daquelas almas!
            Puro engano! A ilusão se desfez; e, para me tornar religioso,  tive necessidade de abandonar, sobre a enxerga do cubículo, as vestes do patriarca de Assis. Ali se fanatizavam os sentidos, mas não se elevava a alma para Deus! Rezava-se, comia-se, dormia-se, falava-se e guardava-se silêncio, tudo a horas determinadas.
            O que não encontrei,  não conheci, não vi, foi a caridade! A doutrina do Cristo era o pretexto para justificar o egoísmo dos cenobitas.
            Muitas e muitas  vezes estive enfermo. Nunca tive a minha cabeceira a visita de um irmão para consolar-me, para ministrar-me um remédio!
            Era fanático, bem fanático ainda, quando abandonei o mosteiro, para poder ser cristão.
            Obsedado ainda pelos espíritos não sei se deva dizer perseguidores, muito tempo  me conservei chumbado às grilhetas do fanatismo. Os anos, a experiência, o freqüentar constante das sacristias, o delírio religioso, a enfermidade mental, direi melhor, cedeu lugar à razão; mas como não tinha com que substituir o ultramontismo, a descrença ia erguendo-se dos destroços do fanatismo!
            Ouvia falar do Espiritismo: alguns anos antes um padre me falara dele, afirmando-me ser obra diabólica. Durante muito tempo repeti a mesma sandice. Supunha-o obra de loucos, o que era efeito da ignorância. Procurei a igreja protestante, só encontrei lá a secura esterilizadora da letra que mata. Ao menos o catolicismo tem a poesia do seu culto pagão!
            Freqüentei o Apostolado Positivista; o saber profundo do seu vice- diretor assombrava-me. Mas a alma continuava seca.
            Não se dava comigo, ouvindo o ilustre pregador, o mesmo que com S. Agostinho ouvindo os sermões de S. Ambrósio.
            O orador ilustrava o meu espírito, mas deixava o coração desolado; a humanidade é de alguma sorte um Deus abstrato!
            Deus queria revelar-me a verdade, a luz era demais intensa à debilidade dos meus olhos; tinha que ir de gradação em gradação; tinha de galgar as escadas do erro, para chegar depois ao templo da verdade, que é a revelação espírita. O que é o Espiritismo? Não é preciso dize-lo aos leitores desta revista, que o sabem de sobra. Para mim foi a tábua de salvação, atirada no mar da descrença e do desespero em que me debatia.
            Julgo-me no dever de denunciar aos meus irmãos, que vivem escravos do fanatismo, que a igreja é a negação da doutrina do Cristo, e que as suas doutrinas matam as aspirações mais nobre e alevantadas do coração humano!

Os 100 livros espíritas que você deve ler antes de morrer...



Em visita a livrarias cariocas, Aron, um espírita, observou que livros com títulos semelhantes ao do  acima existem aos montes. Uns referem-se a lugares no mundo que o leitor deveria conhecer antes de morrer. Outros sugerem sofisticados restaurantes em todo canto da Terra.  Existem também aqueles que sugerem os filmes que deveriam ser vistos. Sempre antes de morrer... Aron, um espírita, na certeza que você vai morrer um dia, sugere que você liste os 100 livros espíritas que deveria ler antes de morrer.  Você vai se surpreender com o resultado! Rapidamente chegará à conclusão que a grande maioria dos livros ditos espíritas não tem nenhuma importância para sua formação moral, filosófica ou mediúnica. Inclusive muitos daqueles colocados à venda no seu centro espírita...